Eu permaneci ao lado do caixão, até a ressaca dar seus sinais, as 07 da manhã tomei um café forte e inquieta com a hora em que teria que me despedir sabendo que não o veria mais, o desespero tomava conta do meu peito. Eleanor e Rick chegaram empurrando a cadeira de rodas de minha mãe, mesmo adoecida ela estava lá. Eu estava com uma tontura horrível e uma dor de cabeça de ressaca que me trazia a tona o arrependimento de tudo, e nem me sobrava espaço pra pensar em meu pequeno caroço de feijão que dividia espaço em meu corpo.
- Mãe, a senhora não deveria estar de repouso? – eu disse me aproximando e agachando pra abraça- lá.
- Nem uma família horrível e uma pneumonia horrenda, serão capazes de fazer com que eu fique em uma cama sem ter a chance de me despedir do grande homem que era Eduard e apoiar minha grande menina, que aliás está fedendo a álcool depois de ter falado umas boas verdades ontem .
- Eu acreditei que assim seria mais fácil, mais nunca é.
Uma oração, e seguiríamos em direção ao cemitério da cidade, escoltados por carros, e ali seria a última vez em que ainda poderia lhe tocar, a minha família ficou ao meu lado a todo momento, Christopher pediu que seguisse conosco pois se sentia desconfortável em meio a tantos desconhecidos, era um rapaz bom, o olhar sincero de quem era o único amigo leal de Eduard, permaneceu mesmo que sozinho deis de anoite passada na cerimônia.
- você quer uma aspirina? Ou uma soda? Reconheço os sintomas de ressaca de cor e salteado.
- obrigada Christopher, estou realmente necessitada.
Com o comprimido já em mãos andei até onde preparavam os carros pra tomar a água na torneira do jardim, até ouvir os passos pesados e o arrepio na nuca que a senhora Blossed me causava.
- Talvez a aspirina sirva pra trazer a você um pouco de caráter, nunca gostei das mulheres que meu filho se relacionava, mais você foi pra testar a paciência de toda a minha família, uma encardida do subúrbio que enche a cara em seu funeral, e agride a mim e a todos dentro da nossa fortaleza, você pode ter essa cara de menina boa que cuida da velha traída da sua mãe e faz escândalo onde lhe convém, mais não acredite que receberá uma parte de tudo isso, após chegarmos no cemitério eu quero que você saia de lá sem olhar pra trás, e permaneça de boca fechada, você já causou muito desgosto. – Mary Blossed disparou toda a sua ira sobre mim.
Me senti ofendida, claro, mais as palavras foram como facadas envolvidas de verdade, ela saio logo em seguida e eu não consegui tomar nenhuma atitude a não ser a de correr e vomitar sobre as orquídeas do canteiro. Rick e todos já estavam dentro do carro, quando cheguei com o rosto vermelho e enxugando as lágrimas, não era capaz de dizer nada naquele momento, minha mãe segurou minha mão fortemente durante todo o caminho, sempre que alguém dizia m*l ou a humilhava como havia acontecido isso me feria por dentro , eu sabia da mulher forte e corajosa que ela foi todos esses anos, a minha vontade era entrar naquele cemitério e pegar Eduard e fugir de tudo.
- Com licença, eu nunca fui a mãe perfeita, ou a esposa perfeita, mais eu criei um homem que me fazia eu me sentir a mulher que lutasse todos os dias pra ser perfeita por ele, a dor de perder um filho não deve ser a pior do mundo, mais em um livro de recorde com toda certeza é que mais sangra a alma, que mais ensina que devemos falar que amamos e dar bronca mesmo depois deles grande. Um dia um sábio velho me disse que eu amaria alguém na vida que chegaria me doer por tanto amar, e eu entendo isso apenas agora, independente eu vou continuar amando cada fio de cabelo daquele que um dia habitou o meu ventre, e que lá de cima ele possa me perdoar por não ter lhe dado todos os abraços do mundo, uma cova não é nada quando o vazio maior é aberto dentro do nosso peito, mas eu sinto o amor dele e o toque sua mão me dando toda a força e conforto necessário. – Blossed desceu de lá aos planto.
