A detetive

3402 Palavras
Capítulo 4 A detetive No dia seguinte, arrumei as crianças para o colégio e esperei o motorista levar. Pedi beijos dos meus filhos e assim que eles saíram, minha mente começou a maquinar em como faria para descobrir as coisas sobre Mateus. Tomei o meu café com calma e em seguida peguei o carro para ir a empresa. Ele teria que entrar pelo estacionamento, portanto cheguei bem cedo, antes de todos e estacionei de forma a que ninguém me visse. Prendi os cabelos e coloquei meus óculos de Sol. Vi vários funcionários estacionarem e atentamente procurei por ele. Quando já estava enfadada, uma BMW 320i preta entrou no estacionamento. Algo me dizia que aquele carro esporte luxo trazia Dom Maximus. Meu instinto não errou. Ele abriu a porta, colocou os óculos de Sol e fechou o carro. Estava charmoso demais como sempre, enfiado em um terno azul alinhado. Como será que vivia? Com quem será que vivia? Havia muitas perguntas sobre ele povoando minha cabeça. Assim que o vi entrar no elevador, saí do meu carro. Eu precisava ver para onde ele iria. A curiosidade era maior do que a prudência. Fui para o outro elevador e esperei por uns cinco minutos até apertar o botão. Senti o coração acelerar; eu estava perseguindo uma pessoa, porém dentro da empresa do meu marido e por conseguinte minha também. Não deveria significar nada demais. Mas significava. Eu sabia muito bem o que estava acontecendo comigo e o que eu procurava encontrar. Carlos não pisava naquela empresa há bastante tempo depois que passou a delegar todas as principais funções. Quando ficou rico o bastante para contratar um diretor geral, ele jamais pisou na empresa de novo. Carlos coordenava outras ações, andava com aspirações políticas e isso era bem a cara dele. Vivia enfurnado na sede do seu partido favorito de corruptos e nunca estava em casa. Isso quando não estava na casa de outra mulher. Só eu conhecia duas, afinal não era nem um pouco burra, o segui várias vezes e flagrei algumas delas. O único problema que me impedia de pedir o divórcio era meus filhos, que amavam o pai. Para os filhos, ele era ótimo, o que me fazia aturar suas grosserias. Ao chegar no andar da presidência, não houve jeito, eu fui vista por todos. O elevador abria exatamente de cara para os funcionários. Alguns me conheciam. Pelo canto do olho percebi um terno azul em frente a cafeteira expresso. Virei meu olhar e ele estava bem ali me observando enquanto segurava sua xícara de café. Uma das secretárias veio me recepcionar, que merda, eu queria passar despercebida. — Dona Margareth! Que prazer ver a senhora aqui na empresa, a que devemos a honra? Pensa rápido, Margareth! Pensa! — Eu vim procurar o Carlos. Ele está? Ela franziu a testa numa óbvia expressão de curiosidade. Todos sabiam que ele não ia mais a empresa. Como sua esposa não saberia? Eu estava encrencada. Mateus pigarreou se aproximando da minha patética pessoa, parada ali, dando todos os trunfos dos quais ele precisava. — Senhorita Carolina, ela veio conversar comigo a respeito da direção, sabe como é, ela é uma das donas. — Ah sim, me perdoe, dona Margareth. — Ela se afastou. Mateus apontou sua sala, para onde eu devia me dirigir e acabar com a farsa. Eu fui, apertando as alças da minha bolsa, pendurada no ombro. Ao entrar, ele fechou a porta atrás de nós. Parei de costas e não me movi. Senti ele se aproximar, senti o calor de seu corpo atrás do meu. O hálito de café sussurrou quente no meu ouvido, exatamente atrás de mim. — Já bateu a saudade? Baixei a cabeça para olhar meus pés. Não queria encará-lo, que ódio senti de mim mesma. — Saudade de você, como é metido. Ele se posicionou na minha frente e buscou meu olhar. Ergui a cabeça. Olhei em seus olhos. Ele tomou um gole de seu