Miguel estava deitado no sofá, olhando para uma televisão desligada. Fui até ele com cuidado e sentei ao seu lado. Ele se ergueu um pouco e se arrastou até colocar a cabeça no meu colo. – Oi. – Ele cumprimentou baixinho. – Oi. Ele se virou para me olhar nos olhos. Me surpreendi com a cor vermelha deles, como se ele tivesse chorado a noite toda. Então me lembrei que foi exatamente isso que deve ter acontecido, já que o Miguel só consegue se deixar sentir algo de verdade quando está a sós com si mesmo. – Eu sinto muito – foi o que eu conseguir dizer. Ele assentiu. – Eu também sinto. Nos encaramos sem dizer nada por um tempo. Então ele se sentou, olhando para a mesinha de centro e apontando com o queixo para ela. Segui seu olhar; havia um papel dobrado nela, levemente molhado. – O