Foi um discurso que fez metade dali chorar, que fez eu me cair mais uma vez ao chão remoendo todas as palavras que ouvi minutos atrás, o coveiro e todo mundo ali em volta falava uma palavra de acolhimento enquanto atirava um punhado de terra que ia preenchendo aquele buraco, eu não conseguia falar, ou me mexer, até sair chorando, virando as costas e correndo pra longe de todos, eu queria saber que ele me perdoou por isso, eu sai dos portões do cemitério, e corri, corri o mais rápido que podia e conseguia, até encontrar um banco de esquina frente a uma agência bancária a quatro quadras do cemitério e me sentar em sua beirada, a gritos e soluços. Pensava em entrar,na agência e mesmo sem saber sacar os 20 mil reais e fugir da cidade, e deixar todos, andava de um lado a outro sem saber oque ou como lidar. Não demorou nem ao menos quinze minutos e Christopher vinha lá longe andando preocupado, ele não questionou a minha atitude e isso me comoveu mais, apenas me abraçou dizendo que sentia muito e me deixou ficar ali em seu ombro por minutos chorando em sua camisa social.
- Tem algumas coisas de Eduard ainda na revista, você quer me acompanhar até lá? Talvez te faça bem!
É óbvio que eu queria conhecer esse lado de Eduard, ele era formado em marketing mais amava a escrita, então trabalhava em uma revista fazendo publicidade entretenimento, sempre leva- vá com responsabilidade e dedicação de sobra, Christopher estava sem carro então seguiríamos de bonde até o outro lado da cidade onde era a revista, bonde era uma espécie de "circular aberta" ele cortava a cidade, passando por bairros nobres e até guetos, eu amava andar de bonde, sempre me inspirava a pensar na vida, a embelezar as árvores floridas da estação que tinham uma caída um tanto quanto poética junto com o vento no rosto balançando os cabelos, uma completa liberdade , várias vezes sentei no último banco, vezes sorrindo e vezes chorando, teve vezes de após uma noite regada a bebedeira eu e Eduard só por diversão atravessamos a cidade iluminada, então não me importaria ir de bonde mesmo que atacasse minha saudade ainda mais. Caminhamos até o ponto que o bonde passava em silêncio, eu sentia que ele não queria ser evasivo e perguntar qualquer coisa.
- Beth, eu queria que viesse por algo a mais também, percebi que não se dá tão bem com a família de Eduard , a alguns dias, quase perdi meu emprego por conta do senhor Blossed uma postagem que falava sobre a empresa do lago ao norte e a contaminação de lá bastou pra ele ir falar com o meu chefe, oque queria falar com você, é que a umas três semanas ou mais o Eduard estava estranho, fazendo pesquisas, e planilhas sobre as empresas do pai dele, uma semana antes ele e o senhor Blossed tiveram uma briga no jornal, o pai parecia frustrado, mais eu já quase perdi meu emprego, não posso procurar a polícia, sabe.
- se tá me dizendo que suspeita do pai dele?
- olha o bonde vamos, lá na revista a gente fala sobre isso.
Sabe quando você quer correr sem parar porque aquilo foi algo tão medíocre que você precisa escapa? Tudo bem, o pai dele podia não ser a melhor influência, mais no tempo em que estive convivendo com eles o senhor Blossed era o mais íntegro daquele lugar, ele apoiava o filho como um leão defendendo o filhote, o amava, e demonstrava isso. O lago ao norte, era a desagua da empresa de resíduos químicos que era sócio, isso muitas pessoas sabiam mais não investigavam por conta de serem a alma dos negócios da cidade, aí meu Deus, o dinheiro na minha conta, a conversa na cerimônia, isso faz sentido, e se esse dinheiro veio do pai dele por isso a vaca da Blossed queria tanto ele, isso tá me tirando o ar, me dando uma tontura horrível misturada com uma pontada na coluna, senti um líquido escorrendo pelo meio das minhas pernas e quando passei a mão, era sangue!
- o bebê, meu Deus me ajuda, o bebê, eu tô perdendo meu bebê, não olhem pra mim, chamem ajuda me ajudem!!!