café, sorrindo. — Acho que devido a minha posição e você ter vindo atrás, a essa hora da manhã indica que sim, eu posso ser metido. — Ele olhou meu corpo — Essa cabeça baixa me dá vontade de fazer tantas coisas com você. — Sussurrou. Senti meus pêlos se eriçarem a menor menção de algo s****l vindo dele com aquela voz mansa e sexy. Então decidi que devia alguma explicação e que seria honesta. O cheiro forte do café se misturou ao perfume dele, preenchendo quase todo o ar da sala. — Eu vim por você mesmo. Ele deu um passo a frente, o que me obrigou a dar um passo atrás. — E você queria um beijo logo de manhã? — Não! Ele deu mais um passo a frente e eu recuei mais uma vez. A presença dele era imponente e segura demais. — Então, veio me ver tomar café. — Eu vim ver se era verdade que trabalha aqui e se Carlos não está armando uma traição para cima de mim, ele é muito ardiloso. Ele parou e pensou. Fechou um dos olhos enquanto olhou para cima por alguns segundos. — Então deixa eu entender, você acha que eu posso estar combinado com meu patrão de flagrar seu adultério? Dessa forma ele consegue tirar você dos bens dele. Acertei? — Sim. — Então, isso realmente significa que pensou em trair ele comigo... — Ele sorriu com sarcasmo. — Claro que não! — Fui veemente, mesmo mentindo. —Pode ficar tranquila, Margareth, você não está numa armadilha. Eu jamais combinaria uma coisa assim com o asqueroso do seu marido. — Asqueroso? — Ele é, você não acha? Eu só estou aqui trabalhando. Mesmo. — Ele se tornou sério — Nós nunca nos conhecemos porque eu estava no Rio e porque nunca gostei dele. Mas então, ele abriu essa vaga e me ligou, o salário é muito bom. Resolvi voltar. — Eu sei. — Mas como pessoa, Carlos António é um merda. As pessoas o toleram. Só isso e eu ainda gostaria de saber porque uma mulher como você continua casada com um homem asqueroso como ele. — Meus filhos. — Me mostrei triste. — Seus filhos são bem tratados? — Muito, é só isso que ele é, um bom pai. E eles vão sentir. — Então você se sacrifica? Ele segurou em meu queixo e me fez o encarar. — Uma mãe faz tudo pelos seus filhos. — Mas ainda é mulher e quer se divertir, como eu presenciei. Ele voltou a se aproximar ainda mais, e quando senti a parede atrás de mim, notei que não tinha mais para onde fugir. — Sim e queria que isso ficasse entre nós, eu não pretendo mais voltar lá. Ele estalou a língua nos dentes duas vezes, com ironia. — Mas pode ir a minha casa. Vamos ficar muito mais a vontade. Ele parecia ter um botão dentro de mim que apertava rapidamente quando queria me excitar. Aquela frase, aquela voz, o jeito de olhar, o poder que tinha sobre mim... Eu fantasiei, em segundos, t*****r com ele em sua cama. — Eu...eu... — Você não tem uma boa desculpa para não me experimentar, não é? As coisas que dizia... Eu estava quente, sentia tudo pulsar. — Eu não gosto das coisas que pratica. — E se eu te disser que há muitas formas de praticar que não envolvem dor? Apenas prazer. Espalmei seu peito e não consegui mais resistir, indo em direção a sua boca carnuda e linda. Ele se afastou, sorrindo. Ao entender que ele só quis brincar, senti vontade de bater em seu rosto. — Você só quer brincar comigo. — Isso é verdade. Mas de outra forma. Vou te dar o que você quer... só para decidir ser minha. Mateus segurou meu queixo e com a outra mão, molhou os dedos no café morno. Em seguida deslizou os dedos nos meus lábios, os molhando de café. — Adoro café, sabia? Senti minha respiração ficar pesada e minha calcinha molhada. Era uma sensação gostosa a de ficar tão excitada por um homem tão diferente. A respiração ofegante entre nós se estreitou quando ele se aproximou e deslizou a lingua por meus lábios. Com a outra mão, ele puxou a alça da minha blusa e sutiã