CAPÍTULO DOIS

1020 Palavras
Sara e eu nos conhecemos pelo Tinder faz uns seis meses. O curioso é que, mesmo ela sendo do terceiro ano, nunca tínhamos notado a existência um do outro. Começamos a namorar rapidamente. Tanto a Laura quanto minha mãe gostaram dela, então achei interessante manter essa relação. Além do mais, parecia ter encontrado em Sara um motivo e um sentido pra levantar da cama pela manhã e ir àquelas aulas chatas sem aparente propósito. Sara era a típica garota meiga que aparenta ser mais nova, mais ou menos uns quinze anos. Por ser baixinha, me obrigava a me curvar quase que por completo quando ia beijá-la, o que por vezes podia ser algo atraente, embora fosse um alívio quando ela colocava salto alto. Não que estar mais alta me lembrasse Bella ou algo do tipo! Honestamente, assim era mais confortável e eu podia observá-la melhor, olhos nos olhos... Ela era uma das garotas mais bonitas do colégio e também uma das mais inteligentes. Apesar dos pais religiosos, já havíamos transado até no sofá da sua casa. Os que viam em Sara uma cara de santinha não faziam ideia de como ela era uma perfeita p*****a na cama. E eu adorava isso!! Há um tempo que ela vinha insistindo para que fizéssemos aulas de dança de salão às terças à noite na quadra de esportes da escola. A atividade fazia parte do projeto de mestrado de uma das professoras de Educação Física. – No baile de fim de ano estaremos impecáveis na valsa, Mat! – seu entusiasmo era contagiante enquanto vestia o sutiã sentada ao meu lado na cama do meu quarto. – Essas coisas costumam ser chatas, amor! Tem certeza que quer que eu participe? Não vou ficar com ciúme se você achar outro par. Ela me olhou imediatamente e formou um bico com os lábios, feito uma criança verdadeiramente contrariada. Eu a puxei para mais perto e a abracei, dando beijos naqueles lábios mimados. – Ok. Eu vou com você. Mas não posso garantir que estarei disponível todas as terças à noite. Pode ser? Sara quase saltou de alegria. Me beijava sem parar. – Estou certa de que você não vai se arrepender, Mat!!!! Em seguida, acabamos de nos vestir e descemos para comer algo. Olhava fixo para o celular no balcão da cozinha. Em momento algum ele vibrou. Olhei para Sara, distraída, preparando uma omelete com queijo. Voltei os olhos para o celular quando, finalmente, a luz da tela acendeu e o aparelho começou a vibrar. Meu estômago revirou. Respirei fundo e continuei espremendo laranjas para o suco. Alguns minutos depois, lavei as mãos e as sequei com um pano de prato. Fui calmamente até o celular e desbloqueei a tela. Era apenas uma mensagem da operadora. Senti uma vontade imensa de jogar aquele celular contra a parede. Mas, antes que eu atendesse a essa vontade, Sara acenou pra mim dispondo as omeletes prontas em um prato sobre a mesa. – Vem, Mat!! Larguei o celular sobre o balcão e fui. – Parecem deliciosas, meu bem! – disse, arrastando uma cadeira para me sentar. Aquela omelete caía como papel amassado em meu estômago. Eu só queria correr para o meu quarto e chorar. Há tempos que não chorava, provavelmente desde que meu cachorro Sansão morrera. Mas naquele instante, uma vulnerabilidade digna de pena tomava conta de mim e por isso passei a sentir muita raiva. Quis disfarçá-la, sem êxito algum. Sara acabou percebendo meu incômodo. – Que foi, a omelete não está boa? – o som da sua voz vinha abafado pela comida sendo mastigada em sua boca. – Não é isso, não... Tá delicioso. Impressão sua. Talvez seja o calor, e a omelete ainda está bem quente... Eu devia estar suando. E não era de calor. – Coloque molho gelado, acho que ajuda. Sara era muito gentil. Não sei o que faria sem ela. Inesperadamente, aquela garota se tornou meu porto seguro nesses últimos tempos. Toda vez que eu sentia medo de algo, ligava ou ia visitá-la, a hora que fosse. E, no entanto, procurava não demonstrar fraqueza ou me abrir sobre os meus medos. Os momentos em que eu desejava muito vê-la provavelmente justificavam-se por eu estar emocionalmente abalado, então inventava uma desculpa qualquer, como saudade. Tudo não passava de pretexto para tê-la por perto, para me sentir seguro novamente. t**o! Naquele exato momento, só o seu silêncio já bastaria pra mim. E de algum modo, Sara parecia entender disso, pois não insistiu mais no assunto depois de ouvir as minhas justificativas. Apenas comia em silêncio. Entre uma garfada e outra, ela sorria pra mim e eu retribuía. Aos poucos, seus cabelos foram ficando mais ruivos, os lábios mais vermelhos, o nariz não tão convencional e eu podia jurar que, sentada, ela aparentava ter mais de um metro e setenta de altura. Bella ora mirava a omelete em seu prato, ora erguia seus olhos negros e me fitava numa espécie de sorriso com olhar de malícia. Um arrepio congelante subia pelas minhas costas, fazendo com que eu suasse ainda mais. Meu inconsciente dizia que se minha intenção era parecer são, de forma alguma eu deveria me levantar e beijar aquela que parecia ser Bella bem na minha frente. Porém, aqueles olhos sexies me fitando pareciam implorar para que eu cumprisse com tudo o que já imaginara em minhas ideias mais pornográficas. Era tarde demais pra impedir que meu p*u ficasse extremamente duro. Bella na minha frente sorrindo daquele jeito me excitava como se eu fosse um moleque virgem. Balancei a cabeça duas vezes. Estaria sob efeito de algum feitiço? Mais um sacolejar e lá estava Sara outra vez, ainda um pouco embaçada. Quando minha visão ficou nítida novamente, me esforcei pra reparar em Sara. Era ela que me faria feliz! Parecia uma boneca, comendo sua omelete e sorrindo pra mim. Essa ideia me trouxe um alívio que seria incapaz de descrever. A raiva em minha mente se dissipou rapidamente. Mas ainda esperava agoniado o celular tocar, sinalizando alguma mensagem. Não tocou. Ainda atordoado, acompanhei minha namorada até o quarto para que nos arrumássemos antes de sairmos.
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