Quatorze

1374 Palavras
Se alguém perguntasse o que eles estavam fazendo agora… a resposta seria simples: Ninguém sabia. — Então… vocês voltaram? — Bruna perguntou, com zero sutileza. — Não — Luna respondeu. — Sim — Matteo disse ao mesmo tempo. Silêncio. — A gente tá tentando — Luna corrigiu. — Isso é pior — Bruna concluiu. — Muito pior — Matteo confirmou. No escritório… Primeiro dia “normal” depois do caos. Spoiler: não estava nada normal. — Bom dia — Luna disse. — Bom dia. Silêncio. — Você voltou. — Eu trabalho aqui. — Eu sei. Silêncio. Constrangedor. Ridículo. — Isso tá estranho — ela murmurou. — Muito. — A gente precisa agir normal. — Concordo. Silêncio. — Isso não é normal. — Nem um pouco. Do outro lado… — Eu não aguento — Bruna disse. — Nem eu — Matteo respondeu. — Eles estão piores do que antes. — Agora tem expectativa. — E medo. — E sentimento. — E caos. Silêncio. — Eu gosto. — Eu sei. Mais tarde… Reunião. Profissional. Séria. Importante. Mas— — Você pode passar esse relatório? — Enrico disse. — Posso. As mãos se tocaram. Leve. Rápido. Mas suficiente. Silêncio. Ela puxou a mão. — Desculpa. — Não precisa. Mais silêncio. — Isso não vai funcionar — ela murmurou. — Vai sim. — Não vai. — Vai. Silêncio. — Você é insistente. — Só quando importa. Pausa. Erro. — Eles estão flertando numa reunião? — Bruna cochichou. — Sim — Matteo respondeu. — Eu amo. — Eu temo. Corredor… — A gente precisa de regras — Luna disse. — Regras? — Sim. — Tipo contrato 2.0? — Mais ou menos. Silêncio. — Sem beijo em público. — Ok. — Sem cenas. — Ok. — Sem— — Mentiras. Silêncio. Ela travou. — Isso é novo. — Eu tô tentando. Pausa. — Tá. — E sem controle — ela disse. — Isso vai ser difícil. — Problema seu. — Justo. Silêncio. Mais leve. Estranho. Mas… melhor? Talvez. — E… — ela hesitou — sem… outras pessoas. Silêncio. Ele entendeu. Claro que entendeu. — Não tem outras pessoas. — E aquela mulher? — Já acabou. Pausa. Ela assentiu. Mas ainda não confiava. E ele sabia. — Você vai ter que provar — ela disse. — Eu sei. — E não vai ser rápido. — Eu sei. Silêncio. — E talvez não funcione. — Eu sei. Ela cruzou os braços. — Você sempre sabe tudo. — Não. — Sabe sim. — Eu só sei que não quero perder você de novo. Silêncio. Direto. Perigoso. Ela desviou o olhar. Mas sorriu. Pequeno. Quase escondido. — Não promete nada que não pode cumprir. — Eu não vou prometer. — Melhor. Do outro lado… — Eles estão… fofos? — Bruna perguntou. — Eu não usaria essa palavra — Matteo respondeu. — Eu usaria. — Eu usaria “instáveis”. — Também. Fim do dia… Eles estavam na mesma sala. Sozinhos. De novo. Perigo máximo. — Isso é estranho — Luna disse. — Eu sei. — Mas não é r**m. Silêncio. — Não é mesmo. Pausa. Longa. Ele deu um passo mais perto. Devagar. Esperando. Dessa vez… esperando. Ela não recuou. Mas também não avançou. — Regra número um — ela murmurou — sem beijo em público. — Isso não é público. Silêncio. Erro. Ela levantou o olhar. — Você tá testando os limites? — Sempre. — i****a. — Você gosta. — Às vezes. Pausa. Respiração leve. Olhar preso. De novo. Sempre. Mas dessa vez… ele parou. Antes. — Eu vou respeitar — ele disse. Silêncio. Ela não esperava. — Tá… — ela murmurou — isso é novo. — Eu disse que tô tentando. Ela deu um passo mais perto. Pequeno. Mas escolha. — Não estraga isso. — Eu não vou. Silêncio. Calmo. Quase seguro. Do outro lado… Bruna encostada na parede. — Eles não se beijaram. — Milagre — Matteo respondeu. — Eu tô orgulhosa. — Eu tô desconfiado. E com razão. Porque quando tudo começa a dar certo… é porque algo ainda maior está prestes a dar errado. Perfeito… agora vem o teste de verdade Se tem uma coisa que o universo adora… é trazer problema antigo na pior hora possível. O