para baixo simultaneamente, exibindo meu seio. Enfiamos a língua um na boca do outro ao mesmo tempo. Ali foi minha rendição. Como se eu não houvesse sido rendida há uma semana. Meu corpo se arrepiava ao pensar nele, minhas horas vagas do dia serviam para lembrar dele. Quando peguei um livro para ler naquela semana, li as palavras mas precisei voltar várias linhas pois a mente ia ao encontro das minhas memórias daquele sábado. Eu não sabia que nome dar a esse sentimento. Luxúria pura talvez. O beijo foi longo e delicioso. Mateus era mestre naquela arte, ou melhor, Dom Maximus. Quando ele se afastou, rompeu com o beijo abruptamente só para me ver ainda oferecendo meus lábios ao vazio. Abri os olhos. Ele sorria. Então me deu mais um beijo. Curto. Afastou-se novamente. — A sala não está trancada, adora ser quase pega? — Ele me olhou nos olhos quando se agachou um pouco para chupar o meu mamilo. — Parece... Mateus se pôs ereto novamente para ouvir minha resposta. — Parece? — Parece gostoso. — Eu sei, é uma delícia toda a adrenalina, o t***o. — Sim, é. — Sussurrei com tanto desejo que foi quase inaudível. — Então...— Ele ajeitou a calça e se afastou. Olhei para sua calça e pude ver o tamanho do seu desejo, o volume do pênis ereto sob a calça. — Eu preciso começar meu dia e a senhorita vai para casa direto. Não quero que pare em nenhum outro lugar. Eu sorri, com desdém. — Eu não sou sua submissa. — Ainda não, mas vai pedir para ser. Ele sorriu com aquele ar cafajeste encostando-se na mesa para levar a xícara à boca. — Você é muito convencido. — Eu posso. Tenho muita experiência e por isso sei que que quer. Quando os hormônios baixaram, respirei fundo e respondi. — Nos seus sonhos. Dirigi-me até a porta e coloquei a mão na maçaneta. —Quanto mais cedo você aceitar a realidade vai nos poupar trabalho e sobrar prazer. Dei uma última olhada nele e abri a porta para sair dali o mais rápido possível. Meu Deus! Meu pescoço suava mesmo no ar condicionado! Parecia estar com febre. Minha calcinha estava muito molhada e meu coração disparado. O que ele era? Um mago do sexo? Entrei no meu carro e comecei a chorar. —Você não pode fazer isso, Margareth, não pode se apaixonar por esse homem, sua i*****l! Ele me tinha nas mãos. O que aconteceria comigo era quase uma certeza matemática, eu ia cair nos braços dele. Aliás já tinha acontecido. A carência é mesmo uma merda. Eu sabia que estava carente daquele tipo de atenção. Bem, não daquele tipo, ele era melhor que qualquer um que eu já tinha encontrado. E eu não queria ser uma submissa de um dominador, merda! Eu merecia amor! Eu queria amor! Mas eu não podia ter um caso. Quanta contradição! Eu era a imagem da contradição naquele momento. E precisava esquecer aquele homem. Como fazer isso se minha mente não me permitia? Como fazer isso se meu corpo pedia por ele? Lembrei de Barbara e fui direto para a casa dela. Naquele momento recebi uma mensagem dele no aplicativo. Olhei apenas quando parei no sinal. “Está indo para casa como ordenei?” Raiva! Que raiva, ele parecia até saber meus passos! Eu não podia mesmo ir para a casa de Barbara desabafar com ela, lembrei de seu ciumes dele. Era melhor não envolvê-la nisso. Tomei o caminho de casa. Ao chegar fui para a internet ler mais um pouco sobre o mundo de Mateus. O mundo da dominação b**m. Até que Dominique ligou querendo marcar para o dia seguinte uma ida a casa de swing que Angela frequentava com o marido. Aquilo seria complicado, depois de eu saber do que acontecia com Angela. Eu realmente não queria ir, porém era o combinado entre nós. Não seria certo faltar com minhas amigas por causa de Angela ou do dominador. Confirmei. Procurei saber sobre Roberta e seu marido. Ele estava ainda na UTI. Que situação desconfortável