Abutre

2754 Palavras
E L E N A — Eu vou ao Pentágono m***r o Ross e volto amanhã, no máximo. Por favor, Elena, não toque fogo no Complexo. Enquanto rolo o feed de notícias na tela do tablet, é a quinta vez que meu pai diz isso. O que Tony pensa que eu sou? Ás vezes eu acho que ele se esquece que três anos se passaram e eu sou uma pessoa madura. Bom, pelo menos eu acho que sou. — O que você pensa que eu sou? — pergunto já cansada de ouvir suas instruções de como devo me comportar com sua ausência — Uma mutante poderosa, geniosa, teimosa e explosiva. Assim que ele diz isso, eu ergo meu olhar furioso para ele e encontro seu olhar brincalhão capaz de destruir todas as minhas armas. Acho que, no fundo, meu pai é o homem da minha vida. — Sabe que papai te ama. — ele diz sorrindo — Sei. — debocho — Ama tanto que vai me deixar aqui sozinha. — Eu serei uma boa companhia. — Visão diz — É, Visão estará aqui. E também tem Rhodes. — Iupi! — finjo comemorar e volto minha atenção para o tablet — Isso fere meus sentimentos. — Visão diz — Você é uma máquina. Não deveria ter sentimentos. — murmuro — Hipoteticamente falando. — ele diz — Fala sério. — reviro os olhos — Amor, está pronto? — Pepper pergunta — Sim, estou. Happy já está me esperando. Ele vai me deixar no aeroporto e depois vai seguir para a Torre. — Ainda sou contra a venda da Torre. — murmuro — Já conversamos sobre isso. — meu pai diz ajeitando as abotoaduras — Não conversamos. Você disse que vendeu e ponto. — Não foi só isso que eu disse. — ele se aproxima — Eu também disse que não quero você metida nisso. — ele sorri e beija minha testa — E que minha opinião não importa. — Eu não disse isso sobre sua opinião. — Indiretamente, disse. — Que tanto você mexe nesse tablet? — ele questiona enquanto Pepper arruma sua bolsa — Apenas notícias sobre o que você disse na coletiva. — dou de ombros — E o que eu disse na coletiva? — Você disse: "estou feliz que minha filha voltou e por saber que a família aumentou". — olho para ele — Uh, sim. Eu disse. — ele parece pensativo, como se estivesse revivendo o momento em sua memória — O que estão especulando? — Gravidez. Ou minha ou da Pepper. — Ainda preciso me acostumar com essa ideia. — ele murmura, mas eu não comento nada, pois parece que está apenas pensando alto — Bom, a gente se vê em breve. Nada de devolver o uniforme ao Parker. — Ok. Ficarei longe do uniforme. — confirmo — Elena, eu vou pra empresa e Eric está na escola. Caso você decida sair dessa fortaleza e visitar o mundo dos mortais, me avise. Podemos almoçar.— ela diz rindo e beija minha testa — Vão com Deus. Amo você, Pepps. — Eu também amo você, Lena. — ela responde — Tchau, Visão. — ela vai andando na frente — Que tal dizer que me ama também? — meu pai diz pegando sua maleta — Tchau, pai. — digo com a atenção voltada para o tablet — Tchau, papai. Eu amo você, sentirei saudades. — ele diz afinando a voz e sai andando — Você está bem mudada. — Visão diz — Sim, eu estou. — Você ainda tem raiva de mim, pela torre que derrubei em cima de Steve e Barnes. — ele diz Paro de mexer no tablet e respiro fundo. Lembro-me exatamente daquele dia e do momento em questão. Steve tentou chegar ao quinjet, Visão derrubou uma torre do aeroporto, Wanda tentou segurar, Rhodes atingiu a cabeça de Wanda, eu segurei, Natasha apareceu e lançou ferrões no Pantera Negra... Confusão total. Olho para Visão que me observa cautelosamente. Espero que ele não esteja tentando invadir minha mente. T'Challa já me instruiu sobre isso. — Não tenho raiva de você, em si. Tenho raiva da situação. — Eu vejo