Precisei martelar cinco, seis vezes para que a estaca finalmente atravessasse aquele coração amaldiçoado. Assim que o atingi, a criatura emitiu o grito característico do aniquilamento, agudo, estridente, perturbador. E logo seu rosto recuperou o semblante humano da recém-morte. Exausto, apoiei-me no ataúde e a olhei novamente; percebi, então, a beleza daquela que já fora uma mulher. Jamais vira outra tão linda. Na quietude do sepulcro, então, eu ouvi... Faça! Ordenou-me a voz que há muito eu não ouvia. Faça! Ela repetiu, segura de seu domínio sobre mim. Eu tentei, juro que tentei calá-la... Anos de terapia, centenas de reais em pílulas e a voz voltava a me dominar. Distanciei-me do caixão apenas o suficiente para respirar fundo e a voz repetiu sua ordem imunda: Faça! Reaproximei-me do corpo vagarosamente e o observei. Afastei uma fina mecha do cabelo n***o que cobria o seu rosto. Ela era realmente linda! Toquei seus lábios arroxeados e frios e estremeci. Eu a queria. A voz calou-se, sorrindo diante de minha fraqueza. Com dificuldade eu retirei o corpo do caixão e o acomodei no chão do mausoléu. Logo anoiteceria e eu teria que ser rápido; haviam outros como ela no cemitério e eu não estava preparado para enfrentá-los. Descalcei seus sapatos e meias, toquei seus pés, gélidos, suas longas pernas e, erguendo seu vestido, cheguei ao seu s**o. Retirei sua calcinha, abri as minhas calças, afastei as suas pernas e a penetrei. A cada movimento meu eu deixava de perceber a estaca, que afundava no peito dela em meio ao profuso sangue coagulado. Eu realmente precisava ser rápido. Prestes a ejacular, arfando como o p********o que eu era, não percebi a noite cair sobre mim. Não percebi que a estaca... Enquanto eu gozava, ela abriu os olhos e me abocanhou.