Como nós estávamos em um posto de gasolina abandonado, decidimos subir no telhado da loja de conveniência.
Lá em cima, haviam várias coisas, como colchões já forrados, e, pelo que parecia, as colchas estavam limpas. Foi ai que Zayn me explicou que as meninas trocavam toda noite.
"Elas podem ser garotas de programa, mas, acima de tudo, são garotas." Havia dito ele.
Parece que Zayn Malik não é tão b****a quanto eu pensava.
Haviam também algumas cadeiras, de plástico, ferro e madeira lá em cima.
Sem contar as várias latinhas, garrafas e vidros espalhadas, algumas quebradas, mas nada fora do normal.
Peguei uma das cadeiras e me sentei na mesma, olhando para as pessoas abaixo de nós.
Zayn se sentou ao meu lado e fez o mesmo.
Nós estávamos sozinhos aqui em cima e não tínhamos muita certeza se permaneceríamos sozinhos.
- É verdade mesmo? - Pergunta e eu o encaro. - Aquele lance de você ser sensitiva. - Sorrio de lado, dando os ombros.
- É... - Suspiro e encaro minhas mãos. - Quando eu era pequena eu via as coisas, sabe? Mais especificamente as pessoas. - Zayn arqueia as sobrancelhas. - Mas eu não conseguia ver os rostos... Eles eram... Borrados. - Franzo o cenho. - Quando eu cresci, parei de ver as coisas desse jeito... Comecei a ver de outro jeito. - Sorrio de lado e ele apoia um de seus braços em minha cadeira.
- E como isso funciona? - Solto uma risada nasalada. - Quer dizer, você é sensitiva, ok. Mas... Como isso funciona? Você vê as coisas, ouve as coisas... As coisas de mexem misteriosamente perto de você...? - Reviro os olhos, sorrindo de lado e ele sorri. - Mas agora é sério... - Nos encaramos. - Me explica.
- Bom... É como se eu visse as coisas, só que... Sem necessariamente ver as coisas. - Ele franze o cenho e eu me viro para ele. - É tipo assim... Eu não vejo ninguém fisicamente, nesse plano astral... - Ele concorda com a cabeça e eu percebo que ele estava realmente entendendo o que eu queria dizer. - Mas é como se eu conseguisse ver eles com a minha alma, entende? - Ele sorri de lado, concordando. - Exemplo... - Bato as mãos. - Olha em volta e me fala o que você vê. - Ele olha em volta e em seguida me encara. - Nós estamos sozinhos, né?
- É... - Ele sorri.
- Porém... Eu consigo "ver"... - Faço aspas com os dedos. - Na verdade, sentir, que ai atrás de você tem um garotinho. - Zayn arregala os olhos e eu sorrio de lado. - Arrepiou, não foi? - Ele se vira, procurando por alguma coisa.
- Nossa, Rainbow, como você é engraçada... - Diz, irônico e eu arqueio uma sobrancelha.
- Não tô mentindo, Zayn... Ele continua ai. - Aponto com a cabeça e Zayn me encara, sério. - Relaxa, ele não vai fazer nada... - Me arrumo na cadeira. - Sabia que às vezes os espíritos não querem te machucar? - O moreno arqueia as sobrancelhas. - Às vezes, você está caminhando na rua, em um dia normal... Mas os espíritos que ainda tem assuntos inacabados ou simplesmente não conseguem encontrar a paz também vagam por ai... - Nos encaramos. - Eles não podem interagir um com os outros... Mas, você pode chamar a atenção de algum deles. E eles te seguem, apenas querendo conversar. Arrepiou de novo, não foi? - Zayn revira os olhos e eu solto uma risada nasalada.
- Não ri, Rainbow. Eu tô arrepiando real. - Me encara e eu sorrio de lado.
- É, eu sei...
- Mas e ai? O que eu preciso fazer pra mandar o pirralho embora? - Arqueio as sobrancelhas, encarando Zayn. - Tá, desculpa... Garotinho que quer conversar. - Diz, olhando em volta e eu sorrio.
