E L E N A
— Eu vou ao Pentágono m***r o Ross e volto amanhã, no máximo. Por favor, Elena, não toque fogo no Complexo.
Enquanto rolo o feed de notícias na tela do tablet, é a quinta vez que meu pai diz isso. O que Tony pensa que eu sou? Ás vezes eu acho que ele se esquece que três anos se passaram e eu sou uma pessoa madura. Bom, pelo menos eu acho que sou.
— O que você pensa que eu sou? — pergunto já cansada de ouvir suas instruções de como devo me comportar com sua ausência
— Uma mutante poderosa, geniosa, teimosa e explosiva.
Assim que ele diz isso, eu ergo meu olhar furioso para ele e encontro seu olhar brincalhão capaz de destruir todas as minhas armas. Acho que, no fundo, meu pai é o homem da minha vida.
— Sabe que papai te ama. — ele diz sorrindo
— Sei. — debocho — Ama tanto que vai me deixar aqui sozinha.
— Eu serei uma boa companhia. — Visão diz
— É, Visão estará aqui. E também tem Rhodes.
— Iupi! — finjo comemorar e volto minha atenção para o tablet
— Isso fere meus sentimentos. — Visão diz
— Você é uma máquina. Não deveria ter sentimentos. — murmuro
— Hipoteticamente falando. — ele diz
— Fala sério. — reviro os olhos
— Amor, está pronto? — Pepper pergunta
— Sim, estou. Happy já está me esperando. Ele vai me deixar no aeroporto e depois vai seguir para a Torre.
— Ainda sou contra a venda da Torre. — murmuro
— Já conversamos sobre isso. — meu pai diz ajeitando as abotoaduras
— Não conversamos. Você disse que vendeu e ponto.
— Não foi só isso que eu disse. — ele se aproxima — Eu também disse que não quero você metida nisso. — ele sorri e beija minha testa
— E que minha opinião não importa.
— Eu não disse isso sobre sua opinião.
— Indiretamente, disse.
— Que tanto você mexe nesse tablet? — ele questiona enquanto Pepper arruma sua bolsa
— Apenas notícias sobre o que você disse na coletiva. — dou de ombros
— E o que eu disse na coletiva?
— Você disse: "estou feliz que minha filha voltou e por saber que a família aumentou". — olho para ele
— Uh, sim. Eu disse. — ele parece pensativo, como se estivesse revivendo o momento em sua memória — O que estão especulando?
— Gravidez. Ou minha ou da Pepper.
— Ainda preciso me acostumar com essa ideia. — ele murmura, mas eu não comento nada, pois parece que está apenas pensando alto — Bom, a gente se vê em breve. Nada de devolver o uniforme ao Parker.
— Ok. Ficarei longe do uniforme. — confirmo
— Elena, eu vou pra empresa e Eric está na escola. Caso você decida sair dessa fortaleza e visitar o mundo dos mortais, me avise. Podemos almoçar.— ela diz rindo e beija minha testa
— Vão com Deus. Amo você, Pepps.
— Eu também amo você, Lena. — ela responde — Tchau, Visão. — ela vai andando na frente
— Que tal dizer que me ama também? — meu pai diz pegando sua maleta
— Tchau, pai. — digo com a atenção voltada para o tablet
— Tchau, papai. Eu amo você, sentirei saudades. — ele diz afinando a voz e sai andando
— Você está bem mudada. — Visão diz
— Sim, eu estou.
— Você ainda tem raiva de mim, pela torre que derrubei em cima de Steve e Barnes. — ele diz
Paro de mexer no tablet e respiro fundo. Lembro-me exatamente daquele dia e do momento em questão. Steve tentou chegar ao quinjet, Visão derrubou uma torre do aeroporto, Wanda tentou segurar, Rhodes atingiu a cabeça de Wanda, eu segurei, Natasha apareceu e lançou ferrões no Pantera Negra... Confusão total.
Olho para Visão que me observa cautelosamente. Espero que ele não esteja tentando invadir minha mente. T'Challa já me instruiu sobre isso.
— Não tenho raiva de você, em si. Tenho raiva da situação.
