Summer
—Olá, sejam bem vindos.
Uma mulher abre a porta, gesticulando para dentro da casa, não aparentava ter mais de quarenta anos, cabelos castanhos com alguns fios grisalhos que não passavam dos ombros, com um sorriso gentil estampado em seu rosto.
—Fiquem a vontade, estou feliz em conhecer vocês. Me chamo Aurora e esse é o meu marido Alessandro.
Um homem alto com aparência um pouco mais velha aparece no portal da grande sala, retirando uma das mãos do bolso da calça indo em direção ao meu pai.
—Senhor Sinclair, sejam bem vindos, quero que se sintam em casa —ele aperta firmemente a mão do meu pai, cumprimentando minha mãe em seguida.
Ele se volta para mim, estendendo sua mão em minha direção. Seguro sua mão, retribuindo o aperto com gentileza.
—Prazer em conhecê-la senhorita…—ele para, esperando que eu diga meu nome —Summer…me chamo Summer, o prazer é meu.
—Nos acompanhem por favor, o jantar está quase pronto.
Eles caminham em direção a sala de jantar me deixando para trás, observo o ambiente, com fotos e vasos caros de flores posicionados em cima de algumas estantes.
O arrepio familiar percorreu minha coluna antes mesmo que eu tivesse tempo de entender o motivo.
Havia alguém atrás de mim. Meu corpo reagiu antes da minha mente.
Virei-me por instinto e, no instante em que meus olhos encontraram aquele par de olhos negros, senti o ar desaparecer dos meus pulmões.
Não. Meu coração pareceu esquecer como bater. Eu conhecia aquele olhar, conhecia aquele rosto.
E em todas as pessoas que eu poderia encontrar naquela noite, ele era a última que eu queria ver.
—Merda… —murmurei, quase sem voz.
Meu corpo inteiro ficou rígido. Por alguns segundos, permaneci imóvel, como se o simples até de me mexer pudesse tornar aquela realidade ainda mais verdadeira.
Blake. Ali, bem na minha frente.
Então meus olhos correram pelo ambiente atrás dele. A sala elegante, os móveis escuros, os quadros nas paredes… tudo finalmente fez sentido.
Aquela não era apenas uma casa qualquer. Era a casa dele. E eu tinha acabado de entrar nela sem sequer saber.
Um sorriso lento surgiu no canto de seus lábios. Aquele mesmo sorriso arrogante que eu lembrava perfeitamente.
—Ora, ora… —sua voz baixa quebrou o silêncio.
Ele deu um passo em minha direção, e meu instinto foi recuar, e Blake percebeu, claro que percebeu.
—Se não é a Summer Sinclair…
O modo como pronunciou meu nome fez um arrepio percorrer minha coluna.
—O que você está fazendo na minha casa?
Minha cabeça ainda estava tentando processar aquela coincidência absurda.
—Eu não sabia que essa era sua casa.
Ele inclina a cabeça levemente, observando-me como se estivesse tentando descobrir quanto daquela resposta era verdade.
Então aquele sorriso arrogante voltou.
—Não sabia? —ele diz arqueando uma sobrancelha.
—Não —respondo
—Que pena.
Ele deu mais um passo, seu olhar percorrendo cada canto da minha pele exposta. E vi quando uma escuridão de puro prazer dançou em seus olhos.
—Por favor, jante conosco esta noite.
Ele aponta para a sala de jantar, com um sorriso arrogante no rosto.
Saio caminhando pela sala, deixando-o sozinho, mas sentindo seu olhar queimar em minhas costas nua.
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Comer era uma tarefa simples, mastigar e engolir. Mas se tornou impossível com Blake me encarando do outro lado da mesa.
Encarei o prato remexido, sentindo o olhar dele sobre mim a cada segundo, tomando meu espaço, meu ar.
—Você está bem? —ouço minha mãe perguntar com um tom preocupado —m*l tocou na comida.
—Estou bem eu só… —paro, sentindo Blake me fuzilar com o olhar —eu só preciso de ar… com licença.
Saio com passos largos da grande casa, sentindo o ar frio da noite, minha respiração estava fora de controle, o zumbido em meu ouvido atordoava cada pensamento.
