PIRULITO NARRANDO Cheguei em casa já era noite. O corpo pesado, a mente fervendo. A boca hoje tinha sido sinistra, corre tenso, n**o desconfiado, polícia rondando mais do que o normal. Quando eu tô lá, parece que meu sangue ferve o tempo todo. Qualquer vacilo pode ser o último, e eu já tô nesse corre há tempo demais pra não saber disso. Mas é f**a, porque eu também sei que tudo que tenho hoje veio dessa vida: respeito, dinheiro, casa, a p***a do poder. Só que quando eu viro a chave e chego aqui, no meu lar, é outra fita. Abri a porta e o cheiro da comida me acertou de primeira. Bruna já tinha deixado a mesa posta, e só de sentir o tempero dela, parecia que minha alma cansada já dava uma respirada. O Mateus veio correndo, gritando “pai!”. Aquele moleque é cheio de energia, nove anos, mas

