Capítulo 8
A borboleta sai do casulo
A minha sessão verdadeira estava apenas começando. Maximus colocou os dedos em minha boca. Meu coração pulsava rapidamente. Tomei o gosto da calda de pêssego enquanto o olhava, encarando-o naquela gostosa posição submissa. Chupei seus dedos.
— Assim mesmo, olhando em meus olhos, não quero que desvie.
Logo após dizer isso, ele abriu sua calça e expôs o grande m****o, cheio de veias, pronto para mim... ou para ele mesmo. Assustei-me ao ver o tamanho. Era lindo. E como podia ser diferente se ele era um Dominador? Um homem menos avantajado não seria corajoso o bastante para ser Dominador. Pelo menos era o que eu achava. Sem nada dizer, ele colocou o p*u ereto em meus lábios. Olhei para o m****o e levei uma repreensão.
— Eu disse para não olhar para mais nada, apenas meus olhos, não disse?
Mas como não olhar para seu m****o rígido a minha frente e não querer reparar na beleza daquela parte de seu corpo? Muitas vezes não nos damos conta do privilégio que é ter todos os sentidos funcionando bem. E naquele momento eu agradeci mentalmente a sorte de ter uma visão perfeita para admirar aquele pênis avantajado e rosa. Como não era mais para olhar, me concentrei em seu olhar bem acima da minha cabeça, mas fiquei surpresa ao ver que ele derramou uma parte da calda de pêssego sobre a extensão de seu m****o. Sorri, surpresa. O aroma da calda era delicioso, assim como o perfume do corpo dele. Uma mistura de aromas invadia minhas narinas assim como uma mistura de sensações e sentimentos. A boca encheu d´água. Os joelhos começaram a doer, é claro, mas eu aguentaria firme e forte se era para fazer uma das coisas que eu mais adorava: Saborear um homem. Melhor ainda, saborear com calda de pêssego.
Maximus apontou o m****o rígido em direção a minha boca e eu a abri. Testei com a língua primeiramente o gosto do doce. Vi seus olhos se fecharem ao menor toque da minha língua em sua glande. Em seguida rodeei toda a glande com a língua para depois abocanhar por inteiro. O gosto do pêssego invadiu minhas papilas gustativas do mesmo jeito que o gosto dele. Era possível sentir ainda o gosto da pele por baixo de toda a calda. Assim como a calda, eu pingava de excitação. Logo que acomodei todo o p*u dele na boca, o aquecendo com o calor dos meus lábios e língua, senti Maximus segurar meus cabelos com força. A pegada daquele homem era maravilhosa. Ele ditou o ritmo da chupada segurando meus cabelos. Nós nos encarávamos do jeito que ele queria.
— Linda...
Assenti com a cabeça. Mais do que tudo queria ser dele. Não sabia de onde vinha aquele sentimento, porém era forte e devastador, quebrando todos os sentimentos que uma vez senti por Carlos. Maximus era meu fetiche. Por inteiro. A voz grave e baixa, quase rouca, o peito forte, a mão firme, o perfume masculino gostoso, as veias dos braços. Ele era inteiro o meu desejo e eu faria tudo para satisfazer a nós dois. Queria vê-lo satisfeito, se derramar dentro da minha boca enquanto eu encarava aqueles olhos castanhos de olhar profundo. Eu estava em chamas. Sentia minhas entranhas se alargarem para receber aquele homem e nem sei se ele faria isso. Segundo ele, era controlado demais. O controle o excitava, o poder o esquentava. Enquanto eu imaginava como era tê-lo dentro de mim, o gosto da calda tinha já terminado e só ficou o gosto dele, puro, masculino, gostoso. Maximus parecia que ia gozar, quando parou. Ele realmente era bem controlado.
— Fica de pé. — Ordenou ofegante.
Então ele me empurrou para a cama e me virou de costas para ele, fazendo meu dorso se curvar. Eu ansiava pela penetração. Não aguentava mais. Estava no ponto de suplicar.
— Me come, por favor...
— Com certeza, mas quero te ensinar mais uma coisa e espero que se lembre de sua palavra. Afinal, você desviou o olhar quando eu disse que não podia.
Ele segurou meus cabelos com gentileza, mas com firmeza.
— Diga alto o que eu mandei fazer e você não fez! - A voz era firme e alta.
— Eu olhei seu p*u.
— Exatamente.
Ele se empertigou enquanto meu rosto estava apertado contra o colchão, ainda algemada. Ergui os braços acima da cabeça, assim não ficaria tão desconfortável. Mas nada me preparou para o que eu senti segundos depois. Ouvi o açoite estalar nas minhas nádegas com força. Gritei.
