Capítulo 5

2892 Palavras
Sam olhava Susan pelo retrovisor, vinha bem perto dele. Era sexy ver como ela pilotava a moto, fechava as curvas com perfeição e parecia ter facilidade em pilotar uma moto pesada que raras mulheres conseguiriam pilotar, principalmente as do seu tamanho. — Da próxima que tal uma corrida? Aposto que ganho. — Vai nessa essa criança tem até nitro. Duvido que alcance a sua poeira. — Sam bateu no teto do carro ao falar orgulhoso. Susan riu e guardou a moto na garagem, depois fechou tudo e entrou no carro com ele. — Não esqueceu nada?— Sam perguntou quando ela encaixava o cinto. — Não tá tudo aí. — Bem se precisar de algo, eu compro para você. Antes de chegar lá. Porque depois vai ficar sem. — Quanto tempo daqui lá? — Vai me odiar quando eu disser. —Sam encolheu-se, era muito tempo na estrada e ele adorava dirigir, mesmo assim seu joelhos sempre doíam de tanto ficar sentado. — Quanto Sam?— Achou uma graça a forma com forçou os olhos e entortou a boca ao lhe falar, era expressivo demais para um homem. Suas mãos grudadas ao volante eram um convite ao sexo, lembrou-se delas a percorrer seu corpo, só isso já a deixou úmida e pulsante. — Umas quatro horas e meia cálculo eu, se não pararmos muito. — Sam ligou o rádio do carro. — Não sei por que não é tanto assim.—Teve medo que fosse umas oito a dez horas. Por ele viajaria por quantas horas fosse preciso só para estar ao seu lado. — Não vai dizer isso quando pegarmos a estrada de chão. — Eram trinta quilômetros de estrada de chão em péssimo estado rezava para não encalharem. — Com esse carro?— Isso ia ser r**m. — Tentei ligar pro Erick para ir me encontrar com a S10, mas ele não atende então bom ainda bem que eu nunca rebaixei esse carro. — Quem é Erick? Sam fez uma careta antes de responder lembrando que Erick bancou o motorista de sua ex-mulher. Ele nunca precisou trabalhar de motorista, mas topou porque dizia que não confiava em Day e não é que tinha razão. Nem precisou mais que alguns meses pra ele descobrir tudo. — Meu irmão de criação, minha irmã assumiu a guarda dele quando o pai dele morreu. Ele vai levar todas as minhas coisas para a fazenda, vou morar lá agora. Sempre quis morar lá, mas por causa da minha ex não podia agora finalmente vou parar com essas idas e vindas. Eu tinha quer ir toda terça e voltar antes do fim de semana virava só em correria. — Imagino. — Susan odiou ouvir isso, ele ia trazer ela e voltar para a fazenda não ia dar boa coisa. Não podia perder ele. — Sam nem telefone direito tem lá como quer morar num lugar assim. — Não tem, porque eu não quis colocar internet, eu não ia usar mesmo. Agora eu mando instalar, é via radio, mas melhor que nada. Menos m*l não queria ficar sem contato com ele. Nem lhe dar uma desculpa para sumir e não lhe procurar mais. Susan odiava ficar insegura, não queria sentir-se assim, era inevitável. Nunca teve ninguém em sua vida, a quem queria enganar nunca tivera nada em sua vida. Conseguiu o pouco que tinha há poucos meses, mesmo assim tinha medo de perder isto. Sam foi de longe à única pessoa que realmente valeu a pena em sua vida. Tinha tido um dia com ele apenas e era o melhor que tivera, nem sonhava poder ter algo assim. Sam era doce e natural, calmo e sincero. Transparente via todo que sentia. Podia perceber até quando ele tentava disfarçar. Porém no fim sabia que ele jamais iria aceitar uma pessoa como ela, cheia de erros. Sua vida fora um repleto desastre, desventuras em serie, como aquele filme bem antigo. **** As primeiras duas horas de estrada se foram e Sam olhava Susan dormindo, recostada ao banco, segurando a sua mão. Em suma, rezava para ela não ter pesadelos. Andou mais meia hora e parou em um posto de gasolina, mandou encherem o tanque. O restaurante ao lado parecia convidativo. Finalmente uma refeição descendente. Teve pena de acordar Susan, dormia tão bem. — Susan, acorde. — Apenas moveu a mão que ela segurava. — Hummm, oi onde estamos?