dia estava tranquilo. Calmo. Organizado. Suspeito. — Eu não gosto disso — Bruna disse. — Do quê? — Matteo perguntou. — Da paz. — Você nunca gosta. — Porque sempre vem coisa r**m depois. Silêncio. A porta do escritório abriu. E então… — Enrico. A voz. Feminina. Elegante. Familiar. Perigosa. Luna levantou o olhar. E viu. Ela. A mesma mulher da foto. Mas pior ao vivo. Muito pior. — Isabella — Enrico disse. Calmo demais. Erro. — Eu senti sua falta — Isabella falou, se aproximando como se tivesse direito. Silêncio. Luna cruzou os braços. Observando. Analisando. — Que estranho — Luna murmurou — eu não senti a sua. Bruna quase engasgou. — EU AMO ELA — sussurrou. — Eu também — Matteo respondeu. Isabella olhou pra Luna. De cima a baixo. Clássico. — Você ainda está aqui. — Eu trabalho aqui. — Impressionante. — Eu sei. Silêncio. Tensão subindo. — O que você quer? — Enrico perguntou. Direto. Frio. Mas não suficiente. — Conversar. — Agora não. — Agora sim. Silêncio. Ela se aproximou mais. Demais. — Eu voltei. Pausa. — Percebi. Luna virou levemente. — Eu vou ali… — Fica — Enrico disse. Sem pensar. Instinto. Erro? Talvez não. Ela parou. Olhou pra ele. E decidiu ficar. Escolha. — Isso é inconveniente — Isabella disse. — Pra você? — Luna perguntou. — Pra todo mundo. — Eu discordo. Silêncio. — A gente precisa conversar sobre nós — Isabella continuou. Erro. Grave erro. Luna riu. Baixo. Perigoso. — “Nós”? Silêncio. — Não existe mais “nós” — Enrico respondeu. Direto. Sem hesitar. Finalmente. Isabella travou. Um segundo. Mas se recuperou. — Você sempre diz isso quando está com alguém temporário. Silêncio. Pesado. Errado. Luna ficou imóvel. Mas os olhos mudaram. — Cuidado — Enrico disse, baixo. Perigoso. — Ou o quê? — Isabella provocou. Silêncio. — Ou você vai sair daqui — ele respondeu. Direto. Frio. Definitivo. Do outro lado… — EU TÔ ARREPIADA — Bruna sussurrou. — Isso ficou sério — Matteo disse. Isabella cruzou os braços. — Então é isso? — É. — Você escolheu ela? Silêncio. Pausa. Importante. Ele respondeu: — Eu estou tentando. Não foi um “sim”. Mas também não foi um “não”. Luna sentiu. Claro que sentiu. Mas não recuou. — Isso é um erro — Isabella disse. — Talvez — Luna respondeu — mas pelo menos é meu erro. Silêncio. Isabella deu um sorriso frio. — Você não aguenta. — Testa. Silêncio. Pausa. Longa. Pesada. E então… Isabella suspirou. — Isso não acabou. — Acabou sim — Enrico respondeu. Sem olhar pra ela. Olhando pra Luna. E isso? Isso disse tudo. Isabella virou. Saiu. Elegante. Mas derrotada. Por enquanto. Silêncio. Grande. Pesado. — UAU — Bruna disse. — UAU mesmo — Matteo concordou. De volta… Luna respirou fundo. — Isso foi… intenso. — Foi. — E desnecessário. — Concordo. Silêncio. — Você podia ter falado mais cedo — ela disse. — Eu sei. — Você sempre sabe depois. — Eu tô melhorando. Pausa. Ela olhou pra ele. — Tá mesmo. Pequeno. Mas real. — Isso não me deixou confortável — ela continuou. — Nem a mim. — Mas… Pausa. — Você não recuou. Silêncio. Ele respondeu simples: — Eu não vou mais. Ela ficou quieta. Processando. Sentindo. Confiando? Ainda não. Mas… um pouco mais. — Isso ainda vai dar problema — ela disse. — Eu sei. — E eu não confio 100%. — Eu sei. — E você vai ter que lidar com isso. — Eu sei. Silêncio. Ela suspirou. — Cansativo. — Muito. — Mas eu ainda tô aqui. Silêncio. Ele deu um meio sorriso. Raro. — Eu também. Do outro lado… Bruna segurou o braço de Matteo. — Eles sobreviveram. — Por pouco. — Eu tô orgulhosa. — Eu tô preocupado. E com razão. Porque o passado não volta à toa. E quando volta… é pra testar se o presente é forte o suficiente. E eles? Ainda estavam tentando descobrir isso.
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