Felipe riu com toda aquela situação. Não conseguia ficar chateado com a esposa. Amava-a demais para perder tempo com brigas bobas.
— Tome seu banho, eu irei trazer o seu café. — disse, saindo do banheiro.
Ao ficar sozinha, Sheila finalmente pôde chorar. Ligou o chuveiro para que o barulho da água caindo pudesse abafar o seu pranto. Ela amava demais o seu marido, mas precisava deixá-lo livre. Ele ainda era muito jovem, tinha muita coisa para viver e não podia prender-se a ela por motivos que na cabeça dela eram banais.
— Me perdoe, Lipe… — disse para ela mesma, enquanto tomava o seu banho.
(...)
Após alguns minutos, Sheila sai do banheiro vestindo seu roupão. Sentou-se na cama enquanto penteava os seus longos cabelos loiros.
E quando ela menos espera, Felipe entra no quarto carregando uma enorme bandeja com o café da manhã deles.
— Vamos tomar um café reforçado porque hoje o dia vai ser corrido. — disse Felipe, sentando-se na cama.
— Vamos que horas?
— Hoje a noite.
— Não vai ser perigoso, pegar a estrada à noite?
— Eu não tinha pensado nisso.
— Eu sei que não — respondeu Sheila, sorrindo.
— Pode comer amor. Eu fiz tudo com muito carinho.
— Eu não posso tomar suco de laranja…
— Piora a sua azia — respondeu, ácido — desculpa.
— Não fica chateado amor. Eu só não quero piorar.
— Quer que eu prepare outro suco?
— Não, pode deixar que eu como e depois tomo água.
O loiro sorriu meio forçado. Ficou triste por não ter conseguido arrancar de sua esposa um sorriso alegre. Sorriso esse, que a muito tempo ele não via.
— Hoje vamos almoçar fora. Temos que comprar algumas roupas para o calor.
— Verdade! Eu não lembrava do que precisávamos.
Os dois tomam café enquanto jogam conversa fora. Felipe parecia uma criança empolgada com uma super viagem. E Sheila, escondia algo que o homem jamais imaginaria.
(...)
Já era quase 13hrs e o casal Farias ainda não havia almoçado. O loiro já estava ficando estressado, enquanto sua esposa entrava nas lojas para experimentar roupas diferentes. O homem comprou apenas quatro peças, enquanto sua companheira queria levar todo o shopping.
— Amor, é sério, não consigo dar mais nenhum passo — disse o loiro, carregando várias sacolas.
— Estão muito pesadas? — perguntou a loira, fitando o marido.
— Eu estou com fome, Sheila. E você sabe que quando isso acontece logo eu me estresso.
— Não é pra tanto, querido — disse, sorrindo.
— Por favor, Sheila, vamos almoçar.
— Está bem, vamos!
Os dois vão para a praça de alimentação, pois lá era o local mais perto. Felipe queria se esbaldar em um Fast Food, mas foi impedido por sua esposa. Então, mesmo contra sua vontade, os dois comeram comidas mais "saudáveis".
O Farias pediu arroz, bife acebolado e batatas fritas. Enquanto sua esposa optou por um mix de saladas, arroz integral e filé de frango.
Felipe comia desesperadamente, pois estava com um buraco em seu estômago. Já Sheila, m*l tocava na comida. A loira respondia algumas mensagens de seu celular enquanto colocava um garfo ou outro na boca, fazendo Felipe perceber que o prato da mulher estava praticamente intocável.
— Sheila, o que falamos? Sem trabalho a partir de hoje — Felipe fala, pegando o celular que estava nas mãos da mulher.
— Eu estava apenas tirando a dúvida de uma cliente, amor — retrucou.
— Sem trabalho, a partir de hoje — confirmou, sério.
— Desculpa.
— Agora come! — ordenou.
— Já estou satisfeita — respondeu, empurrando o prato.
— Sheila, come sua comida agora.
— Eu não estou com vontade. Já estou cheia.
— Você m*l se alimentou. Passamos o dia rodando esse shopping e você está apenas com o café da manhã. — fala, colocando o celular na mesa — Isso não vai te fazer bem. É sério, vou mandar caçar o seu diploma.
— Você está exagerando, Lipe. — responde, sorrindo.