e complicada. Alguma coisa em mim dizia que não deveríamos nos divertir se uma de nós estava passando por uma situação delicada. Entretanto, meu lado racional me dizia o contrário. Não tínhamos culpa pelo divórcio dela, não tínhamos culpa de Eduardo ser um pulha com nossa amiga. E sinceramente, eu não devia me privar por que ela decidiu ficar no hospital mesmo sabendo que não podia entrar na UTI. Parecia que ela sabia que algo de r**m ia acontecer com ele. Decidi sair com as meninas. Decidi pela festa swing para me manter longe de Mateus. Recebi meus filhos do colégio, conversei com eles e vimos um filme até o pai chegar, bêbado e com perfume de mulher. Olhamos para Carlos e vi as crianças sorrirem. — Pai, você precisa ver esse filme! — Gritou Caio. — Não grita, p***a, minha cabeça está latejando! Caio se encolheu, com medo e arrependimento. Ah, ele não começaria a ser aquele tipo de pai, só por cima de mim! — Fiquem aqui, vou ver se papai precisa de alguma coisa. Não me sigam. Avisei e subi as escadas atrás dele. Ao entrar no quarto, ele lavava o rosto na pia do banheiro e se olhava no espelho. — Se começar a tratar as crianças com grosseria, crianças que te amam, eu não vou responder pelos meus atos, seu filho da p**a! Ele saiu do banheiro me encarando com escárnio. Aquele homem era a sombra do que já tinha sido, o retrato de um derrotado. Muito diferente do Carlos cheio de vida com quem casei. Agora chegava toda sexta-feira bêbado e cheirando a outras mulheres. Eu não fazia ideia do que se passava em sua vida, ele não conversava há bastante tempo e sinceramente eu não queria mais conversar. — Experimenta me ameaçar, Margareth. Experimenta! — Ele deu um grito tão retumbante que estremeci. Criei coragem para responder. — Pode gritar o quanto quiser, você pode sacanear e trair a mim, eu aguento a porrada, mas sacanear seus filhos não vou tolerar! Eu sumo da sua vida com eles. Ele deu dois passos a frente. Segurei o celular no meu bolso do pijama. Ele olhou bem e parou de andar. — Você quer me flagrar não é? — Se não me der alternativa... Eu estou tolerando esses anos todos, mas se encostar em mim, a coisa vai ficar feia para você. — Acha que vai meter a mão no que eu tenho? Vai sonhando. Sorri com sarcasmo. — Eu não acho, é direito meu, construi junto com você. —Ameace me deixar e eu movo todos os advogados do mundo para destruir você. — Ele me encarava com ódio. Baixei a cabeça sentindo muita tristeza. Eu não merecia nada daquilo. Sempre fui uma esposa exemplar até ele começar a me trair explicitamente. Nem mesmo se importou com os aromas de outras em suas roupas, com bilhetinhos e ligações. Carlos sempre se achou intocável, o homem que podia tudo e que eu deveria ficar quieta, amargando toda a sorte de maus tratos verbais. Senti minhas mãos tremerem. Eu podia sair sem nada daquele casamento, isso não me amedrontava. Eu tinha uma família para onde voltar, tinha ainda pais amorosos. Eles tinham me reservado uma casinha da família para o caso de eu precisar e parecia que sabiam que eu ia precisar. Eu não era dependente de tanta riqueza, porém precisava reunir forças para assumir o controle da minha vida novamente. — Vou trocar de quarto hoje, não durmo mais com você. — Fui corajosa de responder e me orgulhei de mim mesma. — Como é? Ele já estava sentado na cama, retirando os sapatos. — Eu não vou estar mais no mesmo quarto que você. Meu queixo tremia ao dizer aquilo, meu coração estava descompassado. Como era horrível dizer isso ao homem que tanto amei um dia... —Margareth, se você falar com algum advogado, eu tiro as crianças de você. Me ouviu bem? —Ouvi, não vou falar com ninguém mas não quero mais estar no mesmo cômodo que você. — Que se f**a, vá para o inferno, durma onde