- eiii ajuda aqui, ajudem-me, Beth senta, eu vou te ajudar, só respira.
Christopher saio no meio da rua parando os carros, gritando por ajuda, enquanto uma senhora me abanava com um jornal segurando minha mão, e naquele momento só se passava na minha cabeça que eu estava perdendo meu pequeno. Eu sabia que não tinha condições de ter um filho agora, e por isso havia ignorado o fato ontem me embebedando e fazendo cena, e agora o maior sentimento era o de culpa.
- vem Beth eu consegui ajuda.
Ele me amparou e ainda tonta segui até o carro de um desconhecido rumo ao hospital mais próximo, eu sentia minhas forças indo embora cada vez mais e mais, a visão ficava turva, mais ainda era capaz de ver o semblante do Christopher exalando preocupação e nervosismo pedindo pro motorista acelerar o veículo. Chegamos ao hospital, eu fui recebida por enfermeiras bem preparadas que não perderam tempo e correram por meio aos corredores comigo em uma cadeira de roda direto pra avaliação médica, não conseguia me focar ao meu redor, estava fraca. Colocaram vários aparelhos em mim e na minha barriga, minha cabeça rodava sem parar, o medo, o aperto no peito, o desespero. Christopher estava do lado de fora da sala, inquieto sem saber oque fazer, eu podia vê-lo pela parte de vidro da porta, andando de um lado ao outro, o médico se retirou da sala, foram os 30 minutos mais angustiantes querendo saber oque acontecia, eu teria uma gestação complicada mais tudo ficaria bem, se eu guardasse repouso, acenando que Christopher poderia entrar na sala, o medico se foi.
- Beth como se tá? Eu não sabia que estava grávida, me perdoa.
- não foi culpa sua, a irresponsável foi eu que agi feito criança me permitindo essa situação. Você é o único até agora a saber, eu não sabia como reagir com a notícia.
- bom, se você quiser eu posso guardar o segredo, mais não pense nisso agora apenas Descanse, eu vou até o escritório e levo as coisas em sua casa.
- tudo bem! Obrigada por tudo de verdade.
Com o olhar de compreensão ele se foi. Ainda impactada com a situação era quase impossível eu digerir tudo oque vinha acontecendo des da noite em que Eduard partia levando um pedaço de minha alma com ele. Não queria pensar no bebê até o estante em que senti que o perderia, eu podia ver a minha irresponsabilidade tomando conta de cada m****o do meu corpo, eu coloquei em risco uma vida inocente que crescia em meu ventre, eu necessitava deixar as minhas dores de lado pra amá-lo, ser forte pra que ele vinhesse ao mundo com toda a força que o pai dele tinha em vida, a sensação de alívio por ele estar bem e a culpa tomavam conta do quarto, e a solidão me aconchegava até eu cair em sono. Quando acordei Eleanor e minha mãe estavam frente a cama, com o olhar pasmo, e minha mãe preocupada mais sem demonstrar emoção:
- Ressaca, briga e agora um bebê, minha filha me diga se você foi irresponsável ao ponto de saber dessa criança e esconder da gente e de si mesma como se fosse resolver o caos que tá estabelecido nesse momento?
- Calma senhora Grove, ela passou por um momento difícil, e independente da sua decisão ou das decisões que você tomou estaremos aqui, não é fácil perder alguém, mais você tem a chance de ter uma parte dele com si.- Eleanor sempre com seu papo de terapeuta disposta a ajudar.
- obrigada tia, eu agradeço de mais, e sim mãe eu sabia sobre o bebê, descobri no voou pra Londres, eu não conseguia lidar com a morte inesperada e nem ao menos com a vida que virá ao mundo, eu fui irresponsável sim por não ter pensado direito e me deixado levar pelas ridicularidades da família de Eduard, mais independente não quero que eles saibam sobre o bebê, não por enquanto.
