Edson Andréia parecia prestes a ter um ataque cardíaco. Seus olhos arregalados me encaravam como se eu fosse um fantasma materializado na porta de sua casa. A boca abria e fechava algumas vezes, mas nenhum som saía. Eu poderia observá-la a noite inteira assim, paralisada e perdida, mas decidi quebrar o gelo antes que ela desmaiasse. — Boa noite. — O que está fazendo aqui? — disparou, sem nem respirar. O tom ríspido dela me pegou de surpresa, mas antes que eu pudesse responder, sua amiga, que parecia se divertir com a situação, interveio: — Que modos são esses, Andréia? — disse com ironia. — Até parece que não aprendeu nada comigo. Ela se aproximou, o olhar brilhando de travessura. Andréia, por outro lado, arqueou as sobrancelhas, impaciente. — E o que você tem de tão interessante pa