como você é com todos. Sei que você não vai muito com a minha cara. — ele comenta — Eu te acho um mistério, Visão. Eu não gosto de mistérios. Além do mais, eu detesto qualquer coisa que seja submissa. Qualquer pessoa que aceita tudo que lhe é imposto sem um questionamento. — Você me acha submisso? — ele pergunta curioso — Tecnicamente, eu sou o mais racional daqui. — Você vive no encalço do meu pai. Ele se move, você se move. Ele dita, você obedece. Ele fala, você confirma. — Você diz isso só porque eu assinei o Tratado de primeira? Em teoria, o Tratado é a melhor forma de manter as pessoas seguras e todos os interesses salvos. — Eu sei que você acredita nisso fielmente, Visão, e eu respeito a sua crença. — sou sincera — Mas a vida não funciona na teoria e, você precisa saber que, o ser humano é corrompido. Esse Tratado era a fora perfeita pro governo covarde transformar você e nós todos em armas privadas. — Acredite, Elena, não é a minha visão que está distorcida. — ele diz — Capitão Rogers se deixou levar pelo lado passional e você se deixou levar por ele. — Eu disse que respeito a sua crença. Por favor, respeite a minha. Eu acredito que esse Tratado não seja necessário. — E anarquia foi a forma como você encontrou pra provar sua crença? — Vocês não nos deram escolha. Além do mais, Zemo armou tudo isso. Vocês nos devem um voto de confiança. — E este voto está sendo dado à você, agora. Você está tendo a chance de lutar pelo que acredita do jeito certo. Espero que não meta os pés pelas mãos. — Você não precisa esperar nada de mim, Visão. — Mas ainda assim, eu espero. — ele sorri — Você é uma das melhores pessoas que eu conheço. E Wanda sente saudades. — Wanda? — franzo o cenho — Você está encobrindo a Wanda? — pergunto surpresa, mas ele atravessa as paredes, me deixando sozinha *** O dia foi chato. Zero produtivo. Nem mesmo Peter atendeu minhas ligações. T'Challa não pôde conversar comigo, pois também está no Pentágono resolvendo o problema com Ross, então eu vim para o laboratório do meu pai xeretar suas coisas. Há muitos cálculos, novas descobertas e coisas que eu não faço ideia do que são. Pego uma das armaduras e arranco os dois braços, vestindo em mim mesma. Fiz uma fileira de copos de vidro de um lado do laboratório e fui para o outro lado, para brincar de tiro ao alvo. Até que meu celular toca e eu vou saltitando mega animada para atender. Tomara que seja Nathan me chamando pra sair. — Alô! — atendo empolgada — Elena? Oi! Eu vi suas ligações, me desculpe. — a voz de Peter soa atrapalhada — Oi, Pete! — sorri — Fiquei preocupada. — May tá me deixando maluco. Passei o dia tentando dar nó em gravata. — Ah, sim. Você disse que a menina que você gosta te chamou pro baile. Pelo menos May te ajudou. — murmuro e volto a atirar raios nos copos — Você não parece animada pra hoje. — Não tenho nada pra fazer. — Entendi. Se quiser aparecer no baile, se você não achar coisa de pirralho, pode ir. Talvez seja legal. — Não, valeu. Eu fugi de todos os bailes possíveis no meu ensino médio. No momento em que disparo um raio, o mesmo atinge a mesa que está cheia de peças. Tudo se espatifa no chão e eu fico apavorada. — O que foi isso? — Nada. Talvez eu tenha feito besteira, mas tá tudo bem. Olha, eu vou desligar. Tenha um bom baile. Qualquer coisa, me liga. — Ok, obrigado. Qualquer coisa que precisar, pode me ligar. — Tchau, Pete! Assim que desliguei a ligação, me livrei dos braços da armadura e saí correndo, vendo funcionários do Complexo surgirem para limpar aquela bagunça. Meu pai vai me m***r. Depois de tomar um banho e