- tá tudo bem! O médico informou que você precisará ficar em repouso alguns dias aqui, a conta do plano seu e do Eduard irá cobrir uma parte, então apenas descanse, tem roupas limpas e o seu notebook na bolsa, a gente não irá poder te fazer companhia por ordem médica, mais o telefone sempre estará a disposição. - Eleanor
- e minha filha me desculpa pelos últimos dias e estarmos afastadas, não ter sido tão compreensiva com a sua dor, eu quero que saiba que eu estou aqui e todos os dias tenho orado pra que suas feridas possam ser curadas.
- Eu te amo mãe, muito obrigada por tudo.
As conversas até o entanto eram apenas cochichos, eu não conseguia me expressar ou falar, era como estar aérea e tudo ser apenas vultos, mas também era como se eu pudesse sentir o abraço apertado das pessoas que me amavam, depois do acidente e da separação minha mãe ficava isolada em sua própria cabeça, independente eu sempre tentava estar o mais próxima possível, era complicado porque muitas vezes suas murmurações acabavam me magoando, mas sabia que jamais estaria só e seu amor sempre me protegeria.
Fiquei sozinha novamente no quarto, eu ouvia o barulho das conversas, o andar de um lado pro outro das enfermeiras, e me focava na luz acima de mim pensando oque faria agora, oque eu poderia fazer? Ainda tentando digerir oque vinha acontecendo. Peguei meu celular discando o número da minha agência bancária, tentei me informar sobre a transação que Eduard havia feito, mais não tinha oque eles investigarem, de onde viria esse dinheiro? No notebook me loguei na conta que tinha acesso de Eduard, havia diversos e-mail sobre o serviço, tudo normal, eu rolava a tela de e-mails com medo do que poderia encontrar, e mais ainda de não conseguir encontrar nada, no bloco da lixeira havia em e-mail que não foi enviado, com um número de telefone e uma mensagem dizendo " ligar caso algo de errado", sem pensar duas vezes disquei o número, insisti diversas vezes, e sem retorno me frustrei por ninguém atender, eu não sabia onde encontrar algo que me deixasse perto de descobrir oque aconteceu, então liguei pra keyth que ainda estava com a companhia em Londres, ela prometeu me ajudar com número de polícias, sabia que ela iria conseguir, sem querer ir direto ao assunto conversamos sobre a cerimônia, a bebedeira, mais ainda não podia lhe contar sobre o bebê:
- mais e o número de telefone dos polícias? Novidade?
- Beth, claro que eu consegui, eu fui até lá e ao necrotério, um dos polícias gente boa me chamou pra sair e ele é um amor, segundo a investigação não há suspeitos, os pais de Eduard negaram seu depoimento sobre a morte porque não há oque motive alguem tirar a vida dele, a polícia daqui não vai fazer muita coisa, o detetive da família irá procurar e-mail ou suspeitos, mais por enquanto ao que tudo indica as câmeras de segurança foram modificadas, oque não permite ver alguém suspeito. O policial informou que o celular de Eduard foi mandado pra casa dele, se você tiver a senha é uma ótima tentar pegá-lo.
- tudo bem, muito obrigada keyth, me envia uma mensagem pra nós encontramos amanhã a hora que você chegar com a companhia.
E desliguei angustiada. Como eu conseguiria o celular que estava onde não podia nem ao mesmo passar na frente. Enquanto pensava assisti vídeos e li diversos artigos sobre o lago ao norte, tudo indicava os níveis de poluição imenso, mais nada incriminava a família Blossed, o alto status social comprava a boca até dos mais íntegros e era capaz de culpar até os mais inocentes, como um raio de luz eu me lembrei que meu tio Rick já havia feito entregas da sua construtora na mansão, ele poderia entrar escondido no carro e pedir que alguém entrasse na casa.
- Oi tio Rick, acho que a essa altura você já sabe oque aconteceu e que tem um pequeno Grove a caminho, eu preciso conversa com você então se puder vir ao hospital ou me ligar eu agradeço, beijos.
A mensagem de áudio pro meu tio era um ponto de partida, eu confiava nele pra me ajudar a entender os pontos de interrogação na minha mente, sempre pude confiar minhas dores e incertezas pro grande tio Rick, mais abaixo eu recebia outra mensagem de voz:
- Olá Beth, compreendemos o ocorrido tanto eu quanto a companhia, gostaríamos de prestar nossos sentimentos a sua dor e peço desculpas por não ter entrado em contato antes, se puder me ligar, ou se precisar de algo te dou todo o tempo do mundo, ficar bem.
