MORTE NARRADO Assim que eu desci o morro com o Leozinho, já sabia que não tinha espaço pra erro. Não era só mais uma carga. Era munição. E munição, naquele momento, era a linha fina entre manter o controle ou ver tudo desandar de uma vez. O rádio já tava na minha mão antes mesmo do carro pegar velocidade. Minha cabeça funcionava mais rápido que o asfalto passando por baixo da gente. — Atenção geral — falei, a voz firme, sem margem pra dúvida. — Todo mundo na escuta. O plano é simples, mas tem que ser executado do jeito que eu tô passando. Sem improviso. Sem gracinha. Nada pode dar errado. Enquanto eu falava, o Leozinho dirigia calado, concentrado. Ele já me conhecia o suficiente pra saber que, quando eu entrava nesse modo, era porque a coisa era séria de verdade. Olhei pelo retrovisor,