— Susan abriu os olhos bem devagar. Melhor coisa do universo, acordar e ver ele ali ao seu lado. Sam sorriu e tirou uma mexa de cabelo da frente de seus olhos. — Falta muito ainda?— Com a voz ainda sonolenta, Susan fechou os olhos. — Falta, vamos jantar, venha. Se estiver cansada, podemos dormir em um hotel e retomar o caminho amanhã. — Sam beijou sua mão. — Não sei Sam. O que você fizer para mim, tá bom. — Vamos em frente, então. Vamos chegar lá por umas onze da noite. — Não é perigoso andar a essa hora em uma estrada de chão totalmente escura?— Susan odiava escuridão. E o pior sempre se esconde na escuridão. Ela mais que ninguém sabia disso. — E choveu para caramba. Melhor posar no hotel. Se encalharmos não vai ter como pedir ajuda. — Imagina passar o resto da noite fria como aquela presos dentro de um carro encalhado. Não arriscaria os dois a esse tipo de situação. — Não vejo hora de ficar entre quatro paredes com você. — Sussurrou em seu ouvido. — Uhuh, quer saber jantamos no hotel. — Sam adorava ser provocado por ela. ***** Sam andou mais uns trinta quilômetros até chegar a um hotel. Nem acreditou quando viu o imponente hotel inteiro de vidro azul com duas estatuas de leões em tamanho real na frente. — Bonito não? — Susan perguntou admirada, via algumas pessoas subindo nos leões para tirar foto. — Bonito, antes de nós irmos podemos tirar umas fotos. — Susan gelou, não podia tirar fotos. Evitava lugares públicos e só ficou naquela boate, porque era em uma cidade pequena. Margareth lhe assegurou que ali ninguém faria m*l. O fato de tirar fotos não era nada, o pior era postar na internet. — Não precisa. — Por que não? Vão ficar bem legais. Sam viu que Susan desvio o olhar ao chão incomodada. — Não posta suas fotos na internet? — Não gosto de expor minha vida. — Além do que não ia dar armas para Dayane. Podia dizer que foi ele quem traiu ela e com isso arrancar mais dinheiro dele na separação, não que ele se importasse, a verdade é que queria deixá-la a míngua sem nenhum centavo seu. Mas pagaria o que fosse só para nunca mais vê-la. —Por que se importa com isso? Ham, Sam estou fugindo de uns caras ai se eles virem às fotos nos matam só isso. Essa era a verdade engoliu em seco e tentou mudar de assunto. — Nós vamos jantar aqui no restaurante o no quarto?— Sam estranhou a forma abrupta como mudou de assunto. Bem, pelo menos essa não ia encher de porta retratos pela casa toda. — Aqui no restaurante mesmo. Susan pegou na mão de Sam e foram para a recepção. Enquanto Sam fazia seus registros e escolhia uma suíte para eles, Susan olhava o local. Decorado com tons de preto e branco tudo ali estava muito bem ornamentado e alinhado. Um grande sofá ao fundo e flores azuis, orquídeas roxas e brancas na mesa de centro. Sam segurava sua mão e não a deixava ir longe dele. Para uma pessoa que viveu a vida presa ter alguém lhe puxando toda a vez que dava uns míseros passos a frente era agonizante. O que mais lhe intrigava, era que toda vez que pensava estar a ponto de reclamar e ele lhe sorria e tudo ia embora e só conseguia apertá-lo ainda mais a ela. Agora iam ao restaurante, Sam escolheu uma mesa mais ao fundo. Susan gostou dali era requintado mesas grandes com toalhas azul turquesa e cadeiras acolchoadas preta. Ao centro um elegante bar com luzes em led amarelo e uma cascata de água azul no centro. O mármore n***o do chão refletia tudo ao redor. Sentiu-se m*l vestida para um local como aquele, em seu sobre tudo de couro e botas cano longo e uma blusa de malha preta sentiu se uma gótica estranha. O garçom veio retirar os pedidos deles apenas confirmou quando Sam perguntou se podia ser o mesmo para ela, nem sabia o que era aquele prato, sentia-se deslocada. Aquele não era seu mundo, sua vida sempre foi dentro de uma boate, ou em lugares tão sujos que ela nem queria lembrar. Sam olhou Susan, ela parecia pouco a vontade e olhava tudo ao seu redor como quem vê algo que nunca viu na vida. Sua mão estava fria e suada, se alguém os lhes olhava, ela desviava o olhar. — Bia