Maya narrando A noite foi longa. Daquelas que parecem não ter fim, em que o relógio anda devagar demais e o corpo vai ficando pesado, mas a mente simplesmente se recusa a descansar. Eu passei a noite inteira ali com a Gabriela, firme, atenta a cada apito do monitor, a cada oscilação mínima nos sinais vitais. O Dom não saiu de perto nem por um segundo. O Morte também ficou, mas em silêncio, encostado na parede, como se estivesse tentando sustentar tudo só na força da presença. No olhinho do Dom dava pra ver o medo. Não era um medo comum, era aquele medo profundo, cru, de quem já perdeu demais pra idade que tem. Cada vez que eu olhava pra ele, meu coração apertava. Era uma criança que já tinha aprendido cedo demais que as pessoas podem ir embora sem aviso. E, enquanto eu ajustava soro,