O mundo girava, minhas pernas não respondiam aos comandos.
Aqui não, por favor, agora não
—Um… —respiro com dificuldade —dois…três…
As lágrimas começam a escorrer por meu rosto.
Passo a mão pela pequena cicatriz em minha clavícula. As lembranças da morte de Kalias, a forma como Blake me maltratava quando éramos crianças.
—Que droga… por que tínhamos que voltar? —respiro fundo, sentindo o ar frio invadir meus pulmões, juntamente com o aroma de perfume caro e amadeirado.
—Está fugindo de mim Summer? Ou você sempre sai correndo de um jantar? —Blake pergunta com certo sarcasmo na voz.
Céus se esse filho da p**a não me matar…sou eu quem vai matar ele.
—Blake, me faz um favor… —me viro, caminhando em sua direção, parando o encarando de baixo.
—Por que você não morre hum? Faria um grande favor para mim e ao mundo.
—Você sentiria minha falta amor é bem simples.
Seus olhos percorrem meu rosto, indo até meus lábios, descendo por meu pescoço, parando na pequena cicatriz em minha clavícula.
Um olhar que antes carregava malícia, agora carregava pura escuridão. Ele leva a mão até a pequena marca, a circulando com os dedos, fazendo minha pele queimar com seu toque.
—Nunca tive a chance de dizer o quanto lamento —ele diz com a voz rouca, encarando meu olhos novamente.
—Claro que não teve tempo…estava ocupado demais me derrubando pelos corredores da escola.
—Garantindo que a sua reputação ficasse intacta, enquanto a minha vida ia por água abaixo, aguentando o bullying, a morte de Kalias.
—Enquanto todos amavam você, queriam ficar perto de você —o desprezo tomando conta dos meus sentimentos.
—Eu desejava a morte a cada dia…uma criança não deveria sentir isso não é Blake?
—Todos tinham pena de mim, por tudo o que aconteceu. Eu não queria a pena de ninguém. Apenas que me aceitassem. Que você me aceitasse.
—E o que você fez? —esperei uma resposta, mas ela não veio.
—Exatamente. Não fez nada. Me diga Blake… já desejou a morte como eu a desejei?
—Eu nunca quis que fosse daquela forma…eu era uma criança imatura, que achava que precisava fazer tudo aquilo para gostarem de mim.
Encaro aqueles olhos, sentindo nojo das suas palavras.
—Isso Blake, continua mentindo para mim…que eu finjo que acredito em você.
—Fica longe de mim entendeu? Leva essas mentiras e arrogância para bem longe.
Um sorriso surge no canto de sua boca.
—Isso seria impossível meu amor, até por que você é minha desde o momento em que cruzou o meu caminho.
As mesmas palavras que diziam no bilhete em meu quarto.
—Foi você quem invadiu o meu quarto…COMO VOCÊ OUSA SEU DESGRAÇADO!
A confusão em seu olhar me fez editar por um momento.
—Não sei do que está falando, só soube que tinha voltado quando te vi parada na minha sala.
Ele segura meu queixo, obrigando-me a encara-lo.
—Você é minha, Summer. E ninguém vai chegar perto de você. Entendeu?
—Não faça joguinhos comigo querida, vai descobrir que odeio perder, e faço qualquer coisa para ganhar.
—Vai pro inferno Blake, você não é meu dono p***a.
Um sorriso sombrio surge em seus lábios.
—Eu não preciso ir para lá meu amor. Eu já vivo em um.
Ele se aproxima, perigosamente perto. Tão perto que qualquer movimento bastaria para transformar aquela provocação em algo difícil de ignorar.
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Entro no meu quarto em disparada, indo em direção a janela, me certificando que tudo estava trancado.
“Você é minha, Summer. E ninguém vai chegar perto de você. Entendeu?”
—Filho da p**a arrogante…
E sem que eu percebesse, estava lembrando de quando o vi parado atrás de mim. Com aquela postura arrogante com um olhar e sorriso malicioso.
Em como seus olhos passearam por meu corpo. Em como havia ódio em seu olhar quando viu minha cicatriz.
Poderia dizer que senti nojo do seu toque e seu olhar, mas seria uma grande mentira. Eu havia gostado e queria sentir seu toque novamente.