— Ah, senhor, por favor!
Mais uma vez ele me açoitou. Gritei.
— O que não pode fazer, Meg?
— Desobedecer?
— É uma pergunta?
— Desobedecer! Desobedecer!
Falei bem alto para que o castigo terminasse.
— Boa garota. Agora sabe o que fazer. Sua desobediência gera punição, lembre-se sempre disso.
— Sim, senhor.
—Eu não vou te aplicar castigos maiores porque você precisa suportar os pequenos primeiro. Além de tudo, você ainda não é submissa e precisa se decidir, entendeu bem?
— Sim, senhor.
A dor era suportável, mas eu não entendia porque aquilo era necessário. Eu não gostava de sentir dor, não era uma masoquista. Eu ia precisar conversar sobre aquilo.
— Agora eu vou te dar o que você quer, eu vou te f***r como nenhum homem te fodeu na vida.
Mesmo com o rosto imprensado contra a colcha preta, já suando, eu sorri de satisfação. Queria sentir aquele homem dentro de mim. Queria sentir o prazer que ele podia me proporcionar, me invadindo sem piedade. Senti ele cuspir no meio das minhas pernas e depois ouvi rasgar com os dentes um pacote de camisinha. E quando finalmente se enfiou em mim, vi todas as estrelas da galáxia. Ele era muito grande e eu não estava mais acostumada, mas não reclamei. Quanto mais ele investia, segurando meu quadril fortemente, mais eu me acostumava, até que o prazer veio. Toda a cama rangia com suas investidas. Uma delícia. A ardência que ainda sentia nas nádegas se misturou ao prazer, o que me causou sensações muito diferentes de tudo que eu já tinha experimentado. Eu me senti tão fêmea, tão entregue, tão dele que mais nada no mundo tinha sentido. Tudo que estava lá fora, todos os problemas, se tornaram tão pequenos ali naquele quarto, que eu podia ficar ali por dias. Ali só havia o prazer da entrega e de olhar para aquele homem dos meus sonhos.
— Goza, Meg. — Ele ordenou.
— Sim, senhor.
Maximus puxou meus cabelos mas não com tanta força, eu gostava daquilo. Sempre gostei de um homem mais bruto, talvez por isso eu estava tão apaixonada por ele. Era esse o sentimento: Paixão. Eu precisava dar nome ao que estava sentindo de uma vez por todas. Florear, tentar disfarçar, tentar não pensar, nada disso adiantou. O sentimento só foi crescendo dentro de mim, esperando a hora de receber o nome certo. E esse nome era paixão.
— Ah, meu deus, eu estou louca por você...
Finalmente disse e o meu orgasmo chegou tão forte que meu corpo inteiro tremeu. Maximus nada disse. Ele era quieto no sexo. Controlado. Grunhiu um pouco ao gozar. O ritmo das investidas diminuiu até não mais existir, então entendi que tinha gozado. Quando ele saiu de mim, deitou-se na cama, jogando o corpo suado ao meu lado. Observei as gotas de suor lavando aquele peito, escorrendo do pescoço à clavícula enquanto o peito subia e descia no ritmo ofegante de sua respiração. Delicioso. Eu amava homens bonitos suados. A veia do pescoço pulsava forte, então ele me olhou.
— Tudo bem?
— Sim, mas posso ficar livre agora?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não está confortável algemada? — Sorriu com sarcasmo.
— Não, senhor.
— E esqueceu como deve pedir.
— Red. — Me lembrei.
Ao pronunciar a palavra, ele se levantou da cama e tirou as chaves do bolso da calça para me libertar. Esfreguei os pulsos que estavam vermelhos. Assim que ele viu meus pulsos, sentou-se na cama, se escorando na cabeceira e me puxou para seu colo. Maximus me fez deitar em seus braços com todo o carinho do mundo e então depois passou a massagear meus pulsos.
— Isso se chama aftercare. Eu cuido de você e de suas marcas, entendeu bem?
— Sim, senhor.
Mateus me olhava agora. Não era o mesmo homem que havia me dominado. Ele afastou meus cabelos do meu rosto suado e se curvou para beijar minha boca. A minha surpresa foi grande. Nunca ia imaginar que ele me beijaria em uma sessão como aquela. O beijo foi longo, acariciando minha língua com a dele enquanto sua mão direita acariciava meus s***s. Quando ele se afastou, sorriu.
— Está bem mesmo?
— É isso que um Dom faz depois?
— Com certeza, mas o beijo foi da minha vontade.
— Posso colocar minhas mãos em você?
Ele sorriu.
— Pode, Meg.
Levei minhas mãos aos seus cabelos e o acariciei. Ele fechou os olhos por instantes. Meu Deus, tudo que eu queria era ter aquele homem para mim, mas não daquele jeito. Sonhei por alguns minutos com uma relação normal. Acho que toda mulher fazia isso com ele. Do paraíso eu fui para o inferno em minutos. Como queria um namoro com aquele homem... Como queria que ele me pertencesse... Como queria que nunca mais tocasse a pele de outra mulher... Eu sabia que ia sofrer. Mas nem esse sofrimento me fazia sentir vontade de sair dali correndo. O que mais eu poderia aturar para estar perto dele? A paixão nos cega, nos faz de bonecos ventríloquos. Eu jurei que não me apaixonaria e ali estava eu, literalmente ajoelhada diante daquele homem, literalmente de quatro por aquela paixão.
— O que vai querer almoçar? — Ele perguntou me catapultando dos meus pensamentos para o mundo real.
— Não faço ideia. — Eu o olhava com paixão e ele percebeu.
— Vamos, Meg, vamos preparar alguma coisa.
Ele me empurrou gentilmente para sair de onde estava e se levantou. Fiquei observando-o enquanto recolhia as coisas de volta para guardar. Eu não quis perguntar mais nada, se sempre seríamos assim, se eu nunca poderia ter ele para mim... Preferi guardar comigo e prolongar aquele dia e aquelas sensações por mais tempo. Eu era a pessoa mais possessiva e ciumenta do mundo. Era como se nada bastasse e, de fato, nada bastava para mim. Eu não tinha aprendido com a minha péssima experiência que algumas pessoas não podem ser presas na gaiola do relacionamento. Alguns pássaros voam sozinhos.
Mateus era um desses pássaros que voam sozinhos e eu precisava aprender a respeitar sua solidão.
Enquanto estávamos em sua cozinha, Mateus quis cozinhar. Parecia não entender bem de gastronomia, mas o cheiro estava gostoso. Eu tinha colocado uma camisa dele, que, a propósito, ficou bem grande em mim e tentava me comunicar com uma das minhas amigas para saber de Roberta. Eu tinha me isolado do mudo depois daquela agressão e precisava saber se estavam dando atenção a ela. Consegui falar com Dominique. Mateus me olhava vez por outra.
— Como ela está? Eu estou preocupada, Nik.
— Amiga, ela está como todo mundo fica, arrasada, apesar de o cara ter sido um crápula a vida toda... Quando você vem?
Olhei Mateus, ele picava salsinhas.
— Eu não sei, eu tenho uma coisa para te contar, é por isso que sumi.
— Sabe que tínhamos que ter levado as roupas das crianças hoje né? Domingo.
— Sim, eu sei, Nik.
— Eu realmente espero que você não tenha perdido a cabeça por causa daquele dominador.
O som devia estar alto pois Mateus levou a mão à boca para provar um pouco do molho que fazia e sorriu, sem me olhar. Morri de vergonha. Olhei o celular e baixei o som.
— Nik, Carlos me bateu.
— Que??! Você foi a delegacia, não foi?
— Fui, por isso eu sumi, amiga.
— E onde estão as crianças?
— Com meus pais.
— Vai ficar onde?
— Eu não sei... — Voltei a realidade e a pensar nas coisas práticas por causa dela. Era tudo que eu queria evitar naquele dia.
— Eu tenho um apartamento em Pinheiros, pode ficar nele. É mobiliado.
A ironia era que eu estava justamente em Pinheiros.
— Eu não posso te pagar o aluguel agora. — Respondi.
— Eu te pedi alguma coisa, mulher? O degenerado do Lucio tem dinheiro e bens brotando da b***a, deixa de ser boba, ele nem vai saber que te cedi um apartamento. E se souber direi que aluguei a você, que se separou.
— Está bem, agradeço muito, Nik.
— E você, está onde?
Olhei para ele. Mateus fingiu que não queria se envolver.
— Eu estou na casa de um amigo, Nik.
— O importante é você estar bem. Eu vou falar com a Ro o que te aconteceu e ela vai entender você não aparecer, mas pode vir ao enterro?
— Sim, eu vou.
Desliguei o celular e voltei a me concentrar nele, que colocava o espaguete na água fervente. Ele me olhou rapidamente.
— Tudo bem?
