Steph
- Está com fome? - Perguntei.
A garota apenas negou com a cabeça.
Já fazia 3 horas desde que Will saiu, e logo depois que ele foi para o tal compromisso, a Mel viu um pouco de tv, brincou sozinha, porque não quis que eu brincasse junto, e pouco depois, se deitou em sua cama e não saiu mais dali.
- Steph, estou com dor de estômago.
Ela m*l terminou de falar quando saiu correndo para o banheiro e eu já imaginei o porquê. Alguns minutos depois ela voltou.
- Eu vomitei. - Falou ao choramingar.
- Oh, meu bem, vem cá… - A puxei pela mão e ela se aproximou de mim. - É só a barriguinha que dói?
- A cabeça também. - Começou a chorar.
Coloquei a palma da minha mão na testa da criança e ela estava ardendo em febre, o que me assustou um pouco.
- Você está com febre, meu bem.
Procurei um pouco por um termômetro e logo achei, então tirei a temperatura da criança, estava marcando 37,8.
A garota se deitou em sua cama e logo reclamou de frio, por isso a cobri com o cobertor.
- Quero meu pai! - Reclamou.
- Claro, preciso avisá-lo…
Tentei ligar algumas vezes para Will, mas só dava “celular desligado”, que ele quisesse se divertir ok, mas precisava desligar o celular tendo uma criança pequena em casa? Quanta irresponsabilidade!
- Pequena, o papai deve estar sem bateria, mas logo, logo ele chega, ok?
A garota, sem força para responder, apenas acenou positivamente com a cabeça, parecia bem cansada.
- Dorme um pouquinho. - Falei.
- Fica aqui comigo? - Pediu ao escutar um raio cair. - Tenho medo de raios e trovões.
- Claro que eu fico, prometo que não saio daqui. - Sorri.
A garota deu um leve sorriso, acho que era a primeira vez que a via sorrir, e em seguida, acabou dormindo. Não sai um segundo sequer do lado dela, nem para comer ou ir ao banheiro, queria estar ali quando ela acordasse.
Cerca de 1h15 depois, Mel acordou.
- Steph?
- Estou aqui, meu bem.
- Você ficou aqui. - Sorriu. - Mas… Cadê meu pai?
- Ele ainda não chegou, e está com o celular desligado, mas já deixei milhões de mensagens, viu? - Ela acenou positivamente com a cabeça. - Deixa eu ver essa febre.
Peguei o termômetro e tirei novamente a temperatura dela, 38,9, d***a, tinha aumentado, o que me apavorou um pouco, porque se subisse mais eu seria obrigada a levar a criança a um hospital ou pronto atendimento.
- Mel, a febre está alta, acho bom você tomar um banhinho pra ver se ela abaixa. Você deixa eu te dar banho?
A menina, quase sem forças para falar, apenas acenou positivamente com a cabeça.
A peguei no colo e a levei até o banheiro, tadinha, estava tão fraca, que não conseguia nem brigar comigo ou dizer a palavra preferida dela pra mim “não”, preferia ela como estava antes, detesto ver criança doente.
Sentei a menina em um banco, que havia no banheiro, preparei a banheira, pois ela estava sem forças de tomar banho em pé, e vi tudo que eu precisaria, toalha, sabonete…
- Vamos tirar a roupinha pra tomar banho? - Ela apenas acenou positivamente.
Tirei a roupa da criança, e a coloquei na banheira, estava quase dormindo de tão fraquinha, e eu me controlando para não entrar em desespero.
Dei banho na garota, a sequei, a enrolei na toalha, a peguei no colo e fomos até o quarto dela, coloquei Mel na cama e vi uma roupa para colocar nela, a vesti e deixei a garota deitada na cama. Tentei ligar novamente para Will, mas só dava celular desligado. Ai, que raiva!
Procurei por algum remédio para febre e encontrei um, porém fiquei com medo de dar para a criança, podia lhe fazer m*l.
Droga, o que faço?
Fui até a criança e tirei sua temperatura novamente, 38, 7, pelo menos havia diminuído um pouco, mas ainda continuava alta. Me retirei para guardar o termômetro e logo Mel vomitou.
- Desculpa. - Começou a chorar.
- Está tudo bem, eu vou limpar.
Limpei tudo enquanto morria de preocupação com a garota, e comecei a cogitar a hipótese de levá-la a um hospital.
Nisso, Will chegou em casa.
- Até que enfim! - Falei.
- O que houve? Aconteceu algo? - Perguntou preocupado.
- A Mel está com febre, já vomitou duas vezes, dei banho nela, mas fiquei com medo de dar remédio, há pouco tirei sua temperatura e estava com 38, 7, estava pensando em levá-la ao hospital.
- Cadê ela? - Perguntou aflito.
- No quarto dela.
O homem correu até o quarto da garota e eu fui atrás dele, e ao chegarmos no quarto da menina, nos deparamos com ela convulsionando, para o nosso desespero, porém, logo passou, mas ela ficou desacordada, parecia estar dormindo.
- Me ajuda, pega a chave do meu carro, que está na estante. - Falou ao pegar a criança no colo.
Corri até a estante, peguei a chave e saímos debaixo de chuva até o carro do homem.
- Sabe dirigir? - Me perguntou.
- Sei.
- Ótimo, porque eu bebi um pouco, então você dirige.
Entrei no lugar do motorista e o homem foi no banco de trás com a garota. Acelerei o máximo que pude até chegarmos no hospital mais próximo, e assim que isso aconteceu, Will pegou a filha no colo e fomos até a recepção. O homem explicou o que havia acontecido, e segundos depois, uns enfermeiros apareceram e colocaram a criança em uma maca, levando-a.
O homem respirou fundo, visivelmente preocupado.
- Desculpa, desculpa, eu…
- Steph, o que houve? Como foi isso?
- Eu não sei, ela estava bem, mas de repente começou a ficar quietinha, amuada, reclamou de dor de estômago e dor de cabeça e quando eu vi, ela já estava ardendo em febre. Desculpa. - Comecei a chorar.
- Calma, vai ficar tudo bem, a Mel é forte. Olha, se você quiser, pode ir pra casa, eu fico aqui.
- Quê? Não, eu vou ficar aqui, eu quero saber o que ela tem.
- Ok. - Sentou em uma cadeira e eu fiz o mesmo.
Ai, meu Deusinho, me ajuda, por favor, não deixe que nada de r**m aconteça pra essa menina, é apenas uma criança, e eu não me perdoaria se algo lhe acontecesse.