O quarto estava escuro demais para aquela hora. A única luz vinha do abajur esquecido no canto, lançando sombras irregulares pelas paredes. Matthias continuava sentado na beirada da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar perdido em algum ponto invisível à frente. O choro tinha diminuído, mas não ido embora, tinha virado outra coisa. Uma respiração irregular. Um corpo em alerta permanente, como se relaxar fosse perigoso demais. Nicholas não saiu. Permaneceu ali, sentado no chão, encostado na lateral da cama, as costas apoiadas no colchão. Não dizia nada. Não precisava. Às vezes, presença era tudo o que se podia oferecer sem mentir. Matthias quebrou o silêncio primeiro. — Não foi um acidente. — disse, a voz rouca, quase sem ar. — Eu sei que não foi. Nicholas fechou os olhos p

