Edson A casa de Andréia era aconchegante. Havia alguns quadros religiosos pendurados nas paredes e um crucifixo logo à frente da porta de entrada. Assim que entramos, ela beijou a própria mão e a encostou no crucifixo, como se reverenciasse a imagem. Aquele gesto simples me fez refletir sobre o que significava para ela — e sobre o quanto revelava de quem ela era. Não havia barulho algum dentro da residência. O silêncio me incomodou. Pela primeira vez, estar sozinho com uma mulher em um espaço fechado me deixava inquieto. A sensação era estranha, quase desconfortável. — Cadê todo mundo? — perguntei, preocupado e ansioso ao mesmo tempo. — Meu pai e meu irmão devem estar no restaurante. — Eles saíram para jantar? Ela riu. — Não. Meu pai é dono de um restaurante. — Ah, é… — senti-me um

