CAPÍTULO 11

1449 Palavras
Passamos o dia todo juntos, Peter, Sara e eu. Fomos ao cinema, depois paramos para comer um fast food qualquer. Quando deixei Sara em casa, ela insistiu pra que eu ficasse um pouco ali, mas os olhares de reprovação de seus pais quando me viam já era motivo de um m*l estar insuportável. Recusei a proposta e tomei o meu caminho. A playlist no rÁdio do meu carro estava cada vez mais dominada por músicas dos anos oitenta. Bryan Adams era o meu predileto por aqueles dias. A melancolia que “Heaven” me transmitia era deliciosamente triste e deprimente. Em questão de minutos, lá estava eu, parado a poucos metros do portão da casa de Bella. Outra vez. Olhei para a janela do seu quarto. Luz acesa. O carro do pai não estava estacionado em frente à casa como de costume. Provavelmente, viajara, então Bella se encontrava sozinha. Eu nunca deixaria minha própria filha abandonada naquela casa imensa, ainda mais sabendo o quão debilitada emocionalmente ela poderia estar. Desci do carro e examinei o entorno só pra conferir se nenhum curioso me observava. Sem hesitar, escalei o muro até finalmente saltar para o enorme jardim que rodeia a casa. Havia uma piscina repleta de folhas que caíam das árvores. O outono me fascinava. Mais alguns metros e me deparei com a porta de entrada para a cozinha. Girei a maçaneta e entrei. Que garota maluca! Deixar uma porta destrancada desse jeito estando sozinha! As luzes estavam apagadas. Tomei todo o cuidado do mundo para não fazer barulho nem esbarrar em nada. Imagina se chamam a polícia! E, obviamente, meu intuito também não era assustar a garota. Subi as escadas guiado pela iluminação baixa que vinha do corredor lá de cima. A luz devia vir do quarto dela. O barulho de um motor de carro, que aumentava gradativamente, me assustou. Parei no meio do caminho temendo que fosse o pai. Mas logo o som diminuiu até desaparecer por completo, para o meu alívio. Outra vez, voltei meus olhos para a escadaria e retomei minha escalada rumo ao quarto de Bella. Imaginava mil coisas. Como estaria vestida? De pijama? Calcinha? Nua? E qual resposta eu daria caso ela me visse ali? Como me explicar? E se ela contasse pra escola toda que eu invadi a sua casa? Qual seria, nesse caso, a minha justificativa? Eu temia a todo momento que Peter, Sara ou qualquer um que fosse ficasse sabendo sobre o lance que aconteceu entre Bella e eu. Tinha uma reputação a zelar, era por isso que eu lutava diariamente, contra a minha vontade, contra o meu desejo e com tudo que envolvia Isabella. Faltava alguns degraus pra terminar o trajeto até o alto das escadas. Ia vagarosamente, enquanto um suor frio escorria na testa. Eu não podia ser pego, mas de jeito nenhum. Talvez, o melhor agora seria desistir daquela loucura. Era o certo a fazer, abandonar a empreitada. Hesitei. Dei meia volta e estava pronto para descer o mais rápido possível a escadaria toda, quando uma voz, que não era a de Bella, ecoou do andar de cima chegando aos meus ouvidos e me obrigando a estacar de vez. Não era uma voz qualquer, era um timbre masculino! Então Bella não estava sozinha como imaginei. Isso explicava a porta aberta. Subi todos os lances da escada. Me deparei com o imenso corredor que dava para o seu quarto, de onde vinha um feixe de luz e vozes abafadas. A cada passo, me aproximava de algo que talvez não quisesse ver. Meu coração disparou. Estaria enganado? Não podia ser verdade. Um cara? Bella... Respirei fundo e esperei que algum novo pensamento me detivesse de vez. Nada. Ou talvez fosse a voz do pai? Mat, a quem você quer enganar? Eu conhecia perfeitamente aquela voz. Sabia quem era aquele cara que estava com ela sabe-se lá fazendo o quê. A mim, Bella nunca permitira passar do portão! Mas agora ela tinha a audácia de brincar com os meus sentimentos daquela maneira? E daquela forma tão desrespeitosa? A porta do quarto, entreaberta, estava a poucos passos, e as vozes, antes distantes e abafadas, agora me eram próximas e bem claras aos ouvidos, confirmando que eu não estava louco coisa nenhuma, que realmente era ele ali, no quarto de Bella. Sorrateiramente, olhei pela fresta nada modesta da porta. Com a escuridão do corredor, dificilmente eles me