algum problema? — Oh que... Há não, tudo bem. — Levou um susto ao ouvir a voz de Sam. Era um mundo novo, tinha medo dele. — Quer ir comer no quarto? — Não. Você sempre vai a lugares como esse? — Sim. O que tem não gostou? — Não, é lindo. Eu só estava curiosa. Sam entendeu ela não sentia-se bem entre aquelas pessoas. Eram ricas e ela não se encaixava a eles. — Susan não precisa sentir se m*l aqui, esta comigo. Você sempre será a mais bela mulher, aonde quer que vá. — Beijou-lhe a mão. Susan não entedia muito, por que ele ora a chamava de Bia e ora de Susan, tinha que pegar o padrão nisto. Talvez só a chamasse de Susan quando ela lhe estivesse irritando. Mas por que não fez nada? Estava pouco a vontade e era verdade, porém não falou nada nem ao menos reclamou. Não queria desagradá-lo de forma alguma. — Por que me chamou por Susan?— Não se aguentou sem perguntar. — Parece responder melhor por ele do que por Bia. Só quis enfatizar o quanto quero que se sinta bem. Quero que seja feliz que sinta se bem. — Sam explicou calmo ao tomar o vinho em sua taça. — Desculpe, Sam. Devo ser sincera com você. Nunca tive ninguém em minha vida que me tratasse como você me trata. Fico com medo de desagradá-lo ou envergonhar você. Não passo de uma dançarina de boate, você merece algo melhor. — Susan falou segurando as lágrimas. — Por Deus, Susan não diga absurdo desses. Você nunca me envergonha. Sou feliz ao seu lado como nunca fui. Nunca pense que me desagrada, nunca fui tão satisfeito em minha vida. — Enxugou a única lagrima que escapava de seu olhos. O fato de ela o achar bom demais para ela, só o fez se encantar mais por ela. Faria qualquer coisa por ela. Susan sorriu para ele. Mais calma tomou um pouco do vinho que ainda nem tinha tocado. Nem sabia o que dizer depois do que ele falou, era bom de mais para ser verdade. O bom de vir a lugares como esses é que se ainda havia alguém atrás dela não viriam procurar ali. Procurariam nas espeluncas que estava acostumada a se hospedar por falta de dinheiro para achar um lugar melhor. Fazia mais de dois anos já que fugira, vai que desistiram de procurar estava muito longe de Belo Horizonte não iriam mais encontrar ela. — Então por que poli dance? Porque cresci em uma porcaria de uma boate com uma mãe p**a e drogada que batia para me ensinar a dançar. Que opção mais, eu teria? Susan se lembrava de por quantas vezes se negou a ter essa vida. Não seria uma prostituta, não venderia seu corpo, nem que tivesse que morrer para evitar isso e chegou bem perto da morte. Chegou a sentir as garras rasgarem sua pele. — Eu sempre achei um máximo à forma como você gira e se equilibra a força que tem que ser empregada para fazer. Eu aprendi desde pequena. — Susan gostava da forma como ele a olhava e brincava com a sua mão. — E sua mãe lhe apoio? — A ser verdadeira, ela me ensino. Era uma excelente dançarina. — Quando estava um pouco sóbria, é claro. O garçom chegou e entregou os pedidos. Susan olhou o prato como quem vê um ET a sua frente. Sam riu. — É Ravióli com salmão em molho de tomate, é bom você vai gostar. — É pastoso, é preto não quero comer isso. — Fez uma careta em repulsa. — O que quer comer então?— Sam se divertia com o jeito dela para o prato. — Algo que não seja pastoso e preto. Piscou e sorriu com um tom obvio. — Pedi só como entrada. Vamos ver que tal Coqau Vin? — Sam olhava o cardápio, era mais comida francesa que serviam ali, até gostava, mas preferia o bom e velho arroz, bife e batata fritas. — O que é? — Droga, não dava pra ter um prato com um nome mais fácil de entender. — É frango ao molho de vinho, eu adoro. Vai gostar. — Não vai comer isso, vai? — Susan apontava para prato com nojo. Vomitaria, se tivesse que o ver comer aquela gororoba. — Eu gosto. Mas se lhe agrada não vou comer. Sam chamou o garçom, meio sem jeito pediu para trocar os pratos e trazer o novo prato. Ele perguntou se estava r**m disse que apenas não gostou. Sam sorriu ao ver a cara de alívio que Susan fez a hora que