vestir uma roupa do meu pai — sim, eu vesti uma roupa do meu pai —, eu fiz uma bacia grande de pipoca e me joguei no sofá para assistir O Exterminador do Futuro. Ok, reconheço que não vai prender minha atenção, mas eu estou com tédio. — Você parece m*l humorada. — Steve diz se sentando ao meu lado — Odeio ficar sem fazer nada. — bufo cruzando os braços — Calma, meu amor. É melhor não fazer nada e ficar segura. Como está o nosso filho? — ele diz pondo a mão em minha barriga — Gigante, não está vendo o meu tamanho? Tô sentindo como se eu fosse parir o Hulk. — Você é muito exagerada, Elena. — ele diz rindo e então me beija Pelo menos eu podia t*****r quando estava no tédio com Steve. Agora, tudo o que posso fazer é me encher de comida, já que nem beber posso mais. Ei, eu me atrasei um pouco! Leio a mensagem de Pepper no visor do meu celular e respiro fundo. Sim, Pepper! Eu notei que você atrasou. Precisei resolver umas coisas na Fundação e acabei trazendo Eric pra cá. Happy esta na Torre. Espero que esteja tudo bem aí. Chego logo logo! Beijos ❤ Respondo a mensagem com um simples "ok" e me afundo no sofá. Eu realmente preciso de algo pra fazer. — Peter Parker na linha. — a voz de Sexta-Feira me põe em alerta — Pode passar. — libero a chamada — Oi, Pet! — Elena, você não vai acreditar! — ele diz nervoso e há muito barulho na ligação — O pai da Liz é o Abutre. — O que? — dou um salto do sofá — O pai da Liz é o Abutre! — ele repete mais alto e ouço barulho de buzinas — Você está dirigindo? — É, eu estou. Escuta, ele sabe que eu sou o Homem Aranha. Ele vai roubar a Torre do seu pai essa noite. — Espera, Peter! Você disse que ele sabe sobre você ser o Homem Aranha? Isso é perigoso. — Eu não posso deixá-lo roubar seu pai. — Eu não posso te deixar sozinho nessa. — resmungo — Eu vou mandar o Ned rastrear seu celular e mantê-la informada sobre minha localização. Tentamos falar com o Happy, mas ele desligou na nossa cara. — Espera! Quem é Ned? — A gente se vê logo. Tchau! Sem opções, corro para o laboratório do meu pai e encontro o lugar arrumado, sem nenhum vestígio de que eu estive ali mais cedo. Vou até o compartimento de uniformes e pego o meu, logo me vestindo. Oi, eu sou o Ned ;) Até penso em questionar a mensagem, mas não há tempo. Ele me mostra a localização do Peter e eu decido então pegar emprestada uma armadura do meu pai. — Elena, você não devia estar aqui. — Sexta-Feira diz quando estou vestida com a armadura — Mas não houve rejeição, então meu pai não me proibiu disso. Você pode me ajudar a pilotar isso? É a minha primeira vez e eu preciso ajudar o Pet. — Rastreando Peter Parker. — ela diz — Piloto automático ativado. Vou até a varanda e então a armadura alça vôo, deixando-me com frio na barriga. Estamos voando tão rápido que tudo passa como um borrão pelos meus olhos. — Ligação da Sra. Stark. — Sexta-Feira me alerta — Oi, Pepps. — atendo — Me diz que você não saiu de armadura agora. — sua voz soa cansada — Longa história. Tchau, Pepps. — Não, pera aí... — a ligação se encerra Após alguns poucos minutos, estou voando ao lado do avião com o sobrenome do meu pai na lateral. Peter está agarrado à ele. — Fica planando. Eu vou sair. — aviso para Sexta-Feira A armadura se abre e meu corpo cai, mas é segurado por Sexta-feira, que está no controle de tudo. Devagar, passo para as costas da armadura e uso a energia para manter meus pés magnetizados. — Pete! — grito — Não deixe ele fugir. — ele grita e logo o Abutre surge com suas asas abertas — Vamos trabalhar juntos! Lanço cargas elétricas na direção do vilão, mas ele