O sol já estava alto quando Marcela terminou de organizar os papéis em sua mesa no centro comunitário do morro. O lugar era silencioso, algo muito raro, já que geralmente estava repleto de crianças brincando e voluntários circulando. Ainda assim, ela gostava dessa calma; era um pequeno refúgio para seus pensamentos inquietos. No entanto, a tranquilidade que ela buscava parecia cada vez mais distante. Desde que voltou para casa após passar mais de um dia fora, Ricardo havia mudado. Não era apenas a insistência com presentes e atenção, mas também o olhar desconfiado que ele lançava quando achava que ela não estava vendo. Marcela sentiu um arrepio ao lembrar da noite anterior. Ricardo fez perguntas aparentemente inocentes sobre sua função no centro: "Quem frequenta?", "Com quem você trabalh