o garçom levou os pratos. — Pra quem come comida fria com tanto gosto dispensar um ravióli. Ofenderia o metre da casa. — Não era gosmento. — Parece uma criança. — Raramente rejeito qualquer comida. Passei tanta fome em minha vida que sei dar valor ao que tenho. Mas essa pasta preta foi de mais. Sam ficou surpreso com o que ela falou sentiu lhe doer por todo seu sofrimento. Queria ter conhecido ela antes, desperdiçou cinco anos de sua vida ao lado da mulher errada enquanto que a certa lutava para sobreviver sozinha. Isso sem contar o tempo de namoro. No total davam seis anos. Sou um i*****l. — Ok, Pasta preta nunca mais. — Isso aí. — Ergueu a mão deles e balançou no ar comemorando. — Espero que do outro você goste. — E você vive só da fazenda? — Vamos saber um pouco mais sobre Sam, o senhor maravilha. — Meu pai deixou ela para mim, venho cuidado desde então. Toma todo meu tempo nem dá para fazer ou ter outra coisa, ainda tenho que ajudar a minha irmã a cuidar da que meu pai deixou para ela. Fica próximo da minha Samantha mora lá, ela vai adorar você. Odiava minha ex vivia dizendo que ia testar a nossa Ak-47 nela um dia desses. — Gente boa. — Assustador quem tinha uma AK-47 em casa. — Apenas estava certa. — Sam viu que o desconforto de Susan havia passado. Agora conversava bem com ele e não mais desviava os olhos quando alguém os olhava. — Quanto tempo foi casado? — Cinco anos. — Quantos anos tem? — Perguntou assustada. — Vinte e oito. — Sei fiz merda. E dai alguém me vende uma máquina do tempo. Juro mudaria tudo. Menos o dia de hoje. — Credo Sam, casou tão novo. — Burrice, eu sei. Minha irmã quase me bateu por isso. Nem foi ao meu casamento, uma forma de protesto, dizia ela. Não iria ser conivente com uma besteira daquelas. — Lembrava do quanto Samantha gritou em seus ouvidos no dia anterior ao seu casamento. Chegou a ameaçar fazer greve de fome. "Vai casar como uma p**a golpista Sam, ela só quer seu dinheiro vai lhe trair cedo ou tarde." Merda, porque tinha que ser tão teimoso. — E sua mãe o que disse disto? — Minha mãe morreu em um acidente de carro uns dois meses depois que nasci. Samantha é minha mãe. — Sinto muito. — Que r**m perder a mãe assim. A minha teve uma overdose. Isso era ainda pior. — Não posso reclamar, Samantha é doze anos mais velha que eu e foi à melhor mãe/irmã que alguém pode ter. Pacote dois em um como diria ela. — E seu pai, o que disse? — Meu pai era um militar como tal, disse que um homem tem que ter responsabilidades. E me fez casar o mais rápido possível. — Ela estava grávida? — Não. O garçom chegou com os pratos Sam teve pena do homem parecia inseguro e cansado. Mas lhe compensaria com uma bela gorjeta. Sam esperou Susan dar a primeira garfada. — E... — É bom. — Disse que ia gostar. Susan riu sempre soube que rico comia bem, mas aquela pasta lhe deixou em dúvida. Já esse, hum, era saboroso. — Quer sobremesa? Mousse de chocolate que tal? — Droga vai me engordar, Sam. — Uma vez na vida não engorda ninguém. Malhamos juntos depois. — Malha sem camisa? — Susan remexeu as sobrancelhas e abriu um sorriso. — Por você sim. — Não que alguma pessoa lhe pudesse dizer não, com aquele sorriso. Parecia o gato de botas, a fazer aquele rosto meigo para fazer qualquer derreter-se por ele. — Posso fazer você perder muito mais calorias que se malhar. — Susan chegou mais perto e sussurrou. — Tentadora. Quer comer a mousse no quarto? — Sim. — Onde você se escondeu todo esse tempo que eu não te encontrei? Sam lhe agarrou pela cintura ao se levantarem. Susan sentiu seu toque quente em sua cintura era gostoso, seu sorriso, era lindo e seus olhos brilhavam maliciosos, sentia seu peito duro em suas costas, lhe fazia sentir-se protegida e amada. Como nunca sentiu isso em sua vida, teve medo do que isso seria para ela, talvez nunca mais conseguisse viver do jeito que sempre viveu, triste e sozinha sentindo apenas o ódio a impulsionando cada vez mais a frente.
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