se esquiva de todos e um deles atinge a turbina do avião, fazendo o mesmo começar a cair. — m***a! — grito — Peter! Com meu reflexo bom, seguro a mão de Peter antes que ele caia junto com o avião. Com a mão livre, lanço uma carga elétrica alta que atinge as asas do Abutre, fazendo-o cair junto com o avião. — Sexta-Feira, nos leve para o chão. Ordeno segurando Peter nas costas da armadura, junto comigo. Quando chegamos ao chão, o avião está todo espatifado e Abutre está um pouco danificado. Peter nem bem se estabiliza e já começa a lutar contra aquela coisa. Eu apenas saio correndo para tentar ajudar ao piloto que usou a saída de emergência com direito ao para-quedas. — O senhor está bem? — pergunto — Sim. — Ligue para o Happy e chame a polícia. — peço e ele corre Sinto um puxão na minha capa e eu sou arremessada para longe, contra os destroços do avião. Acabo caindo de mau jeito e sinto minha perna torcer, causando-me dor no joelho. Urro de dor e jogo a cabeça para trás, sentindo algumas lágrimas molharem meus olhos. Sinto mãos no meu joelho e vejo Peter e seu uniforme terrível. Ele ganhou essa briga. — Acabou. — sorri pra mim — Ganhamos. — Eu nem participei disso. — resmungo com dor e ele se abaixa, perto de mim — Você precisa de um hospital. — diz preocupado — E você precisa sair daqui. — digo ao ouvir barulho de sirenes — Não, eu não posso deixar você aqui. — A ajuda está chegando. — o olho nos olhos — Vai embora. Eu te ligo assim que chegar em casa. — Promete? — ele me olha preocupado — Prometo, Homem Aranha. — sorrio orgulhosa — Obrigado, Elena. — Por? — franzo o cenho — Por acreditar em mim. — ele sorri — Tá bom, moleque. — sorrio — Agora vai! T O N Y — Você quebrou o meu laboratório, roubou a minha armadura e, pra piorar, ajudou o Peter numa missão suicida! — grito nervoso Quando recebi a notícia de que meu avião quase foi sequestrado, que Homem Aranha e Voltagem impediram isso e minha filha está com o joelho ferido, eu senti vontade de deixar os dois de castigo. Mas minha filha já é uma mulher e Peter tem um bom coração, embora ele tenha me dispensado. Ele fez certo. Ainda não se sente pronto pra isso. — Você não pode simplesmente agradecer? O garoto fez o certo. Você até tentou colocá-lo aqui. — Elena rebate enquanto andamos pelo Complexo — Eu já agradeci à ele. Difícil é agradecer você, já que insiste em bater de frente comigo. — reviro os olhos — Eu preciso me sentar. Meu joelho ainda está inchado. — ela diz mancando ao meu lado — Ei, Elena. — paro e seguro seu braço, para que ela pare — Me desculpe. Me desculpe por tudo. Eu agradeço muito por você ter voltado. Eu amo você. — sinto meus olhos arderem de lágrimas — Pai, eu amo você e juro que estou me esforçando para tentar entender tudo. — ela diz beijando minha bochecha — Mas confesso que bater de frente com você é melhor. — diz sorrindo — Percebi. — sorrio — Elena, T'Challa está aí. — Pepper aparece no corredor — Ele me disse que voltaria para Wakanda. — comento — Falando nisso, precisamos conversar depois. Ross foi afastado. — aviso para Elena — Graças a Deus. — ela comenta — Estava mais que na hora. — vai mancando até a sala — Aqui é grande. — ouço uma voz infantil e olho para Pepper — Prepare seu coração de ferro. — Pepper me diz baixinho enquanto sorri Me apresso e chego na sala, vendo uma cena que me deixou emocionado. Elena está ajoelhada no chão chorando, enquanto abraça um menino de uns dois anos e T'Challa observa os dois. Sinto uma fisgada no peito e falta de ar. Esse menino é meu neto.
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