— Eu vejo como você é com todos. Sei que você não vai muito com a minha cara. — ele comenta
— Eu te acho um mistério, Visão. Eu não gosto de mistérios. Além do mais, eu detesto qualquer coisa que seja submissa. Qualquer pessoa que aceita tudo que lhe é imposto sem um questionamento.
— Você me acha submisso? — ele pergunta curioso — Tecnicamente, eu sou o mais racional daqui.
— Você vive no encalço do meu pai. Ele se move, você se move. Ele dita, você obedece. Ele fala, você confirma.
— Você diz isso só porque eu assinei o Tratado de primeira? Em teoria, o Tratado é a melhor forma de manter as pessoas seguras e todos os interesses salvos.
— Eu sei que você acredita nisso fielmente, Visão, e eu respeito a sua crença. — sou sincera — Mas a vida não funciona na teoria e, você precisa saber que, o ser humano é corrompido. Esse Tratado era a fora perfeita pro governo covarde transformar você e nós todos em armas privadas.
— Acredite, Elena, não é a minha visão que está distorcida. — ele diz — Capitão Rogers se deixou levar pelo lado passional e você se deixou levar por ele.
— Eu disse que respeito a sua crença. Por favor, respeite a minha. Eu acredito que esse Tratado não seja necessário.
— E anarquia foi a forma como você encontrou pra provar sua crença?
— Vocês não nos deram escolha. Além do mais, Zemo armou tudo isso. Vocês nos devem um voto de confiança.
— E este voto está sendo dado à você, agora. Você está tendo a chance de lutar pelo que acredita do jeito certo. Espero que não meta os pés pelas mãos.
— Você não precisa esperar nada de mim, Visão.
— Mas ainda assim, eu espero. — ele sorri — Você é uma das melhores pessoas que eu conheço. E Wanda sente saudades.
— Wanda? — franzo o cenho — Você está encobrindo a Wanda? — pergunto surpresa, mas ele atravessa as paredes, me deixando sozinha
***
O dia foi chato. Zero produtivo. Nem mesmo Peter atendeu minhas ligações. T'Challa não pôde conversar comigo, pois também está no Pentágono resolvendo o problema com Ross, então eu vim para o laboratório do meu pai xeretar suas coisas. Há muitos cálculos, novas descobertas e coisas que eu não faço ideia do que são.
Pego uma das armaduras e arranco os dois braços, vestindo em mim mesma. Fiz uma fileira de copos de vidro de um lado do laboratório e fui para o outro lado, para brincar de tiro ao alvo.
Até que meu celular toca e eu vou saltitando mega animada para atender. Tomara que seja Nathan me chamando pra sair.
— Alô! — atendo empolgada
— Elena? Oi! Eu vi suas ligações, me desculpe. — a voz de Peter soa atrapalhada
— Oi, Pete! — sorri — Fiquei preocupada.
— May tá me deixando maluco. Passei o dia tentando dar nó em gravata.
— Ah, sim. Você disse que a menina que você gosta te chamou pro baile. Pelo menos May te ajudou. — murmuro e volto a atirar raios nos copos
— Você não parece animada pra hoje.
— Não tenho nada pra fazer.
— Entendi. Se quiser aparecer no baile, se você não achar coisa de pirralho, pode ir. Talvez seja legal.
— Não, valeu. Eu fugi de todos os bailes possíveis no meu ensino médio.
No momento em que disparo um raio, o mesmo atinge a mesa que está cheia de peças. Tudo se espatifa no chão e eu fico apavorada.
— O que foi isso?
— Nada. Talvez eu tenha feito besteira, mas tá tudo bem. Olha, eu vou desligar. Tenha um bom baile. Qualquer coisa, me liga.
— Ok, obrigado. Qualquer coisa que precisar, pode me ligar.
— Tchau, Pete!
Assim que desliguei a ligação, me livrei dos braços da armadura e saí correndo, vendo funcionários do Complexo surgirem para limpar aquela bagunça. Meu pai vai me m***r.