— Não, mas vai ficar, minha amiga me cedeu um apartamento aqui no bairro.
— Eu entendi que era isso.
Meu celular recebeu notificações novamente. Olhei a tela e não identifiquei o número.
Tenho notícias para você, Ninfa.
— Mateus, olha isso!
Virei o celular para mostrar a ele. O que podia ser aquilo? Meu marido? Como ele sabia que Mateus me chamava daquele jeito? Ele pegou o celular da minha mão e em seguida pegou o dele. Mateus examinou os dois números.
— Aline!
— A tal ladyhawk?
As minhas mãos começaram a tremer imediatamente. Algumas notificações chegaram a seguir em meu celular e Mateus não quis me mostrar.
— O que foi? O que é?
Eu estava, de novo, muito nervosa. Ele olhou minuciosamente o que havia na tela.
— Fotos nossas no clube.
— Que?!
— Ela é da polícia, Meg, ela conseguiu seu celular de alguma maneira.
— Mas porque? O que eu fiz para ela?
—O que você fez? Você conseguiu a minha atenção. o dominador que ela gosta. Ou você esqueceu de tudo que ela te disse no banheiro?
Baixei a cabeça. Não era possível. Ela realmente estava me chantageando? Minha vida tinha virado de ponta cabeça em duas semanas e eu nem sabia o que fiz de errado para tal. Nada. Eu existia. Era isso.
— Ela te ama tanto assim? E agora o que eu faço? Se ela está me chantageando é porque sabe que sou casada e com quem sou casada.
— Ah ela tem tempo suficiente para ficar no seu encalço o dia todo e você nem percebeu. Filha da p**a! — Ele jogou uma colher longe. — Eu tento, eu juro que tento ser calmo...
Ele espalmou as mãos sobre a bancada, parecia tentar pensar. Eu estava assustada por tudo. Saí correndo da cozinha, chorando. Senti mãos em minha cintura me carregando para o quarto. Mateus tinha me segurado.
— Para, para, me perdoa, eu fiquei com raiva dela. Não precisa se assustar. Eu prometi que vou cuidar de você, não prometi?
Ele me deitou na cama calmamente.
— Ela me odeia, todo mundo me odeia...
— Ninguém te odeia, Meg. — Ele respondeu com compaixão — Você só está no casamento errado e estava no lugar errado aquela noite. Você roubou minha atenção e isso é uma derrota na cabeça dela, mesmo ela sabendo que como dominador, eu posso ter 5 submissas se eu quiser. Na mente obcecada dela, eu pertenço a ela.
— Eu não vou negar, adoraria que pertencesse a mim, mas eu sei o meu lugar. E também sei como eu te conheci e como gosta de viver sua vida. Jamais pensarei em você de outra forma.
— Já pensou, Meg. Eu sei que sim, mas você me respeita, diferente dela. Ela já conseguiu afastar outras mulheres de mim. Resta saber se você vai ceder.
Encarei aqueles olhos, profundamente. Eu entendia o que Aline sentia por ele. Era o mesmo sentimento de devoção e paixão que eu estava sentindo. Mateus provocava isso nas mulheres. Ele tratava bem, era um cavalheiro, mas ao mesmo tempo era provocante e sedutor. Ele mostrava poder. Um poder que eu jamais senti sobre mim vindo de outra pessoa. Ele era fascinante, além de ter um corpo lindo e um sexo maravilhoso. Qualquer mulher sadia cairia de amor por ele. Literalmente de joelhos. Porém agora eu via seu outro lado. O Mateus que estava nas mãos de uma policial apaixonadamente doente. Enxerguei em seus olhos o receio de outra mulher se afastar por causa das chantagens dela, afinal, ninguém quer ser exposto como um fetichista ou ter sua vida escrutinada por uma pessoa obcecada. Todos temos segredos.
— Eu não vou ceder. — Prometi.
Aquela promessa podia custar muita coisa para mim. Podia custar meus filhos, mas eram ambos os lados da minha vida que eu não queria perder. Mais do que nunca eu precisava ser forte. Precisava me fortalecer. Mateus rumou para as panelas para terminar nosso almoço e eu pedi licença para ir telefonar para Roberta. Prestei minhas condolências, expliquei o que tinha acontecido a mim e ela compreendeu muito bem.
Quando me sentei para almoçar com Mateus, estava mais tensa e mais triste. Tudo que eu tinha conseguido naquelas horas com ele, na sua masmorra, tinha desaparecido como um flash de luz. Como uma lembrança de felicidade e fuga. Aquela mulher tinha conseguido me atingir em cheio. E devia ter plena consciência disso.
