•43• Moon

1441 Palavras
Já havíamos almoçado e conversávamos sentados no refeitório. Todos estávamos cheios e cansados, nada preparados para aguentar até as 3pm.  - Bem, eu vou dar uma volta pela escola, porque eu tô explodindo e também preciso tomar meu remédio. - Sorrio de lado, me levantando e pegando minha garrafinha.  - Eu até iria com você, mas tô muito cansado pra fazer qualquer coisa agora. - Nate diz, se esticando mais sobre a mesa e eu solto uma risada nasalada. - Tudo bem, Nate. Eu vou ficar bem. - Sorrio e pego minha bandeja. - Vejo vocês daqui a pouco. - Deixo a bandeja em cima do balcão e Liz sorri para mim, retribuo o gesto e logo saio dali, indo em direção aos armários.  Vou até o meu e pego meu remédio, tomando o mesmo. Bebo bastante água e fecho o armário, indo para o bebedouro.  Encho minha garrafa com água, pois estava quase acabando e logo meu celular começa a vibrar. Pego o mesmo, vendo que era minha mãe.  - Oi, mãe... - Digo, enquanto fechava a garrafa e escuto ela tossir. - Tá tudo bem? - Franzo o cenho, preocupada. - Tá, tá sim... - Diz com dificuldade e eu começo a caminhar pelos corredores, que estavam praticamente vazios. - Eu só liguei pra avisar que tive que vir para o hospital... - Engulo em seco. - Eu não estava me sentindo muito bem, mas estou melhor agora. Era só pra te avisar caso você chegue em casa e eu não esteja lá... - Fico em silêncio por alguns segundos, tentando não chorar.  Já era a segunda vez que ela havia ido para o hospital hoje...  - Moon? - Escuto sua voz e engulo em seco, percebendo que meus olhos estavam marejados.  - Hã... Tá bem... - Limpo a garganta. - A senhora almoçou?  - Sim, querida. Fiz o almoço mais cedo hoje e passei m*l agora pouco e pedi pra Laura me trazer aqui. - Suspiro, parando em um canto do corredor. - Filha, eu estou melhor, não precisa se preocupar. - Ela sempre dizia isso... Mas como eu não iria me preocupar? Até quando eu "não precisaria me preocupar"?  - É bom ouvir isso... - Forço um sorriso, mesmo sabendo que ela não veria o mesmo.  - E por ai, está tudo certo?  - Está sim... Temos mais duas aulas antes de sermos liberados... - Ah, isso é bom... Te vejo em casa depois? Daqui a pouco eu estou indo pra lá, Laura está aqui comigo. - Sorrio de lado. Laura era a mãe de Drew, ela e minha mãe sempre foram muito amigas, mesmo antes de nós nascermos.  - Te vejo em casa... Se precisar de alguma coisa me liga, tá bem? Fala pra Laura que eu mandei um beijo. - Engulo em seco novamente.  - Pode deixar... Eu te amo.  - Também te amo. - Digo, tentando ao máximo não chorar.  - Tchau, filha.  - Tchau... - Murmuro antes de desligar e assim que o faço, respiro fundo, mordendo o lábio inferior e caminho mais um pouco. Eu odiava ter que ver ela assim e não poder fazer nada. Eu sei que ela está piorando, mas nós não podemos bancar todo o tratamento... Estamos dando nosso melhor, mas é tudo tão difícil... Sinto as lágrimas molharem meu rosto e fungo, entrando na primeira sala que estava aberta.  Vejo alguém do outro lado da mesma, de costas para mim, mas não consegui enxergar quem era pois minha visão estava borrada.  - Eu sei, pai... - Diz com a voz embargada e eu o reconheço. - É... Não, eu sei... Mas o senhor prometeu que viria esse fim de semana... O senhor nunca tem tempo pra vir me ver. - Diz um tanto frustrado e se vira para mim.  Assim que ele percebe minha presença, me encara assustado, limpando as lágrimas rapidamente. Desviei nossos olhares, encarando o chão.  O loiro respira fundo. - Tudo bem... Boa sorte com o trabalho... - Faz uma pausa e murmura um "uhum". - Também te amo. - Diz rapidamente e se despede, desligando a chamada.  - Desculpa, eu... - Nos encaramos e eu percebo seus olhos marejados, assim como os meus. - Eu não queria escutar a sua conversa... Na verdade eu nem te ouvi antes de entrar... - Fungo, limpando uma lágrima que rolava por meu rosto. - Eu não estava prestando atenção... Desculpa... - Digo e me viro para sair. - Espera... - Diz e limpa a garganta. O encaro e ele dá uma fungada. - Eu sei que você deve ter ouvido alguma coisa. - Respiro fundo. - Isso não é da minha conta, me desculpa Jack. - Me apresso a dizer e ele sorri sem mostrar os dentes.  - Johnson. Pode me chamar de Johnson. - Funga novamente e eu sorrio de lado. - Eu sei o que você deve estar pensando "e******o"... - Nos encaramos e eu franzo o cenho. - Eu chorando por causa disso. - Solta uma risada nasalada e eu vejo seus olhos se encherem de lágrimas. Balanço a cabeça negativamente, o encarando.  - Quem sou eu pra te julgar? - Dou os ombros e ele franze o cenho. - Não posso dizer que tenho uma relação boa com meu pai... - Pressiono os lábios, encarando o chão rapidamente, escutando Johnson suspirar.  - É que... - Levanto meu olhar, o encarando. - Ele quase nunca vem pra casa... - Força um sorriso. - Tá sempre ocupado com o trabalho, nunca tem tempo pra mim. - Engole em seco, enxugando as lágrimas e eu sorrio de lado.  - Pelo menos você ainda vê ele... - Digo com a voz trêmula, tentando não chorar ainda mais. Respiro fundo, fechando os olhos e volto a encarar o loiro. - Meu pai foi embora quando eu tinha 3 anos... - Dou os ombros, forçando um sorriso. - Ás vezes ele liga... Bem raramente... Quando eu completei 10 anos ele me ligou e disse que iria me ligar todo aniversário a partir daquele... - Sinto as lágrimas rolarem por minhas bochechas. - Tenho esperado desde então ele ligar de novo... - Faço uma pausa, tentando controlar o choro e respiro fundo depois de alguns segundos. - Então, se um de nós dois aqui é estúpido... Esse sou eu. - Nos encaramos e eu sorrio de lado, limpando as lágrimas, que não paravam de cair.  Vejo Johnson passar a mão pelo rosto também, mas não consegui identificar se ele também chorava ou não.  - Hã... Na verdade eu nem sei o que te falar... Não sou muito bom com essas coisas. - Sorri de lado, colocando as mãos nos bolsos e eu sorrio igualmente, balançando a cabeça. - Desculpa... Você tem seus próprios problemas pra eu ficar te enchendo com os meus também... - Fungo, limpando algumas lágrimas.  - Tá tudo bem... - Se aproxima e coloca a mão em meu ombro, acariciando o mesmo. Franzo o cenho, estranhando seu gesto e olho para o loiro ao meu lado.  - Não precisa ser legal comigo só por pena... - Forço um sorriso. - Muitas pessoas já sentem isso por mim e eu também... Não preciso de mais gente... - Molho os lábios, sentindo um nó se formar em minha garganta.  - Vai ficar tudo bem, Moon... - O encaro, vendo que ele sorria de lado, com os olhos um pouco vermelhos.  Sorrio de lado também, balançando a cabeça negativamente. Logo Johnson tira sua mão de meu ombro e passa por mim, indo até a porta, mas antes de chegar na mesma, se vira. - Hã... Será que... - Nos encaramos e ele engole em seco. - Será que dá pra você não comentar isso com ninguém? Por favor? - Sorrio de lado, dando uma fungada.  - Eu não vi nada. - Dou os ombros e ele sorri de lado.  - Já fez aniversário esse ano? - Pergunta e eu n**o com a cabeça.  - Só daqui um mês. - Limpo algumas lágrimas.  - Espero que ele te ligue. - Dá um sorriso meio que por pena. Só não sabia se era pena de mim ou dele próprio.  - Obrigada... - Sorrio de lado e ele se vira. - Johnson? - Ele para, sem se virar para mim. - Como já disse, isso não é da minha conta, mas... Valoriza mais o seu pai. - Engulo minha saliva com dificuldade. - Ele ainda te ama... - O loiro abaixa um pouco a cabeça, concordando e respira fundo, saindo da sala em seguida. Assim que ele sai, me sento em uma das cadeiras e respiro fundo, voltando a chorar em seguida. 
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