Paula narrando Eu estava sentada no chão frio daquele cômodo escuro, com uma corrente apertada no tornozelo. Cada tentativa de me soltar era inútil — eu já estava com a pele marcada, machucada de tanto puxar e forçar. A dor ardia, mas eu me recusava a desistir. Minha mente fervia em desespero, medo e arrependimento. O som da porta se abrindo me fez congelar. Virei o rosto rápido para ver quem era. Meus olhos encontraram Mateus entrando, e a expressão dele era tão fria quanto o ambiente ao nosso redor. — Veio terminar o que seu amigo começou? — perguntei, minha voz carregada de ironia, mas meu corpo inteiro tremia. Mateus apenas me encarou com dureza. — Ainda não — respondeu ele, andando lentamente até ficar bem na minha frente. — Mas daqui a pouco ele mesmo termina. O ar parecia mais