- É simples... - Nos encaramos. - Quando você sentir a presença dele apenas diga que você não quer conversar. Que você não quer que ele fique te acompanhando. Não precisa dizer em voz alta, pode dizer apenas no seu pensamento. - Zayn molha os lábios e respira fundo. - Não foi difícil, foi? - O moreno me encara. - Arrepiado? - Sorrio e ele revira os olhos mais uma vez.
- Ele foi embora? - Pergunta, me encarando.
Olho para onde o "garotinho" estava e volto a encarar Zayn.
- É... Ele foi. - Sorrio de lado.
- Você conversa com eles? - Me surpreendo com a pergunta.
- Achei que você estaria agora me chamando de louca ou mentirosa. - Digo e ele sorri.
- Nah... Acredito em você. - Nos encaramos e eu sorrio.
- Não com todos. É coisa de espírito... Pelo menos, eu acho. Consigo conversar com alguns, ou apenas escutar o que eles querem dizer... É como se eu falasse com eles, mas não em voz alta. Com alguns eu consigo conversar "normal"... - Faço aspas e Zayn sorri. - Com outros, apenas não...
- E você vê coisas ruins? - Minha coluna se arrepia por inteira e eu encaro o moreno.
- A maior parte do tempo... Sim. - Engulo em seco e ele se arruma na cadeira, me encarando. - Várias vezes eu sinto que algumas coisas ruins estão atrás de mim... Eu as vejo às vezes... E às vezes eu escuto suas vozes... - Engulo em seco, sentindo minha garganta secar. - Algumas vezes, as vozes estão apenas na minha cabeça. É uma das causas da minha dor de cabeça constante. - Tento sorrir, sem mostrar os dentes.
Porém, Zayn percebe que eu havia ficado desconfortável com a situação e leva a sua mão que estava na cadeira até meu rosto, acariciando o mesmo.
- Você não precisa ter medo. - Solto uma risada nasalada. - É sério. Eles não podem te machucar... - Nos encaramos. - Podem? - Franze o cenho e eu fungo.
- Nesse plano astral não. Mas, quando nós dormimos, nossa alma vaga por ai no meio daquelas que ainda estão presentes... E... - Engulo em seco, encarando os olhos do moreno. - Às vezes, os espíritos podem me machucar, sim... Porque acha que eu apareço com aqueles roxos pelas pernas e braços de vez em quando? - Sorrio de lado. - Mas não.;; Eu não tenho medo.
- Eu nem perguntei ainda. - Diz, com o cenho franzido e eu arqueio uma sobrancelha, sorrindo de lado. - Sensitiva. - Balança a cabeça e eu dou os ombros. - Você é estranha, princesa. - Me encara, sorrindo de lado e eu coloco uma mecha do meu cabelo para trás.
- Eu sei... - Sorrio de lado e Zayn se aproxima um pouco de mim, levando sua mão, que estava em meu rosto, até minha nuca.
- E é exatamente isso que eu gosto em você. - Diz, próximo aos meus lábios e eu suspiro, fechando os olhos.
Em seguida, levo minhas mãos até o rosto de Zayn e selo nossos lábios em um beijo calmo e suave.
Porra, Malik... Por que você tinha que beijar bem?
Zayn leva sua outra mão até minha coxa, apertando a mesma levemente e eu arfo entre o beijo.
O moreno aprofunda ainda mais o beijo, que começa a ficar mais rápido e eu paro o mesmo, mordendo seu lábio inferior levemente.
Nossas respirações ofegantes se chocavam e eu abri os olhos, encarando a boca de Zayn, que estava entreaberta.
Levo meu olhar até seus olhos e ele sorri de lado.
- Dívida paga. - Digo e ele solta uma risada nasalada, se afastando um pouco, passando o polegar pelo seu lábio inferior.
Ele me encara e eu sorrio de lado.
- Beijo gostoso, hein, Gray... - Tento esconder um sorriso, sentindo minhas bochechas esquentarem. - Ah, que belezinha, ficou com vergonha. - Sorri e aperta as mesmas de leve, me fazendo rir.
Em seguida ele deposita um selinho demorado em meus lábios, me fazendo sorrir quando nos separamos.