Essa era do babaca do Bem Fowler, nosso professor da companhia, não tínhamos afinidade com ele, Red nossa última professora havia se afastado a mais o menos um ano por motivos pessoais que ela nunca nos contou. Ele era bom, mais tinha um olhar pecaminoso e nojento enquanto dançávamos, sempre levava os ensaios e as danças muito a sério, um quilo a mais e sem dó nem piedade você era eliminada da companhia. Eu sabia que dali a keyth era a única pessoa boa o suficiente pra se importa, então não me preocupava por não ter recebido flores ou cartão de sentimentos.
Não demorou duas horas e Rick chegava com flores e o sentimento de preocupação no rosto, ele estava todo sujo do serviço ainda, provavelmente estaria saindo pra almoçar:
- Meu amor, vim o mais rápido que pude, porque não nos conto sobre o bebe? Você sabe que jamais te julgaríamos.
-sim tio, mais não me sentia preparada, mais agora está tudo bem com a gente graças a Deus, aconteceu algumas coisas envolvendo Eduard que estão me esquentando a cabeça, no dia da cerimônia eu ouvi a senhora Blossed falando sobre uma conta bancária minha, quando eu entrei havia sido feito um depósito alto pra minha conta, depois Christopher o rapaz que estava ao meu lado me contou algumas coisas sobre suspeitar do próprio pai de Eduard, pelo que parece ele estava investigando ou coisa parecida, eu preciso encontrar o celular ou o computador que esta na mansão Blossed, mais não posso entrar lá, por favor você precisa me ajuda, eles não ficam em casa no meio de semana, talvez você consiga entrar com o carro da construtora.
- Beth querida, como assim, você tem noção sobre oque está me falando? Isso é muito grave, mais se você suspeita, talvez eu possa tentar, se você me prometer ficar em repouso e cuidar do bebê.- Rick não negou esforços em mostrar sua preocupação com oque acabará de escutar, mais eu via que ele preferia não se intrometer tanto no assunto.
Com um beijo na testa ele se despediu prometendo me dar respostas. Na televisão do quarto passava um filme de comédia, me foquei em assisti-lo, a cada hora uma enfermeira vinha com um novo remédio, um novo aparelho pra ver como estávamos, e ali em meio a tantas turbulências pela primeira vez eu ouvi o coração do bebê, era aquele batimento forte, que batia junto com o meu e se misturava com o gosto salgado das lágrimas, era impossível não me emocionar com batimentos tão vivido, que estava ali, junto ao meu, queria gravar aquele momento em minha mente pra que ele sempre se repetisse ao fechar dos meus olhos, a enfermeira olhava se emocionando com a minha própria emoção, no ultrassom eu via um pontinho que se movimentava dentro de mim, e fui pegando amor, fui percebendo que em meio ao caos eu tinha um refugio que necessitava da minha força mais que era aquele carocinho pequeno que me dava forças pra continuar, eu me apeguei me permitindo ali em cima da cama me apaixonar e em questão de segundos todos os problemas e medos pareceram minúsculos. Me veio na cabeça a última viagem que fiz com Eduard, fomos pra uma casa de lago daquelas bem americana, simples e de madeira, com um lago maravilhoso, a casa era de um amigo do trabalho dele, a gente vinha tendo brigas, nem sempre concordavam em muitas das coisas, normal de casal, ele era sempre tão fechado oque da pra percebemos quando não me contou oque estava se passando na sua vida , eu sempre o sobrecarregava de certa forma com as minhas mil palavras por minutos, tinha dias em que eu necessitava da companhia dele, do abraço apertado, e ele sempre tinha algo pra fazer, depois de anos juntos é normal os casais se afastarem, mais as vezes era como se ele me afastasse ou permitisse que eu caminhasse pra longe, e como sempre a Beth Grove aqui que quer cuidar de tudo arrumava as viagens malucas, os encontros como se fosse o primeiro pra que nós aproximassem novamente, não podia me permitir pensar em perde- ló, Eduard tinha quase seus 