Nicoly narrando A dor da perda do meu irmão não vinha em ondas. Ela ficava. Constante. Cravada no peito como um peso que não saía nem quando eu tentava dormir. Às vezes parecia que eu ia sufocar só de lembrar que ele não ia mais entrar por aquela porta, não ia mais reclamar alto, não ia mais existir. Era um buraco aberto, sangrando, e ninguém parecia entender o tamanho disso. Não adianta falar que eu precisava ser forte. Que ele fez escolhas erradas. Que eu não podia culpar ninguém. Mas como não culpar? Como aceitar que a vida simplesmente segue quando a minha parou no momento em que me disseram que ele estava morto? E no meio dessa dor toda, tinha ela. Isabela. O nome já me fazia cerrar os dentes. Bastava pensar nela pra sentir o ódio subir quente, misturado com a sensação injusta de

