Cecilia
Há dias vejo meu pai ando dentro dessa casa como se o mundo fosse acabar, sei que as contas da fazenda andam no vermelho já faz alguns anos, houve algumas ocasiões que aconteceram coisas bem estranhas por aqui que o forçaram a pegar empréstimos, mas algo pior aconteceu, algo que não o deixa ele olhar em meus olhos nos momentos em que estamos juntos.
- Maria, o quê está acontecendo, porque meu pai está assim? _ Maria é nossa empregada de confiança e mais antiga, desde que minha mãe estava viva.
-Não sei menina, por que não conversa com ele e descobre._ela também não me olha nos olho, sei que está mentindo.
- Vocês estão me escondendo alguma coisa, acha que não sei?... Ele está fugindo de mim, isso não adiantará sabem que uma hora vou descobrir, não é?
- Sei minha menina, oh se sei, mas não posso dizer nada, não é com essa velha aqui que você vai descobrir, vai lá conversar com ele vai que vou terminar a janta. _ saio da cozinha ainda mais encafifada, Maria sempre me dá alguma dica quando acontece alguma coisa, com certeza algo muito sério está acontecendo.
Ando pelo corredor apressada já que começo a ouvir vozes alteradas, meu pai é um homem bastante calmo, portanto não é ele que está falando alto, mas não consegui distinguir reconhecer quem está falando e nem reconhecer o dito cujo que está fazendo um estardalhaço em minha casa quando chego a sala.
- Você sabe muito bem do que sou capaz, vai mesmo querer brincar comigo com essa conversa fiada para meu lado, seu velho desgraçado, sabe que sempre consigo o que quero._fala um homem alto apontando o dedo para meu pai, ele é um pouco grisalho, robusto com uma cicatriz na lateral do rosto que se perde no cabelo atrás da cabeça, deixa o ar frio com suas ameaças.
- Eu... eu... (meu pai)
- Senhor, o que se passa, por que está falando assim com meu pai? _ interrompi meu pai antes que ele consiga responder ao homem, ele ficou tão aterrorizado com a minha chegada que no mesmo instante volta seu olhar para mim, pedindo para eu me retirar.
- Pelo visto seu querido pai não te deixou a par das notícias ninfetinha._diz ele sarcástico.
- Pai, qual problema, o que está acontecendo para esse senhor falar desse jeito?
- Deixa que eu respondo Mario, seu querido papai rsrsrs me deve,me deve horrores, mas ele disse que não tem como pagar, alguma sugestão ninfetinha?
- Meu nome é Cecilia, tenho certeza que se o senhor nos der um tempo poderemos encontrar um meio de pagar, teremos uma boa colheita esse ano, tenho certeza que poderemos quitar a dívida._ digo séria tentando me controlar, pois minha vontade é pular no pescoço desse mau encarado e mostrar para ele quem é a ninfetinha.
- Kkkkkkkkkkkkk, nem se você fizesse mil colheitas como essa que virá poderiam me pagar._diz me deixando apavorada, olho para meu pai buscando alguma negativa, então ele confirma com um pequeno gesto com a cabeça.
- Podemos parcelar Martin, você sabe que sou um homem de palavra e vou quitar as dívidas._diz meu pai, mas pelo seu tom acho que ele sabe que não vai rolar.
- Você me acha um t**o Bonerges, quanto tempo faz que você me pagou uma mixaria, hein?...uns três anos e te dei um tempo para conseguisse mais, dessa vez que volto aqui você não tem nada, acha que sou o****o Borneges?
- Claro que não Santiago, sei que estou em divida, mas nesses anos tivemos uma perda considerável da colheita o que sobrou mau deu para pagar os funcionários._meus pai tenta explicar, mas de repente para com o aceno de mão do Martin. então meu pai arregala os olhos ao constatar que o homem me encara, rapidamente meu pai se coloca em minha frente, sem dizer nada e os dois se encaram. “p***a estamos devendo para máfia”
- Ela é muito parecida com Celina, não acha Borneges? Enquanto você me enchia seu bla bla, estive pensado, tenho uma proposta para vocês... ela se casa com meu filho mais velho, como pagamento. _ fico estática por alguns segundos, sem saber o que fazer, vejo tanta maldade no olhar desse homem e sua expressão em que a cada palavra parece que esconde algo e isso me causa medo.