28 anos, uma distância de idade que parecia nos separar, mas queria que ele sempre encontrasse sua juventude dentro de si, na viagem ao lago, só eu, ele e uma garrafa de vinho Rose, tivemos as maiores aventuras entre quatro paredes, era como se o nosso fogo de jovens cheio de hormônios tivesse renascido, nós permitindo coisas novas, lugares novos, que sempre acabavam em um banho de banheira. Em uma das últimas noites a gente se amou loucamente na beirada do lago, a lua refletia uma imensidão sobre nossos corpos nus e a forma como ele me tocou naquela noite, é inesquecível, capaz de arrancar suspiros em tom de saudade. Quando acabou ele me abraçou forte, com um beijo na testa e jurou que me amaria por todo o sempre, sabe quando parece ser uma despedida, é como se ele sentisse que seria nossa última viagem, quando eu me lembro é como se vivesse aquele momento novamente, o mesmo frio na barriga e o mesmo toque quente dos corpos suados. Todo aquele misto de dor e emoção me levaram a um sono profundo, e nos meus sonhos eu o vi me visitar, era tudo tão real que jurava sentir seu perfume pelo quarto e sua presença alegre ao lado da cama com a mão sobre meu ventre, tudo oque mais desejava era ter o seu bom dia com hálito de manhã e café em xícara de casal Ao acordar.
Logo de manhã, acordei com a keyth me ligando que acabará de chegar na cidade, assustada com a notícia de que estava no hospital ela chegou bem rápido sem entender oque estava acontecendo:
- antes que me encha de perguntas você será titia!
- Ai meu Deus, eu vou surta, é sério?
Ela já foi logo passando a mão sobre minha barriga me parabenizando.
- sim amiga, eu não sabia oque ou como contar a vocês é tantas coisas...
Foi inevitável que eu não deixasse escapar as lágrimas.
- ele era um cara incrível mais vai estar sempre vivido nos nossos coração Beth!
Keyth nunca foi boa com as palavras de conforto mais ter ela ali podia me dar todo o conforto necessário, mesmo que eu quisesse eu não podia lhe contar sobre as suspeitas ou oque estava acontecendo de verdade, preferi ficar quieta por enquanto. keyth ficou lá comigo por um bom tempo, conversamos sobre as notícias que passavam no jornal da manhã, minha b***a já doía de ficar na cama do hospital, com seu jeito de brincalhona pediu uma cadeira de rodas do quarto ao lado e me colocou me levando a passear pelo hospital, odiava aquele cheiro de desinfetante com remédio misturado, subimos de elevador até o último andar daquele hospital imenso, tinha uma parte de vidro que permitia ver toda a cidade lá em baixo, paramos ali por um tempo, era capaz de eu sentir os meus olhos brilhando, a vista de Bristol era incrível, lá no fundo a ponte Pênsil completava a visão maravilhosa que tínhamos a 75 m acima da água, era a ponte que mais me encantava, sempre que havia um tempo da vida corriqueira fugia pra ver os carros passar sobre ela, e ver o quanto é incrível oque mentes inteligentes são capazes de fazer ao mesmo tempo em que a força da natureza da o toque principal da vivacidade, é incrível!
- que lindo senhora fujona, está na hora da sua medicação, e o seu repouso não consiste em roubar cadeiras de rodas. – Magda era a enfermeira loira de olhos grandes e simpática que cuidava da gente.
- me perdoa doutora, eu assumo totalmente a culpa, mais essa bundinha murcha dela estava encaroçando já – keyth disse deferindo sarcasmo.
-ah keyth din só não te chuto agora porque preciso de repouso .
Era hora de retornarmos ao confinamento do quarto, mais remédios e mais solidão, keyth precisou voltar a vida dela, algumas horas depois chegou uma senhora que ficaria enterrada no quarto comigo, ela era bem debilitada, não de muita conversa e seus filhos pareciam o tipo que nem se importavam com uma vida corrida deixavam a mãe a mercê do plano de saúde também havia as vidas que chegavam por um fio na emergência, e a correria precisa dos médicos e enfermeiros de um lado ao outro.