Helena:
Chegamos ao local e, de fora, já dava para ver o bom trabalho da Zoe, tudo estava muito lindo. Estava nervosa, não parava de chegar pessoas.
Entrei em fim com a ajuda do Gean e curtimos minha noite, estava tudo sendo incrível, até que chegou a hora do discurso.
— Boa noite para todos. É uma honra ter cada um de vocês aqui conosco, nesse grande evento que parece o primeiro que estou fazendo. É uma alegria infinita e não tenho como descrevê-la. Obrigada por comparecerem e vir conhecer esse novo produto que fala sobre minha vida. […]
Depois do discurso, agradeço novamente e voltamos a curtir a festa, que durou horas.
— Aonde vamos? — questiono, pois Gean segura minha mão e sai andando, me puxando devagar.
— Ali fora.
Sorri misterioso. Fomos então para o segundo piso e lá tinha uma porta, que ele abre e saímos para o terraço. Olho ao redor, antes de sair pela porta, e percebi que todos estavam se divertindo e nem notaram nosso sumiço.
— O que viemos fazer aqui? — esfrego os braços devido ao vento frio.
— Preparei algo para você — o mesmo tira o paletó e põe sobre meus ombros para me esquentar.
— Obrigada — sorrio.
Ele põe a mão no bolso e tira algo de lá, pega minha mão, a deixando estendida no ar, logo após prende uma pulseira feita de fita, fio colorido e pequenas miçangas de roupa.
— Sei que não é nada que está acostumada a usar, não tem ouro, prata, ou pedras preciosas, mas pensei que fosse um presente legal, para uma mulher incrível como você.
— Você fez? — meus olhos marejam.
— Sim.
— Hoje?
— Não… fiz já tem dias, na verdade, comecei quando me explicou sobre a recepção.
— Para mim?
— Sob medida — sorri lindo.
Me jogo em seus braços e o abraço forte, choro como criança, pois ninguém nunca se importou em fazer uma pulseira “simples”, porém trabalhosa para mim, não lembro quando alguém se dedicou a algo assim.
— Não chora — diz baixo, beijando minha testa.
— É que… isso é mais que uma joia, é seu tempo, é seu carinho, é a importância que tenho para você.
— Acho que tenho que fazer mais dessas coisas, para se acostumar e saber que merece até mais que isso.
— Iria me dar mesmo estando irritado comigo?
— Sim, claro, não seria o mesmo, mas te daria, pois fiz para você.
— Por que não seria o mesmo?
— Porque eu te amo, aprendi a amar. Mas quando estamos com raiva, só pensamos no que nos causou a raiva e esquecemos do carinho que temos pela pessoa.
— Quem ama, consegue ter raiva da pessoa amada?
— Ama sua mãe?
— Sim.
— Mas já sentiu raiva dela ou de uma situação que ela fez, causou ou colaborou, certo?
— Sim.
— O amor não impede você de ter outros sentimentos, mas pode te fazer ter mais carinho, compaixão, misericórdia. Por isso, quem verdadeiramente ama cumpre a lei.
— Obrigada — sorri e olho algumas vezes meu pulso.
— De nada. Isso é menos que o mínimo comparado a tudo que tem feito por mim.
Ponho a mão em seu rosto, levanto os pés e beijo sua boca. Eu não devia, mas estava disposta a me entregar a esse amor.
Logo ele começa a beijar meu pescoço, puxar meus cabelos, aperto seus braços com força, estava excitada e tentando me controlar.
— Aqui não é lugar.
— Pode ir para casa agora?
— Se importa de ver se meus pais querem carona?
— Claro que não.
— Ok, vou falar com eles e a Zoe.
— Tá bom.
Me viro para sair e ele bate na minha b***a, olho para trás e o mesmo tinha uma expressão de excitação. Saio dali e caminho até minha secretária, que estava ao lado de um homem.
— Oi, Zoe.
Me aproximo e a cumprimento melhor.
— Oi, senhora, estava linda como sempre.
— E você foi impecável, cada vez se supera mais, tudo aqui está lindo e perfeito.
— Obrigada, senhora — sorri feliz — e deixa eu te apresentar.
A mesma envolve seu braço no de um homem de mais ou menos 45–48 anos, tinha alguns fios de cabelo grisalhos e um rosto conhecido.
— Helena, esse é meu pai, seu Heitor e pai, essa é minha chefe, dona Helena.
— Prazer em conhecer esse grande nome — diz gentil.
— Obrigada, é uma grande satisfação conhecê-lo.
— Ele ama nossos produtos.
— Que bom saber! Fiquem à vontade, tudo está sendo incrível, mas já vou indo.
— Como assim? — questiona ela.
— Sim… — sorrio constrangida.
Ela sorri sapeca, talvez descobriu algo.
Me despeço deles e vou até meus pais, que comiam e olhavam minuciosamente para alguns convidados.
— Pai, mãe, como estão sendo tratados?
— Bem — diz meu pai gentil.
— Poderia ser melhor…
— Maria! — repreende meu pai.
— Você tem péssimos convidados, sem contar que sumiu, nos tratou com desprezo.
— Não posso ficar parada aqui, mamãe, preciso cumprimentar meus convidados, fazer algumas coisas, como o discurso, tirar fotos, falar com a imprensa. E esses convidados são meus patrocinadores. Posso ser uma grande empresária, mas não conseguiria chegar até aqui, sem alguém que depositasse confiança e dinheiro em meus projetos, que comprassem aquilo que fabrico… eles são parte de tudo que tenho hoje.
— Que lástima — diz com desdém.
— Bom, vim mais para saber se querem carona para ir embora.
— Queremos — diz meu pai rápido.
— Vão ir agora comigo ou querem que meu motorista os leve?
— Seu motorista — diz minha mãe sem titubear.
— Certo. Depois que ele me levar em casa, retorna para buscar vocês.
Beijo-os e os abraço, logo chamo o Gean e fomos caminhando para a saída.
— Vou chamar o motorista, tá bom?
— Sim.
— Me espera aqui — ordena.
— Tudo bem — sorri e ele sai apressado.
Fico olhando para a rua e sua pouca movimentação, em comparação com o início da festa. Logo olho para trás, por sentir uma presença se aproximando.
— Boa noite, Maria Helena — diz Nero, se posicionando ao meu lado.
— Boa noite, Nero. Como está?
— Bem.
— O que achou da noite de hoje?
— Tenho que engolir tudo que disse, realmente foi um sucesso sua recepção, gostei do perfume e creio que vão falar só disso.
— Fico feliz que tenha vindo.
— Claro que fica, eu sou o que mais compra seus produtos.
— Sabe que, se não comprar, tem muitos outros que irão, não sabe?
— Gosto de seu ego.
— Não é ego, é certeza do que faço, do meu potencial e que todos amam Farzar Company.
— Ouvi rumores de que está namorando.
— O que quer saber? — Viro para o mesmo.
— Se é verdade.
O mesmo era muito alto, seus cabelos negros com uma mecha na frente branca realizavam-se como se estivessem cheios de gel com glitter, seu terno e sapatos eram sempre impecáveis e talvez por isso era tão altivo e egocêntrico.
— Sim, é.
— Preferiu um garoto do subúrbio a mim? — diz indignado.
— O quê? — meus olhos estavam arregalados.