A Ferinha

1047 Palavras
- Filha, achei a babá perfeita pra você. - Falei na manhã seguinte. - A tia Daph vai voltar? - Abriu um enorme sorriso. - Não, querida. - Então não é perfeita. - Ela disse desanimada. - Vamos nos arrumar, que daqui a pouco, ela vai estar aqui. - Mas já? - Levantou da cama emburrada. Ajudei a minha filha a se vestir e em seguida, a campainha tocou. Deixei m*l terminando de colocar o seu calçado e corri para atender a porta. Era a Stephanie, a nova babá. - Oi. - Falei. - Entra! A mulher entrou e logo olhou ao redor. - E cadê ela? - Já vem! Filha, a nova babá está aqui. - A chamei. Em seguida, Mel apareceu e parou ao meu lado, ficando em completo silêncio. - Essa é a minha princesa, a Mel. Filha, essa é a babá Steph. - Falei. - Que linda! - Disse a mulher. - Como se diz? - Perguntei. - Valeu. - Bom, eu vou nessa, tenho uma reunião de negócios. - Me virei para Mel, e me abaixei ficando da altura dela. - Se comporta. - Dei um beijo no rosto dela e me levantei. - Steph, deixei em cima da mesa um papel com todas as recomendações que você precisa saber e também tem o meu número para alguma emergência. - Pode deixar, obrigada. Dei mais um beijo em minha filha e sai rapidamente. (...) Stephanie - Oi. Me conta, do que você gosta de brincar? - A garota não me respondeu, apenas ficou me olhando seriamente. - Eu adorava brincar de Polly e Barbie quando eu tinha a sua idade, sabia? - Ela ficou me encarando. - Você sabe falar? - Desde que eu tinha 2 anos. - Assim está bem melhor. - Falei. - E ai, o que você quer fazer? Topo qualquer coisa! - Tô com fome. Ela saiu correndo, abriu a geladeira, pegou uma garrafa de refrigerante e bebeu no gargalo. - Deixa eu colocar em um copo pra você. - Fiz menção em pegar a garrafa. - Não quero mais. - Me entregou a garrafa e foi até o armário. A garota pegou um salgadinho e começou a virar do pacote em sua boca, fazendo bastante farelo. - Mel, come direitinho, assim você está sujando a casa toda. - Falei gentilmente. - E daí? - Deu de ombros. - Não vai ser eu que vou limpar. “Acho que não vai ser tão fácil como eu imaginei. “ - Pensei. Deixei a garota comendo os salgadinhos e resolvi ler as recomendações que Will havia deixado. “Mel só pode ver 1h de tv por dia, e apenas desenhos infantis ou canais educativos. Mel tem alguns amigos no bairro, às vezes ela pede para ir brincar com eles, quando for assim, você deverá ir junto, não deixo ela brincando sozinha na rua com os amigos. É preciso que sempre olhe a agenda dela, pois nem sempre eu lembro de fazer. A Mel só pode comer doces no fim de semana, mesmo que ela insista (e sei que fará), não dê.” - Quero chocolate. - Ela disse. - Mel, hoje é quinta, e aqui diz que você só pode comer chocolate no fim de semana. - Falei gentilmente. - Você é meu pai? Não! Então você não manda em mim. - Não sou teu pai, mas sou tua babá, e enquanto ele não estiver, eu que dou as ordens aqui, mocinha. - EU QUERO CHOCOLATE! EU QUERO! EU QUERO! - Começou a gritar. Eu já havia trabalhado diversas vezes com crianças, como babá e em escolas, mas nunca tinha sido tão difícil, pelo contrário, eu sempre havia me dado muito bem com os pequenos, mas confesso que lidar com a Mel fez eu ter vontade de sair correndo, mas eu não podia, não dava para fazer isso e deixá-la sozinha e também eu precisava muito desse emprego. - Só um pedacinho de chocolate, ok? - Ok. - Sorriu. A garota pegou o pedaço de chocolate e foi até o sofá, se sentou e ficou vendo desenho enquanto comia o doce, e eu aproveitei que ela estava quieta para ir ao banheiro, e já respondi o pai da Mel. “Como estão as coisas aí?” - Perguntou. “Tudo certo! Estamos nos dando super bem.” “Que ótimo! Fico feliz em saber disso!” Quando retornei para a sala, vi que Mel ainda estava sentada no sofá, porém estava com um pote de nutella, e já havia comido mais da metade. - Mel, o que você está fazendo? - Ela me olhou e sorriu com a boca toda lambuzada. - Era para ser só um pedacinho de chocolate, e não era pra você estar comendo isso. Me dá aqui. Peguei o pote de sua mão, mas a garota foi mais rápida, enfiou a mão no pote e passou no meu rosto, e começou a rir. Senti vontade de chorar, e acho que ela notou, porque ficou me olhando em silêncio. Coloquei o pote de nutella em um lugar alto para que ela não pegasse, fui até o banheiro, limpei o meu rosto e chorei, chorei muito. (...) - Mel, daqui a pouco teu pai está aí, ele vai te levar pra escola, mas você precisa tomar banho. - EU JÁ DISSE QUE MEU PAI QUE VAI ME DAR BANHO! - Gritou ao subir no sofá. - Mas ele pediu pra eu te deixar pronta. Colabora, por favor. - Não vou, e você não pode me obrigar. - Cruzou os braços e ficou me encarando. Nisso seu Willian chegou, para meu alívio. - Papai! - Disse a menina ao pular no colo do homem. - Oi, meu amor. - Desculpa, senhor, eu me atrasei aqui, já ia dar o banho dela. - Tudo bem, não tem problema, pode deixar que eu dou. - Falou gentilmente. - E como foram as coisas por aqui? Essa mocinha se comportou? - Muito bem. - Notei a criança me olhar surpresa. - Nos demos super bem. - Que bom! O homem me dispensou e eu fui embora sem saber como consegui sair viva, me senti presa em uma jaula com um mini leão selvagem, que estava louco para me devorar a qualquer momento.
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