quiser, só não me encha o saco! Peguei meus travesseiros e colcha, o carregador do celular, minha bolsa com documentos e saí para outro quarto, o de hóspedes que havia em casa. Quando fechei a porta atrás de mim, tremia. Senti que choraria compulsivamente e deixei que aquela tristeza e luto tomassem conta de mim. Meti a mão no bolso do pijama e segurei o celular com força olhando a tela. Consegui gravar todo o áudio daquela conversa horrorosa e de todas as ameaças. Sorri de alívio em meio a um choro magoado aos soluços. Eu o tinha flagrado. O e******o me havia subestimado. Rapidamente enviei o áudio para o Drive em um email que ele sequer sabia que eu tinha. Para me assegurar, enviei o áudio também para Dominique. Limpei os olhos para melhor enxergar, pois as lágrimas caíam abundantes, embaçando minha visão. Escondi o celular sob o colchão da cama e fui para o banheiro daquele quarto para lavar meu rosto. Precisava colocar as crianças na cama sem que percebessem que a mãe estava em frangalhos. Olhei para o rosto no espelho. Senti orgulho de mim. Aquele homem nunca mais me agrediria ou tentaria me agredir fisicamente como naquela noite. Coloquei as crianças na cama, que fizeram perguntas. Por que o pai estava bravo, por que ele não quis ver o filme. Aquilo cortou meu coração. Apenas respondi que ele se aborreceu no trabalho e que estava muito cansado. Foi a primeira vez que tratou os filhos daquela maneira, mas se dependesse de mim, seria a última. Dominique me mandou mensagem mais tarde, horrorizada com o que tinha ouvido. Ela se propôs a me ajudar a sair daquele casamento. Na segunda-feira iria me levar no escritório de sua advogada, especialista em vara de família. Eu só precisava tomar a coragem de fazer aquilo. Demorei muito a dormir, chorando copiosamente, molhando o travesseiro sob a minha cabeça. Pensei nos meus pais e no quanto ficaram felizes com o meu casamento. Entretanto sabia que ficariam muito tristes e com muita raiva de saberem pelo que eu estava passando. E era preciso dar um basta. Invejei o casamento deles. Tinham muito menos bens e uma conta bancária modesta, mas eram felizes e se respeitavam, sempre aos risos, enquanto eu só andava chorando por anos. Já tinha passado da hora da minha libertação. Sábado à noite. Deixei as crianças com a babá e avisei a ela que se meu marido aparecesse e perguntasse por mim que eu estaria no clube do crochê com as amigas. Expliquei a ela do que se tratava embora não fizesse a menor diferença para ela. A moça achou a atitude muito bonita de nossa parte. Sim, era. No domingo Dominique ia até a igreja entregar todas as roupas de crochê que compramos no shopping. Aos meus olhos era uma atitude louvável de qualquer maneira, uma vez que as conhecidas ao nosso redor só se preocupavam com as unhas, bronzeamento artificial, botox e academia. Ao menos nos ocupamos de fazer algo que faria a diferença para alguma criança carente. Se elas faziam algo, eu não sabia. Tinha aprendido com minha adorada mãe que “aquilo que se faz com a mão direita, a esquerda não deve saber”. Era um ditado bem antigo. Eu acreditava nele, o que significava que não devia mostrar aos outros que eu ajudava alguém só para inflar meu ego. Detestava gente que fazia isso. No meu carro já estavam meu vestido e saltos para a noite, bem escondidinhos em uma bolsa de compras. Fui para a casa de Dominique, ainda me sentindo triste. Mas não ia deixar de tentar ter diversão porque meu marido era um filho da p**a agressor. Quanto mais cedo eu me recuperasse, melhor seria para mim. E eu não queria passar o resto da vida amargurada por causa de outra pessoa. Durante aquela noite decidi que mais nada ou ninguém me machucaria outra vez.
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