Capítulo 9

1448 Palavras
Na manhã seguinte, Marcela levantou com o sol filtrado pelas cortinas, iluminando o quarto de forma pacífica. O dia seria longo, pois ela teria que visitar a casa de Gabriel. Embora a ideia a deixasse inquieta, ela estava decidida a manter o controle da situação. Afinal, ela queria se envolver em seu projeto e se livrar das ameaças, não havia como fugir. Depois de um café da manhã rápido e algumas trocas de palavras mecânicas com Ricardo, Marcela saiu de casa com a cabeça cheia de pensamentos conflituosos. O dia passou rápido no trabalho e no caminho para o morro, tentou se concentrar nas ideias que queria discutir sobre a reforma do centro, mas a imagem de Gabriel e seu sorriso irônico não saía de sua mente. Ao chegar à casa dele, ela ficou impressionada. A entrada era ainda mais bonita que a de sua própria casa, com portas duplas de madeira escura e uma escadaria que levava a um pátio coberto de flores, nunca havia imaginado Gabriel com um pátio de flores. O exterior tinha grandes janelas de vidro que refletiam a luz do sol, e o jardim era bem cuidado, com caminhos de pedra que levavam a entrada. O soldado a deixou na porta e Marcela tocou a campainha. O coração estava acelerado em seu peito enquanto ela esperava. Poucos segundos depois, a porta se abriu, Gabriel, estava vestido casualmente com uma camiseta justa e jeans que realçavam seu físico tonificado. O sorriso que ele lhe ofereceu era quase inocente, mas ainda havia mälícia em seu olhar. — Bem-vinda à minha residência, Marcela. — Ele se afastou, gesticulando para que ela entrasse. Ela entrou, observando tudo ao redor. A casa era espaçosa, com uma decoração impressionante. Um grande sofá marrom dominava a sala de estar, rodeado por uma mesa de vidro e quadros nas paredes. Uma estante cheia de livros e prêmios estavam um canto, mostrando que Gabriel tinha uma vida completamente diferente do que aparentava. Em sua mente havia uma casa obscura, talvez até paredes pretas para combinar com a camisa. Ele sempre usava essa cor. — Impressionada? — Gabriel perguntou, observando-a de canto. — Um pouco — admitiu, tentando manter a compostura. — Você tem bom gosto. Ele sorriu, satisfeito com o elogio. — Vamos para o escritório. — Ele a guiou por um corredor decorado com fotos emolduradas de paisagens que a deixaram curiosa por saber onde era, pararam em uma porta que levava ao escritório, com uma grande mesa de madeira e uma vista para o jardim. Gabriel a observou por um momento antes de se acomodar na cadeira ao lado, inclinando-se levemente para frente, com uma expressão de curiosidade e interesse. — Pode se sentar, podemos fazer o que você quiser — ele disse, fazendo com que Marcela se sentisse um pouco mais à vontade, pois não conseguiu detectar o duplo sentido nas palavras dele. Ela respirou fundo e decidiu apresentar seu planejamento, detalhando os aspectos financeiros e as necessidades do projeto. No entanto, enquanto falava, ela não conseguia ignorar o jeito como Gabriel a olhava, ele não estava nem ligando para o que ela dizia. Já havia deixado claro que ela podia fazer o que desse na telha e a teimosa continuava falando a mesma coisa. — Isso tudo parece ótimo. — Ele a interrompeu com sua voz grave. — Mas não quer fazer algo divertido? Ela hesitou. A proposta soava tentadora, depois do dia cheio que teve, mas havia uma linha tênue entre o que ambos considerariam diversão. — Que tipo de diversão? Eu por exemplo me divertiria voltando para casa — Marcela respondeu firmemente, embora sentisse uma faísca de incerteza em suas palavras. Gabriel inclinou-se para trás, cruzando os braços com um sorriso desafiador. — Uma diversão mais adulta é claro — Ele piscou um olho na direção dela. Marcela revirou os olhos, mas não pôde evitar um sorriso. O charme dele era inegável e ela tinha se sentido atraída por ele desde o início, apesar de todas as suas defesas. — Tudo bem, então. — ela concordou. — Me mostre, mas não esqueça minhas condições. — Gabriel se levantou e se dirigiu à cozinha. — Você quer uma bebida? — Ele gritou da cozinha. — Seria ótimo, obrigada! — Marcela respondeu, revisando algumas anotações. Enquanto esperava, Marcela olhou ao redor do escritório, observando concluiu que de certa forma o