- Não. _ meu pai responde de imediato.
- Nesse caso fico com a fazenda, estou mesmo pensando em ampliar minhas terras._diz nos testando.
- Aceito, desde que deixem meu pai em paz._ responde nem mesmo querendo saber quem é o cara, meu pai é tudo para mim, depois que minha morreu fez de tudo para eu me sentir amada e cuidou de tudo sem reclamar.
- Kkkkk, ela mais corajosa que você Borneges com certeza herdou isso de Celina, mas não se empolgue muito ninfetinha, sua b****a não vale tanto, aceito como parte do pagamento apenas, deixarei que seu pai pague o restante parcelado.
Depois disso ele vai embora , não antes acertar alguns detalhes e me deixar apavorada com meu futuro marido, mas acho que nada me assusta mais do que o olhar desse velho asqueroso, pelo menos vou dá um pouco de paz ao meu pai, ele nesses últimos dias seu aspecto físico é de dar dó, olheiras salientes, está mais magro e com certeza não tem dormido.
- Minha filha, o que você fez com sua vida ao aceitar esse casamento? O filho desse homem ainda é mais terrível que ele. _diz meu pai.
- Não se preocupe pai, com certeza eu vou domar a fera.
- Não se engane menina se tudo que falam deles for verdade, eles são uns monstros.
- Que nada pai, são só boatos de pessoas amedrontadas com o jeito desse velho que dá até arrepios._ falou tentando tirar as preocupações de meu pai, ainda que esteja tremendo por dentro.
- Vamos jantar que com certeza pelo cheiro Maria já terminou o jantar.
- Você não leva nada a sério né menina?_diz meu pai por hora concordando comigo enquanto me segue para mesa.
- Então o que resolveram?_ pergunta Maria trazendo um assunto que queria não mais falar por hora.
- Essa maluca Maria, concordou em casar com o filho daquele homem terrivel. _ respondeu meu pai ficando vermelho.
- Eu não acredito! Minha menina, ele é um monstro._diz ela horrorizada.
- Calma os dois, eu preciso do apoio de vocês e não que me deixem em pânico, vai dar tudo certo._ digo incerta tentando passar confiança.
- Filha, você precisa fugir e ir para casa de suas tias o mais rápido possível, - Maria arrume as coisas dela que ela vai assim que amanhecer._diz meu pai apavorado.
- Mas nem de pensar, Maria não precisa fazer mala nenhuma.
- Mas minha menina...
- Já disse que não vou fugir, aquele homem não é flor que se cheire e com certeza se eu fugir ele fará algo contra você pai e irá atrás de mim, só pela afronta._ digo categórica.
- Filha...
= Por favor pai, vamos jantar em paz, isso está decidido, faço pelo senhor, pela mamãe ... faço por nós, não aguentaria ver o fruto do trabalho vocês indo parar nas mãos daquele homem e isso tudo vira pastagens para seu gado. só fique ao meu lado é tudo que preciso.
- Tudo bem meu amor. _ ele assentiu então nos abraçamos, terminamos nosso jantar em um clima calmo, ainda que tudo estremeça dentro de mim, tento o máximo não transparecer para eles o que estou pensando e sentindo nesse momento.
Vou para meu quarto coloco um som e danço enquanto choro, só através da música consigo expressar a dor que sinto, sempre sonhei em construir minha família aqui nesta fazenda, com o homem que um dia fosse amar, queria ter muitos filhos correndo por essa casa, tudo que não tive por ser filha única.
Nunca me faltou amor dos meus pais, mas sempre sentir falta de ter alguem da minha idade perto a mim, salvo quando ia ter com meus familiares encontrava minhas primas Nicole, Marcia e Angela aí sim a bagunça era garantida, crescemos e nos tornamos melhores amigas, fizemos faculdade juntas e aprontamos bastante, tive alguns casinhos que não evoluíram para lugar nenhum, me deixando com minha virgindade intacta coisa que agora diante desta situação me arrependo bastante, vou casar com um cara que todos chamam de açougueiro as escondidas, por causa da máfia que comanda este lugar e com certeza ele pertence.