Depois de tomar um banho e vestir uma roupa do meu pai — sim, eu vesti uma roupa do meu pai —, eu fiz uma bacia grande de pipoca e me joguei no sofá para assistir O Exterminador do Futuro. Ok, reconheço que não vai prender minha atenção, mas eu estou com tédio.
— Você parece m*l humorada. — Steve diz se sentando ao meu lado
— Odeio ficar sem fazer nada. — bufo cruzando os braços
— Calma, meu amor. É melhor não fazer nada e ficar segura. Como está o nosso filho? — ele diz pondo a mão em minha barriga
— Gigante, não está vendo o meu tamanho? Tô sentindo como se eu fosse parir o Hulk.
— Você é muito exagerada, Elena. — ele diz rindo e então me beija
Pelo menos eu podia t*****r quando estava no tédio com Steve. Agora, tudo o que posso fazer é me encher de comida, já que nem beber posso mais.
Ei, eu me atrasei um pouco!
Leio a mensagem de Pepper no visor do meu celular e respiro fundo. Sim, Pepper! Eu notei que você atrasou.
Precisei resolver umas coisas na Fundação e acabei trazendo Eric pra cá. Happy esta na Torre. Espero que esteja tudo bem aí. Chego logo logo!
Beijos ❤
Respondo a mensagem com um simples "ok" e me afundo no sofá. Eu realmente preciso de algo pra fazer.
— Peter Parker na linha. — a voz de Sexta-Feira me põe em alerta
— Pode passar. — libero a chamada — Oi, Pet!
— Elena, você não vai acreditar! — ele diz nervoso e há muito barulho na ligação — O pai da Liz é o Abutre.
— O que? — dou um salto do sofá
— O pai da Liz é o Abutre! — ele repete mais alto e ouço barulho de buzinas
— Você está dirigindo?
— É, eu estou. Escuta, ele sabe que eu sou o Homem Aranha. Ele vai roubar a Torre do seu pai essa noite.
— Espera, Peter! Você disse que ele sabe sobre você ser o Homem Aranha? Isso é perigoso.
— Eu não posso deixá-lo roubar seu pai.
— Eu não posso te deixar sozinho nessa. — resmungo
— Eu vou mandar o Ned rastrear seu celular e mantê-la informada sobre minha localização. Tentamos falar com o Happy, mas ele desligou na nossa cara.
— Espera! Quem é Ned?
— A gente se vê logo. Tchau!
Sem opções, corro para o laboratório do meu pai e encontro o lugar arrumado, sem nenhum vestígio de que eu estive ali mais cedo. Vou até o compartimento de uniformes e pego o meu, logo me vestindo.
Oi, eu sou o Ned ;)
Até penso em questionar a mensagem, mas não há tempo. Ele me mostra a localização do Peter e eu decido então pegar emprestada uma armadura do meu pai.
— Elena, você não devia estar aqui. — Sexta-Feira diz quando estou vestida com a armadura
— Mas não houve rejeição, então meu pai não me proibiu disso. Você pode me ajudar a pilotar isso? É a minha primeira vez e eu preciso ajudar o Pet.
— Rastreando Peter Parker. — ela diz — Piloto automático ativado.
Vou até a varanda e então a armadura alça vôo, deixando-me com frio na barriga. Estamos voando tão rápido que tudo passa como um borrão pelos meus olhos.
— Ligação da Sra. Stark. — Sexta-Feira me alerta
— Oi, Pepps. — atendo
— Me diz que você não saiu de armadura agora. — sua voz soa cansada
— Longa história. Tchau, Pepps.
— Não, pera aí... — a ligação se encerra
Após alguns poucos minutos, estou voando ao lado do avião com o sobrenome do meu pai na lateral. Peter está agarrado à ele.
— Fica planando. Eu vou sair. — aviso para Sexta-Feira
A armadura se abre e meu corpo cai, mas é segurado por Sexta-feira, que está no controle de tudo. Devagar, passo para as costas da armadura e uso a energia para manter meus pés magnetizados.
— Pete! — grito
— Não deixe ele fugir. — ele grita e logo o Abutre surge com suas asas abertas
— Vamos trabalhar juntos!