Almoçamos seu espaguete a bolonhesa em silêncio e isso o incomodou. Mateus, volta e meia, me olhava, dando um gole em sua taça de vinho. Eu comi bem pouco e logo deixei, não estava com tanta fome e a preocupação me consumia mais que a fome.
— Não vai almoçar? — Finalmente ele me perguntou.
Ergui o olhar para seus olhos.
— Estou preocupada demais.
— Eu estou aqui para você, Meg.
Suspirei profundamente e afinal comentei.
— Preciso ir amanhã ao enterro do marido da minha amiga, preciso ir ficar com meus filhos, preciso resolver tantas coisas, eu nunca tive tantas coisas para resolver.
— Eu entendo, Carlos sempre cuidou de tudo, não deve ser fácil se ver sozinha de repente.
— Muito. — Comecei a chorar apoiando a cabeça nas mãos sobre a mesa.
— Meg...Meg...Eu não sou tão emocional quanto você, mas eu compreendo. — Ele veio até mim e segurou minhas mãos, puxando outra cadeira para que eu o encarasse. — Olha, eu sempre fugi do sofrimento dos outros porque não sei lidar com os meus. Mas eu não quero pensar em me afastar de você. Você mexeu em alguma coisa dentro de mim, talvez porque, sei lá... — Fez uma pausa para pensar no que estava sentindo — Porque é o Carlos e todo mundo sabe que ele é corrupto, infiel, grosso. Eu ouvi críticas ao aceitar o emprego dele e até pensei em desistir na primeira semana, mas então eu te vi naquela sala.
— Não estou entendendo. — Enxuguei minhas lágrimas.
— Fiz um esforço para encarar você somente como uma mulher que queria se divertir, aproveitar a vida, mas seu jeito doce... Eu quis te proteger, eu empenhei minha palavra naquele jantar.
Mateus acariciou meu rosto com carinho enquanto me fitava nos olhos.
— Sentiu pena de mim?
— Não sinto pena, Meg, eu sinto compaixão.
— Não, eu sei, eu sou digna de pena mesmo. — Tentei soltar minhas mãos.
—Não! Você não é digna de pena, só está passando por um momento r**m. Um momento que você não esperava e eu sei que é... — Ele pausou rapidamente — Um pouco anti-ético, ou seja lá o que os outros pensariam, por ser diretor da sua empresa, mas eu sinto vontade de te dar o que foi perdido.
Ele parecia dizer aquilo tudo com tanta verdade... E eu precisava acreditar. Estava sem defesas para pensar diferente.
— Eu vou te levar ao enterro, mas tem certeza de que está bem para isso tudo?
De repente meu telefone começou a tocar. Olhei a tela, era Carlos. Mateus olhou também. Deixei tocar sobre a mesa por alguns minutos. Olhei para ele.
— O que a delegada disse? — Ele perguntou.
— Para eu não atender. Mas ele não precisa saber onde estão os filhos?
— Eu acho que sim, ou ele vai te caçar em tudo que é lugar e vai chegar nos seus pais. Se ele fizer isso, ele vai pegar as crianças e seus pais não vão poder fazer nada.
Arregalei os olhos. Peguei o celular e liguei para ele. Já estava me tremendo. Mateus segurou minha mão.
— Carlos?
— Está com ele não é?! — Vociferou do outro lado da linha.
— Com ele quem?
— Com seu amante, sua p**a!
— Não, eu estou em um hotel sozinha.
Mateus balançou a cabeça positivamente.
— Não esqueça que posso rastrear seu chip, eu te dei esse celular!
Mateus arregalou os olhos e começou a me puxar pela casa.
— Se veste, se veste — Sussurrava — Vou te levar para um hotel agora.
— Eu estou em um hotel, Carlos!
— Então me dá o endereço agora! A gente precisa conversar, eu quero ver meus filhos!
— Eu não posso dar! A delegada me proibiu!
— Delegada?! Margareth, você foi a uma delegacia?! Eu vou acabar com a tua vida, ouviu bem?! Eu quero meus filhos em casa, agora!! — Ele gritou e desligou.
Mateus ouviu tudo enquanto me observava com os braços cruzados.
— Certo,vamos fazer o seguinte, vou te levar para um hotel, mesmo. Depois vou buscar suas crianças...Assim que sua amiga liberar a chave do apartamento, você vai para lá e fica. Entendeu bem?
— S-sim... — Falava entre o choro.
— Esse filho da p**a vai se ver comigo se tentar algo contra você! Vamos!