espaço refletia não apenas o gosto de Gabriel, mas também um pouco de sua personalidade complexa. Quando ele voltou, trouxe duas garrafas de cerveja, entregando uma para Marcela. — Então, o que você acha de guardar essas coisas e vim para a sala? — Ele perguntou, inclinando-se para frente novamente. — Pode ser — Marcela respondeu, tomando um gole da bebida e sentindo-se mais confiante. Enquanto tomavam as cervejas e relaxavam, a distância entre eles parecia diminuir aos poucos. Gabriel era bem mais envolvente do que gostaria de admitir, e o jeito dele parecia contagiar Marcela. Ele lhe contou histórias engraçadas e ela comentou sobre suas diferenças de estilo e gostos, o que arrancou dela algumas risadas genuínas. Quando a segunda garrafa estava pela metade, Gabriel a olhou intrigado, aproximando-se um pouco mais. — Você realmente me vê como um inimigo, Marcela? — Perguntou com a voz baixa e intensa. Marcela hesitou, sentindo o olhar penëtrante dele e o coração acelerando outra vez. — Não exatamente — murmurou ela, desviando o olhar por um instante. — Mas você me faz sentir de uma forma... que eu não estou acostumada. Ele deu um sorriso maliciøso, inclinando-se até ficar muito próximo. — Então talvez você precise de um pouco mais de mim para se acostumar. As palavras saíram quase como uma sugestão, e antes que ela pudesse reagir, Gabriel se inclinou, roçando os lábios nos dela de forma lenta, como se estivesse testando se ela o afastaria. Marcela por outro lado se sentia meio tonta. — Você colocou alguma coisa nessa bebida? — Ela perguntou olhando para os lábios dele. — Não, era só cerveja — Sua voz era sëdutora, göstosa de ouvir. — Então porque não estou me afastando? — Sua voz era apenas um sussurro e seu olhos se fecharam lentamente. — Talvez porque você queira. — O primeiro toque dos lábios dele foi suave, Marcela, sem pensar, acabou retribuindo. O beijo ganhou intensidade rapidamente, cheio de seu desejo reprimido e da curiosidade de saber como seria. Marcela se deixou levar, esquecendo-se das consequências, envolveu as mãos ao redor do pescoço dele e Gabriel envolveu sua cintura. Ele tentou trazê-la para o seu colo e isso a despertou. Marcela se afastou ofegante, lembrando-se de onde estava e de tudo o que ele representava. Por outro lado, Gabriel sorria de orelha a orelha, claramente satisfeito por ter algum avanço. Marcela decidiu que era hora de voltar para casa. Ela pegou seus materiais e se levantou. — Precisa de uma carona? — Gabriel ofereceu claramente se divertindo com a pressa dela. — Não, obrigada. Posso me virar sozinha — respondeu, cogitando se deveria pedir um táxi. Duas cervejas não era muito, o que a deixava embriagada era a presença dele. Ficaria bem quando se afastasse. — Tudo bem, mas saiba que as portas estarão sempre abertas. E se precisar de qualquer coisa, você sabe onde me encontrar. — A maneira como ele disse isso fez Marcela sentir um frio na barriga,. — Certo, até mais — Disse dando um último olhar para ele antes de sair. Quando Marcela entrou no carro, seu coração estava quase saindo. Se arrependia, no entanto também não se arrependia, ela pensou que definitivamente estava ficando louca. Ignorou sua mente e dirigiu. Ao chegar em casa, encontrou Ricardo na sala assistindo televisão. Ele olhou para ela com um sorriso, mas algo na expressão dele a fez sentir um frio na espinha. — Como foi o seu dia? — ele perguntou casualmente. Marcela forçou um sorriso, sentindo-se um pouco culpada por não contar tudo a ele. — Foi bom, consegui bastante coisa para o projeto — ela disse, tentando manter a conversa tranquila. Ricardo acenou, mas ela percebeu que ele estava mais atento do que o normal. — Você está muito ocupada ultimamente. Espero que não esteja se esquecendo de descansar — ele comentou, seu olhar avaliativo fixado nela. Marcela desviou o olhar, sentindo que havia mais ali do que ele estava dizendo. — Estou bem, realmente. Apenas focada — ela respondeu, tentando disfarçar sua ansiedade. — Ok, então. — Ela acenou e subiu a escada. Marcela não conseguia se livrar da sensação de que seu mundo estava mudando. Gabriel estava se tornando uma parte dele, e a ideia a aterrorizava e ao mesmo tempo a atraía.
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