Lanço cargas elétricas na direção do vilão, mas ele se esquiva de todos e um deles atinge a turbina do avião, fazendo o mesmo começar a cair.
— m***a! — grito — Peter!
Com meu reflexo bom, seguro a mão de Peter antes que ele caia junto com o avião. Com a mão livre, lanço uma carga elétrica alta que atinge as asas do Abutre, fazendo-o cair junto com o avião.
— Sexta-Feira, nos leve para o chão.
Ordeno segurando Peter nas costas da armadura, junto comigo. Quando chegamos ao chão, o avião está todo espatifado e Abutre está um pouco danificado. Peter nem bem se estabiliza e já começa a lutar contra aquela coisa. Eu apenas saio correndo para tentar ajudar ao piloto que usou a saída de emergência com direito ao para-quedas.
— O senhor está bem? — pergunto
— Sim.
— Ligue para o Happy e chame a polícia. — peço e ele corre
Sinto um puxão na minha capa e eu sou arremessada para longe, contra os destroços do avião. Acabo caindo de mau jeito e sinto minha perna torcer, causando-me dor no joelho. Urro de dor e jogo a cabeça para trás, sentindo algumas lágrimas molharem meus olhos.
Sinto mãos no meu joelho e vejo Peter e seu uniforme terrível. Ele ganhou essa briga.
— Acabou. — sorri pra mim — Ganhamos.
— Eu nem participei disso. — resmungo com dor e ele se abaixa, perto de mim
— Você precisa de um hospital. — diz preocupado
— E você precisa sair daqui. — digo ao ouvir barulho de sirenes
— Não, eu não posso deixar você aqui.
— A ajuda está chegando. — o olho nos olhos — Vai embora. Eu te ligo assim que chegar em casa.
— Promete? — ele me olha preocupado
— Prometo, Homem Aranha. — sorrio orgulhosa
— Obrigado, Elena.
— Por? — franzo o cenho
— Por acreditar em mim. — ele sorri
— Tá bom, moleque. — sorrio — Agora vai!
T O N Y
— Você quebrou o meu laboratório, roubou a minha armadura e, pra piorar, ajudou o Peter numa missão suicida! — grito nervoso
Quando recebi a notícia de que meu avião quase foi sequestrado, que Homem Aranha e Voltagem impediram isso e minha filha está com o joelho ferido, eu senti vontade de deixar os dois de castigo. Mas minha filha já é uma mulher e Peter tem um bom coração, embora ele tenha me dispensado. Ele fez certo. Ainda não se sente pronto pra isso.
— Você não pode simplesmente agradecer? O garoto fez o certo. Você até tentou colocá-lo aqui. — Elena rebate enquanto andamos pelo Complexo
— Eu já agradeci à ele. Difícil é agradecer você, já que insiste em bater de frente comigo. — reviro os olhos
— Eu preciso me sentar. Meu joelho ainda está inchado. — ela diz mancando ao meu lado
— Ei, Elena. — paro e seguro seu braço, para que ela pare — Me desculpe. Me desculpe por tudo. Eu agradeço muito por você ter voltado. Eu amo você. — sinto meus olhos arderem de lágrimas
— Pai, eu amo você e juro que estou me esforçando para tentar entender tudo. — ela diz beijando minha bochecha — Mas confesso que bater de frente com você é melhor. — diz sorrindo
— Percebi. — sorrio
— Elena, T'Challa está aí. — Pepper aparece no corredor
— Ele me disse que voltaria para Wakanda. — comento — Falando nisso, precisamos conversar depois. Ross foi afastado. — aviso para Elena
— Graças a Deus. — ela comenta — Estava mais que na hora. — vai mancando até a sala
— Aqui é grande. — ouço uma voz infantil e olho para Pepper
— Prepare seu coração de ferro. — Pepper me diz baixinho enquanto sorri
Me apresso e chego na sala, vendo uma cena que me deixou emocionado. Elena está ajoelhada no chão chorando, enquanto abraça um menino de uns dois anos e T'Challa observa os dois. Sinto uma fisgada no peito e falta de ar. Esse menino é meu neto.