Irlanda, dias atuais.
Nascida e tendo vivido parte de sua vida em um bairro nobre da cidade de Dublin, Lindsay Sullivan estava vivendo seus dias mais felizes, ela havia acabado de concluir seu curso de arqueologia e estava preparando tudo para a sua formatura. Lindsay era a filha única de Durval Sullivan, um famoso neuro cirurgião respeitado em todo o país, no entanto, ela era filha de sua segunda esposa. Isso por que em seu primeiro casamento Durval não havia tido filhos por conta da esterilidade de sua primeira esposa, mas um acidente fatal acabou tirando a vida de sua mulher fazendo com que Durval caísse em uma profunda depressão. Porém, assim como as estações do ano, o inverno na vida de Durval chegou ao fim quando conheceu Amanda Freeman, uma enfermeira britânica que foi trabalhar no mesmo hospital que ele. Os dois acabaram se apaixonando e tempos depois se casaram e teve uma linda menina, Lindsay.
Lindsay nasceu quando seu pai havia completado 45 anos de idade e por isso ele a tratava como sua joia mais preciosa, porém, a faculdade de arqueologia não era bem aquilo que seu pai havia sonhado para a moça.
― Vinda de uma família tradicional de médicos, nossa filha resolveu escolher justamente a arqueologia como sua profissão. Sinceramente eu não sei de onde foi que ela tirou essa ideia. ― disse Durval enquanto tomava chá com seu irmão Gael, sua esposa Manda e sua cunhada Sheila na sala, sentados no sofá.
― Isso se deve ao fato de você ter dado muita liberdade para a sua filha, Durval. No fundo eu sabia que uma coisa dessas poderia acontecer. ― comentou Gael de forma crítica.
― Você fala, meu cunhado, como se minha filha tivesse virado uma marginal. Mas é exatamente o contrário! ― rebateu Amanda. ― Eu também queria que a Lin tivesse escolhido seguir a carreira de seu pai, mas se essa foi a escolha dela, devemos respeitar.
― Sim, nobre cunhada. ― Gael replicou. ― Porém como disse meu irmão, Lindsay descende de uma tradicional família de médicos, uma arqueóloga irá ser motivo de chacota diante do restante da família nos encontros futuros. Isso também é fato!
― É triste saber que a Lindsay não escolheu o caminho que havíamos sonhado para ela, Gael, mas como disse Amanda, devemos respeitar a escolha de nossa filha. Pouco me importa com o que nossos tios e tias irão dizer, o que importa é que minha filha seja feliz. ― Durval respondeu com um largo sorriso.
Porém Gael era muito tradicionalista e não aceitava certas circunstâncias e novamente discordou de seu irmão. Ele disse que os filhos deveriam seguir o conselho de seus pais, pois estes sabiam o que lhes era melhor. Amanda arregalou os olhos sem acreditar no que estava ouvindo, mas Sheila fazia questão de apoiar cada sandice dita pelo marido. Lindsay entrou na sala, ela não havia ouvido toda a conversa, mas chegou a tempo de ouvir seu tio reprovando-a. A jovem não aguentou e disse umas verdades para ele.
― Me desculpe entrar assim sem avisar, mas não pude deixar de ouvir seus comentários, meu tio. O senhor fala no que é bom para os filhos dos outros, mas não vê que as escolhas que fizera para os seus filhos foram todas um fracasso. ― ela falou, seus pais franziram o cenho.
― Como você pode dizer uma coisa dessas, menina? ― Gael retrucou. ― Meus filhos se formaram e hoje são médicos valorosos e sua prima Deborah está prestes a se formar. Ela já tem emprego garantido na Universidade onde fará parte de um importante projeto científico. E você vem me dizer que eu fracassei?
― Sim! Eu não discordo que o senhor tenha formado bons profissionais. ― Lindsay rebateu. ― Mas eu não vejo como conquista obrigar os filhos a fazerem o que eles não querem. Veja o Owen, além de ter se formado em uma profissão que ele não queria, você o convenceu a se casar com uma garota que ele não amava. Por conta disso ele preferiu ir para a África do que ficar aqui. E o Rile? Esse é outro coitado! Vive tomando remédios para dormir de tão infeliz que é e você vem dizer que tudo isso é uma conquista? ― ela perguntou acendendo a fúria de seu tio.
― Ora, sua...
Ao perceber a alteração na voz de Gael e a menção em ir na direção de Lindsay, Durval levantou-se e advertiu o irmão.
― Veja bem o que você vai falar e fazer, irmão! Não vi e nem ouvi inverdades vidas de minha filha. ― calmamente tomou as rédeas da situação. ― E quanto a você ― Durval voltando-se para Lindsay ― modere o tom quando se dirigir ao seu tio ou a qualquer outra pessoa desta família que seja mais velha do que você!
Lindsay se calou e subiu para o seu quarto, Gael havia conseguido estragar seu dia. Na sala, Durval continuou conversando com seu irmão e sua cunhada, Amanda também não havia gostado da forma com que Gael levantou-se contra Lindsay, ela chegou a pensar que não fosse a intervenção de Durval, Gael a teria agredido. Mesmo Durval explicando que Lindsay era apenas uma jovem cheia de energia, Gael decidiu que já era hora dele e sua esposa irem embora.
Após a saída de Gael, Amanda e Durval foram até o quarto de sua filha, a jovem estava abraçada a um travesseiro. Ela não chorava, mas estava pensativa então seus pais sentaram-se ao seu lado.
― Não precisava ter falado daquele jeito com o seu tio. ― disse Durval. ― Ele é um bobo e todos sabem disso e que seus filhos são infelizes, todos também o sabem.
― Eu também não sei por que fiz aquilo. Na hora tive raiva, mas depois percebi que o tio Gael não passa de um bobo que só pensa em satisfazer o próprio ego. ― respondeu Lindsay. ― Me desculpe ― ela olhando para os pais.
― Não tem nada do que se desculpar, amor! ― Amanda acariciando os cabelos da filha. ― Seu pai e eu entendemos seu ponto de vista, mas também, como nossa família é tradicional, não fica bem uma moça se dirigir aos mais velhos dessa forma. Agora não vamos mais pensar nisso, pois você se forma amanhã!
― Quer dizer que vocês vão na minha formatura? ― ela perguntou com lágrimas nos olhos.
― E quem disse a você que não iríamos? Lindsay como seus pais, você acha que perderíamos o dia mais importante da vida de nossa filha? ― Durval concluiu dando um abraço apertado em Lindsay. Amanda se juntou a ele e os três ficaram ali na cama como a família feliz e unida que sempre foram.
***
No seguinte, Lindsay estava uma pilha de nervos. Suas melhores amigas foram até sua casa para ajuda-la a se arrumar, mesmo assim ela ainda estava insegura.
― Gente, será que vai dar tudo certo? ― perguntou segurando a mão de sua melhor amiga, Lenna.
― Claro que sim! ― Lenna respondeu sorrindo. ― Agora se você não ficar quietinha, dona Lindsay, seu penteado vai sair todo torto e sua maquiagem borrada. ― elas caíram na gargalhada.
O momento da formatura c havia chegado e mesmo pensando que poucos de sua família estariam presentes, Lindsay se surpreendeu ao ver os mais tradicionais da família Sullivan ali, inclusive seu tio Gael. Lindsay estava nervosa, mas ao olhar para trás e ver seus pais orgulhosos dela, a garota sorriu e olhou para frente, não para o púlpito, mas para as conquistas que seus esforços nos estudos lhe proporcionariam. Ela também tinha uma pessoa na Universidade que a ajudou a se tornar o destaque entre os acadêmicos, ele se chamava Sean Byrne, um arqueólogo PHD cuja especialidade era o antigo Egito. Sean era um homem de meia idade, viúvo e sem filhos, ele decidiu ficar sozinho e dedicar a vida somente à sua carreira. Ele fez questão de falar no momento da entrega do diploma de Lindsay.
― Eu nem sei o que dizer e nem como dizer! ― falou arrancando uma risada da plateia. ― Mas posso começar dizendo que é uma honra estar aqui participando desse dia tão especial para os alunos que eu ajudei a formar. E eu quero dizer para cada um deles, em especial para você Lindsay ― ele olhou para a garota que estava ao seu lado ― mesmo eu não tendo recebido a graça de ser pai, eu me sinto como pai de cada um de vocês. E quanto a você, Lindsay, você se destacou de uma forma brilhante, fiolologia, gemologia, dentre outras coisa você se destacou e digo isso com o aval de seus colegas e amigos.
Nesse momento Sean foi interrompido pelos aplausos dos outros acadêmicos. Depois prosseguiu.
― Agora eu faço questão de entregar o diploma a você e dizer que para alguém tão talentoso isso é apenas o começo! E o mesmo digo a cada um de vocês!
Lindsay recebeu o diploma das mãos de seu professor, ela não segurou as lágrimas e chorou de emoção. Logo em seguida houve o tradicional atirar os chapéus para cima. Lindsay agora era oficialmente uma arqueóloga formada.
Na festa tudo ocorreu perfeitamente bem, não fosse pela presença indesejada de seu ex namorado Brian que fez questão de dizer que parabenizava a jovem, mas que ela iria fracassar assim como todos os que escolhem o caminho que ela escolheu. Lindsay não deu muita importância, mas seu coração disparou ao ver que Brian estava acompanhado de sua prima Deborah, a filha mais nova de seu tio Gael. Durval vendo que a filha estava triste a consolou dizendo que ela merecia coisa muito melhor.
― Tem razão pai, os dois são idiotas e não vou estragar a minha festa por causa deles. Eu te amo muito! ― Lindsay deu um beijo no rosto de seu pai e voltou para junto de seus amigos.
Passadas algumas horas, Durval foi até Lindsay dizer que já estava de saída, pois Amanda estava com sono, ele se despediu da filha e virou as costas. Lindsay saiu correndo, ela avisou ao pai para dirigir devagar, Durval respondeu que a veria em casa, ele piscou um dos olhos e juntamente com Amanda foi para o carro. Minutos depois Lindsay recebeu a notícia de que o carro de seus pais havia colidido com outro. ― Não! Meus pais!