Gabriela narrando Contar tudo aquilo pra Isabela abriu uma ferida que eu fingia muito bem que já tinha fechado. Fingir, aliás, sempre foi meu maior talento. Eu aprendi cedo que, se eu não demonstrasse dor, ninguém perguntaria, ninguém insistiria, ninguém pisaria em cima do que ainda estava em carne viva. Mas bastou colocar aquelas palavras pra fora, organizar em frases o que eu passei, pra tudo desandar por dentro. Cada vez que eu tocava nesse assunto, parecia que piorava. Não era como arrancar um curativo de uma vez, rápido, doendo só no início. Era como cutucar uma ferida que nunca cicatrizou, que só criou uma casca fina por cima, frágil demais pra aguentar qualquer pressão. E ali, falando com ela, eu pressionei. O maior sonho da minha vida me foi tirado. E não foi arrancado com deli

