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1211 Palavras
Helena: Domingo resolvo comprar pão, minha cozinheira não estava trabalhando, então eu teria que fazer meu próprio café e claro que não ficaria tão gostoso e bonito quanto o que ela faz todos os dias, mas daria para comer. Vou caminhando até lá, era mais ou menos duas quadras depois da minha casa, o céu estava muito escuro. Chego no local, faço meu pedido, pago e logo recebo o que solicitei, então saio dali. Caminho para casa, mas no meio do caminho a chuva cai forte, então começo a correr, até que alguém com uma sombrinha grande vem para perto de mim e me abraça de lado, me fazendo parar. — Obrigada — falo e olho para a pessoa. — De nada — sorri gentilmente. — Você? — arqueio a sobrancelha. — Oi, senhora — agora fica constrangido. — O que faz aqui? — Pelo visto, a senhora não acha que eu possa frequentar o lado rico da cidade. — Claro que não é isso, mas em um dia de domingo é incomum… — Por que trabalhadores não conseguem pagar um aluguel por aqui? — Eu não quis dizer isso… — O que quer dizer então? — Nada. Obrigada, mas posso correr na chuva até em casa. Saio de baixo do guarda-chuva, sentindo as gotas geladas sobre minha cabeça, mas ele puxa meu pulso e volto para o mesmo lugar. — Me solta! — Falo irritada. — Não vai querer ficar resfriada ao sair nessa chuva forte… como continuará pagando sua mansão se não puder trabalhar? — Não quero incomodar ou ser interpretada de uma forma errada. — Sem problemas, senhora, eu te levo até em casa. Então, andamos até minha casa, seu braço agora estava sobre meu ombro e andávamos lado a lado. Chegamos à casa e eu entro, ele fica na porta parado olhando para o céu. — Não vai entrar? — Não fui convidado. — Entra. O mesmo deixa a sombrinha no canto da parede escorrendo a água e entra, solta o cadarço. — Não precisa tirar o sapato. — Está molhado. — Tem uma pantufa atrás da porta, põe ela para não ficar doente. Ele faz o que digo, então falo para ficar à vontade, pois eu iria trocar a roupa molhada. Vou até o quarto e procuro uma roupa quente e confortável. Após vestida, saio do quarto, vou até a sala e o encontro olhando os quadros na minha parede. — Você é a Maria Helena Farzar? — questiona ao ouvir meus passos. — Não sabia? — pergunto como se fosse óbvio saber quem sou. — Não. O mesmo se vira e me olha assustado. — Quer um chocolate quente? — Não precisa fazer tudo isso por mim. — Não gosta de chocolate quente? — Já vou indo, senhora — o mesmo se vira e vai andando. — Acho que está chovendo muito, se morar muito longe, bom seria esperar a chuva diminuir, mas se morar perto, vai com Deus. Vou para a cozinha e começo a pegar as coisas para fazer a bebida. Após minutos, o mesmo se aproxima calmamente e se senta à mesa. — Vai querer marshmallow? — É bom? — olho para ele e sorrio. — Vai gostar. Faço a bebida e logo nos sirvo, ponho os marshmallow em uma vasilha de vidro e ponho no meio de nós, então fomos bebendo e comendo. — Você é podre de rica… como conseguiu? — Trabalhei — digo óbvia. — Não, você não trabalhou — diz sério. — Claro que trabalhei. — Não, senhora, eu trabalho desde os meus 10 anos e não fiquei rico até hoje. — Quer um curso agora? — questiono irônica. Ele suspira, bebe todo o líquido do seu copo, vai até a pia, lava e põe para escorrer a água. — Obrigado por tudo. Agradece e se vai, na hora fico sem entender e até me questiono algumas vezes sobre o que pode o ter entristecido, mas logo tiro da mente, pois hoje tinha que descansar para amanhã ser muito produtiva. *_________________________________* Dia seguinte, estava eu na empresa, especificamente na área de produção, e nosso mais novo produto estava ganhando forma. Ele era um perfume para a alta sociedade e por isso sua embalagem era dourada, lembrava riqueza e luxo. Sua fragrância me lembrava infância, flores, doce, madeira e sorrisos. Infância e sorriso: pela alegria e inocência de uma criança. Flores: devido ao jardim da vizinha, que sempre me pedia ajuda para cuidar delas. Doce: Que às vezes, após um porre, meu pai me dava doces para eu ficar quieta. Madeira: Pelo cheiro amadeirado do meu padrinho, que era bem de vida e me dava abraços quentinhos. — Está lindo demais — diz a Zoe. — Verdade. — A senhora, como sempre, lançando diversos sucessos. Já pensou no lançamento? — Ainda não — respondo distante, estava vidrada no meu perfume. — Poderíamos oferecer uma festinha, ou uma recepção para empresários e famílias, seria ótimo também. — Verdade. — Está distante, senhora… está bem? — Me diga Zoe, eu com 29 anos, sem marido e filho, é algo r**m? — Na minha opinião, a senhora tem que seguir de forma que esteja feliz, não deve se importar com o que os outros pensam ou queiram. E minha mãe diz sempre que homem só dá trabalho e filho deixa a gente louca. — Para meu trabalho, é algo r**m? — Nesse caso, prefiro que a senhora veja as revistas e programas de fofoca, eles falam bastante da senhora, sua opção s****l e algumas outras coisas. Mas eu não acho que a senhora tenha que ser pressionada por isso, as pessoas falam m*l de todos, exigem muito de todos. — Quero um bebê, mas não quero um marido. — Já pensou em adotar? — Sim, e acho incrível, mas eu gostaria muito de sentir minha barriga crescer, amamentar, escolher o nome ao ouvir o coraçãozinho bater. — Inseminação artificial. Logo surge uma lâmpada em cima da minha cabeça. — Tem razão. Zoe anuncia um trabalho nos jornais. Sabe aquele galpão? Quero que arrumem ele para eu fazer as entrevistas lá. — Trabalho? O que isso tem a ver com filhos? — Quero escolher o pai do meu bebê, preciso de médicos para avaliar um pouco cada um deles e conforme for passando na entrevista, faremos avaliações mais precisas. — Sério? — a mesma olhava confusa. — Sim. Vamos pagar um valor simbólico para todos que se candidatarem, mesmo após saber os requisitos e o escolhido, faremos um acordo que pagará bem. — Vai gastar seu dinheiro para comprar um doador de sêmen? — Todos que se propõem a ir a uma entrevista estão querendo um trabalho, então acho justo pagar para passarem pela entrevista, mesmo que não sejam escolhidos. — Sabe que, se for em uma empresa especializada, eles terão todos os sêmens necessários, com as características dos pais e informações, não sabe? — Quero saber tudo sobre o pai do meu bebê, traumas, problemas, área física, financeira, familiar. Tudo isso pode interferir na vida do meu filho, então vou saber antes para resolver quando chegar a hora. — Se a senhora está decidida, então irei fazer o que me foi solicitado. A mesma sai e eu volto a encarar o perfume.
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