Episódio 6: Madrugada, tensão e pecado.

1190 Palavras
Benjamim Lancelloti  O quarto que me designaram ficava no andar de cima, no final do corredor oeste da mansão. Porta reforçada, tranca digital. Uma cama king-size coberta por lençóis brancos impecáveis, criados-mudos com abajures de cristal e uma poltrona de couro voltada para a janela envidraçada que dava vista pro jardim dos fundos. Mas nada disso me relaxava. Nem a decoração barroca. Nem a brisa noturna suave. Nem a p***a do silêncio disfarçado de paz. Tirei a jaqueta e joguei sobre a poltrona com força demais. Arranquei a camiseta como se ela tivesse culpa da minha tensão. Meu corpo estava suado, o maxilar travado, a respiração presa num ponto entre raiva e desejo maldito. Entrei no banheiro. O espelho me devolveu o reflexo de um homem à beira do colapso. Barba cerrada, olhos vermelhos de cansaço, ombros pesados de tensão. Soltei um suspiro rouco e entrei no box de mármore preto. A água quente caiu como lâmina sobre a pele. Fechei os olhos. Mas não encontrei descanso. Só ela. Victoria. Cada provocação. Cada palavra. Cada curva. Cada sorriso que gritava "Me domina... se tiver coragem." Maldita garota. Saí do banho, corpo ainda quente, pegando fogo. Enrolei a toalha na cintura, andei até a cama e peguei o celular. Liguei. — Lancelloti — atendeu a voz fria do meu superior. — Esse primeiro dia foi um inferno — disparei, sentando na beira da cama, passando a mão pelos cabelos molhados. — Defina "inferno". — Eu não sou babá de patricinha mimada. Ela é insuportável. E provocadora. E debochada. E... — E tá mexendo contigo? Silêncio. — Não é disso que se trata. Ela é só... — Uma ameaça com perfume de jasmim? — ele completou. — Continua vigiando. Você é o único que consegue entrar. E se ela te quebra... você finge que não sentiu. Desliguei sem responder. Joguei o celular na cama, vesti uma calça de moletom e encostei as costas na cabeceira. Ainda só de calça, o peito nu suando mesmo sob o ar-condicionado. Fechei os olhos. Só por um segundo. A cabeça tombando para o lado. O corpo pedindo trégua. ... Clac. O som foi quase imperceptível. Abri os olhos. Olhei pro relógio digital sobre a cômoda. Duas da manhã. Levantei no ato. Pisei no chão gelado com o pé descalço. Peguei a pistola e coloquei na cintura, por instinto. O corredor estava silencioso, mas alguma coisa me puxava pra janela. Fui até ela. Lá embaixo, no jardim iluminado por refletores suaves, a água da piscina ondulava... E, dentro dela, como uma miragem — ela. Victoria. Sozinha. À meia-luz. Submersa até os ombros. Os cabelos escuros grudados nas costas. A pele branca brilhando sob o reflexo da água. Maldita garota. Desci as escadas em silêncio. Cruzei a ala leste e empurrei a porta de vidro com força controlada. A brisa noturna atingiu meu peito nu como um tapa gelado. Ela nem se virou. Apenas flutuava preguiçosa, os braços abertos, como se estivesse se oferecendo ao abismo. — O que faz aqui a essa hora? Não sabe que pode esta correndo perigo? — perguntei, minha voz cortando o ar como faca. Ela riu. Baixo. Irônica. Sem me olhar. — Eu gosto do perigo, sombra... Esqueceu que meu pai é o chefão da máfia? Dei mais um passo. A grama molhada sob meus pés. — Tô falando sério, garota. É perigoso. — E eu tô falando com sarcasmo — ela retrucou, finalmente me encarando. Os olhos dela eram dois buracos de perdição. A boca, entreaberta, desenhava o convite mais indecente do mundo. — Até que você é bonito... — disse ela, os olhos desceram. Exploraram. Meus ombros. Meu peitoral. Meu abdômen. Pararam ali, no limite da calça de moletom. — ...e tem um belo corpo, segurança. Não respondi. Não merecia resposta. Apenas respirei mais fundo. E falei, baixo: — Sai da piscina. Agora. Ela franziu o cenho. Revirou os olhos. — Vai se f***r, figlio di puttana. — disparou em italiano, nadando em minha direção. Cada braçada era lenta. Sensual. Letal. E quando ela saiu da piscina... Meu coração falhou uma batida. Ela usava apenas uma calcinha mínima, encharcada, colada ao corpo. Os s***s completamente à mostra, respingando água como pecado molhado. Gotas escorriam pelas curvas como mãos invisíveis. Ela parou diante de mim. Molhada. Sem vergonha. Sem medo. — Vai me dar bronca, segurança? Ou vai continuar me olhando como se quisesse me comer aqui mesmo? Desgraçada. Essa garota... Era a própria definição de caos. E eu? Eu estava prestes a mergulhar de cabeça. (***) Ela estava parada diante de mim, molhada, nua, desafiadora. O cabelo grudado no colo, a água escorrendo por cada curva como um elogio c***l ao meu autocontrole. E ainda assim, eu disse: — Você não faz o meu tipo. Mentira. Porra, que mentira. Ela era exatamente o tipo que destruía homens como eu. Com aquele olhar cínico, o corpo esculpido em arrogância, e a boca pronta pra provocar o pecado. Mas eu não podia. Não devia. — Tenho um trabalho a fazer — pensei, tentando me convencer. Prender o pai dela. Destruir a máfia. Encerrar essa missão. E, acima de tudo, não me perder nessa garota feita de veneno e sedução. Só que Victoria não permite controle. Ela é a exceção que sangra a regra. Ela deu mais um passo. A água pingava das pernas para o piso de pedra da piscina. Seus olhos fixos nos meus. Brilhando como farol de perdição. E então, ela estendeu a mão. Deslizou dois dedos gelados pela minha barriga. Subiu devagar, traçando o caminho entre os músculos tensionados. Passou pelo meu peitoral — onde o coração batia rápido demais — e chegou ao ponto exato. Ao volume que se formara sem minha permissão. Droga. Ela apertou levemente com a palma da mão, como quem testa o poder de destruição que tem nas pontas dos dedos. E, com um sorriso carregado de malícia, sussurrou: — Não é isso que ele está dizendo. Meus olhos arderam de raiva. De desejo. De frustração. — Não me provoca, garota — rosnei. — Não sou a pessoa certa pra você brincar. Ela inclinou o rosto, os lábios perigosamente perto dos meus. — Eu não quero brincar, Benjamim... Quero ser dominada. E quero saber... você pode me dominar? Inferno. Inferno. Meu autocontrole explodiu em mil pedaços. A mão que tremia de tensão virou garra. Agarrei sua cintura com força, sentindo a pele molhada e quente sob meus dedos. Ela soltou um gritinho de susto, uma mistura deliciosa de choque e excitação. Seus s***s se ergueram com a respiração ofegante, o peito subindo e descendo como uma batida tribal. E antes que ela dissesse qualquer merda... Eu a beijei. Forte. Quente. Com raiva. Um beijo que não pedia permissão. Um beijo que rasgava as regras. Que queimava a missão. E acendia o caos. A boca dela se abriu sob a minha como se já soubesse que isso ia acontecer desde o primeiro olhar. Me afundei nela. E ali, naquela madrugada amaldiçoada, com o céu estrelado como testemunha e o pecado escorrendo entre nossos corpos, me dei conta de que já era tarde demais pra voltar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR