VALENTINA CACCINI NARRANDO. O avião pousou com um movimento brusco, e o meu corpo inteiro estremeceu. Estávamos na Rússia. Uma parte de mim esperava que algo acontecesse durante o voo, que uma tempestade surgisse do nada e nos impedisse de chegar. Mas não. Estávamos ali, e a minha nova vida estava prestes a começar, como Dante havia prometido. Olhei pela pequena janela ao meu lado. Tudo lá fora parecia sombrio, quase morto. Um céu cinzento sem fim cobria o horizonte, como um manto pesado de tristeza. As árvores, cobertas por neve, balançavam com o vento gelado. O ar era opressor, como se até a natureza estivesse ciente da prisão em que eu me encontrava. Senti o meu peito se apertar, e a realidade bateu em mim como uma pedra. Desci as escadas do avião em silêncio, sentindo o vento frio