enxergariam. A camisola de renda preta contrastava com a pele clara de Bella, conferindo-lhe ainda mais sensualidade. Meus olhos eram um misto de desejo e ódio. Eu desejava tanto tocar em sua pele, exatamente como aquele maldito estava fazendo. Sobre ela, enlaçado em suas pernas longas e macias, Peter investia o corpo. Bella cravava as unhas vermelhas nas costas do meu melhor amigo, numa explosão que só poderia revelar o quão intenso era o prazer que ela sentia. Peter beijava aqueles lábios, os lábios que em outros tempos me pertenciam. A tensão de antes deu lugar a um ódio profundo e a dupla traição, bem diante dos meus olhos, me feria bem na alma. Um melhor amigo poderia fazer aquilo com o outro? Ele possuía esse direito? Como Escobar talvez fizera com Bentinho? Bella tombou a cabeça para o lado e, como se me avistasse, lançou um olhar feito seta cortante bem na minha direção; olhar de cigana oblíqua e dissimulada, olhinhos de ressaca. Era possível que ela me enxergasse na escuridão? Talvez sim e digo mais: aquela maldita mulher era capaz de sorrir maliciosamente com os olhos... Peter se deliciava sobre o corpo da garota que eu amava. Com uma das mãos, apertava sua coxa, escorregando vagarosamente até o meio das pernas. Com a outra mão, manipulava sua cabeça, apanhando punhados dos cabelos ruivos e encostando o seu rosto próximo dos lábios. Maldito Peter! Enfurecido, cego do ódio, saquei a arma que trazia no bolso. Engatilhei o mais rápido que pude e invadi aquela reunião miserável. As palavras me faltavam, aliás, palavras de nada serviriam àquela cena. Meu único receio era me acabar em lágrimas bem na frente dos dois traidores. Seria humilhante demais. Quando percebi que uma lágrima mínima escapava por meus olhos, tive a certeza de que seria o momento de disparar. O tiro acertou em cheio o tórax de Peter, que tombou para o lado, tingindo de vermelho vivo a colcha delicada que forrava a cama. Bella olhava para mim aterrorizada, encolhendo-se, certa de que seria impossível escapar da minha fúria. E eu me aproximava, devagar. Havia um estranho prazer em examinar a sua face horrorizada pelo que estava por vir. O ódio emprestou lugar ao prazer da vingança. Apoiei-me na cama e puxei o corpo de Bella para perto de mim. Não houve qualquer resistência. Primeiro, acariciei a pele do seu pescoço, frágil e delicado, aumentando a intensidade, pressionando aquele pescoço marcado pelos beijos de Peter, apertando-o forte, com todas as forças da raiva e da adoração que eu sentia por aquela menina. Eu jamais me arrependeria de matá-la, era o certo a fazer. Há muito tempo o desejava fazer, e ali encontrara minha grande oportunidade. Bella segurou meus braços tentando afastá-los enquanto debatia as pernas. Era inútil. Não importava o esforço que fizesse, nada superaria a força do que me impulsionava por dentro e por fora. Apertei seu pescoço o mais forte que pude quando ouvi duas batidas na janela do carro. Despertei, confuso. Tinha as mãos trêmulas estrangulando o volante bem na minha frente. Com a vista embaçada, distingui pela janela a silhueta do que entendi ser um policial. Baixei o vidro e tentei pensar em uma desculpa qualquer. – Não, senhor, não estou bêbado... Só senti que estava com muito sono e preferi não dirigir dessa forma. – Vamos ver se realmente está dizendo a verdade, garoto! – disse o policial, desconfiado. Fui liberado quando o teste do bafômetro apontou negativo para álcool no sangue. O policial pediu que eu não ficasse parado com o carro por aquelas redondezas. Segundo o alerta, os moradores dali estavam sempre com medo de ladrões e, se me confundiam com algum, poderia ter problemas. Dei partida no carro, ainda perplexo com a intensidade e veracidade do sonho. Foi a coisa mais real e viva que eu experienciei em tempos. Capitu ou Bella, Peter ou Escobar. Que m***a! Eu estava ficando maluco, de verdade. Cheguei em casa e despenquei no sofá. Sem forças pra levantar e seguir até o meu quarto, fechei os olhos rezando para ter um sonho um pouco mais agradável que o anterior. NOTA DA AUTORA: Meninas, esse livro está completo na Ama*zon sob o nome “Isabella” e uso o pseudônimo de ANITTA ORTIZ.
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