Capítulo Um.

1849 Palavras
Stefane. Dias antes. Diferente de muitas pessoas que cresceram sem saber quem é seu pai, eu não tenho traumas. Para mim, a curiosidade foi sempre o ponto chave. Quero sim, um dia, descobrir tudo sobre ele, mesmo minha mãe vetando qualquer informação a respeito. Na minha infância, fui muito mimada por todos, brigava e fazia birra para conseguir tudo o que desejava. Acredito que o motivo foi ser filha de mãe solteira. Quando minha prima Paola veio morar com tia Laura na casa dos seus avós, onde dividiam o extenso terreno entre três famílias, nos entendíamos perfeitamente bem. No entanto, sempre fui a briguenta e encrenqueira da rua. Acho que do bairro, para ser mais clara. Se algum dia me senti m*l por isso? Nunca! Porém, com o passar do tempo, fomos nos distanciando com grupos distintos de amigos. Temos seis meses de diferença, sou a mais velha. Eu não gostava da atenção que todos na escola, na infância, e depois na adolescência, destinavam a ela. Sempre soube que sou muito mais bonita e simpática, mas nem todos gostam da concorrência, e nisso, peco sem medo de ferir. Minha prima conseguia ficar e namorar os caras mais bonitos, e quando crescemos, ela estava se dando bem namorando o i*****l, mas tesudo do Eduardo. Nossa, bateu uma fagulha de saudade daquele cretino agora ― deixa essa mente de vaca longe dele, Stefane . Retrocedendo para o dia anterior no qual Eduardo e Paola ficariam noivos, recordo-me de como nossas vidas mudaram. Contei a minha prima sobre seu namorado tê-la traído com outras da faculdade, inclusive, que estava me assediando. Na época ela não acreditou em mim, dizendo que era inveja e mentira. A nossa desavença foi grande, e terminamos nos magoando com palavras ditas na hora da raiva. No entanto, nunca fui mentirosa, e isso doeu na alma. Eduardo estava acostumado com essas situações, vinha traindo Paola no estacionamento da faculdade, nas baladas. Ela era muito dedicada no trabalho e nos estudos, e nem sempre o acompanhava, por isso o safado, aproveitava cada chance. O meu maior erro naquele dia, foi querer mostrar a verdade. A ideia era chamar o futuro noivo para uma conversa e fazê-lo acreditar que o queria. O cretino vinha me cercando há tempos, e foi fácil tê-lo em seu quarto na mansão onde a festa acontecia. Começamos a nos emaranhar na cama, entre beijos e abraços, restando só as peças íntimas. Quando a porta do quarto foi aberta por Paola, e sua fiel escudeira Amanda, os xingamentos começaram, não tive chance de explicar que tudo era uma armação para mostrar a ela que o noivo não valia nada. As duas destilaram todos os adjetivos sobre nós, igualando-me a ele, foi então que decidi não dizer nada. Para todos eu era a v***a que traiu a prima no dia de seu noivado. E foi assim; já que tinha fama, acabei na cama com Eduardo algumas vezes. Fingia uma satisfação que não existia, para que minha prima e seus amigos acreditassem que fiz por inveja. O Cretino me ligava para chorar as pitangas sobre o término do seu relacionamento. Eu não n**o fogo, basta uma ligação, e se o cara for gostoso, pauzudo e com uma conta bancária de respeito, vou mesmo. Hipocrisia nunca fez parte de mim, principalmente se tratando de homem. E o delicia tem todos estes atributos e aproveitei todas as chances de estar com ele. Todavia, o ordinário queria mesmo a priminha simpática. Águas passadas. Hoje Paola está casada com Luigi. Que homem, senhor! Lindo, gostoso, cheiroso e com sotaque ― Mamma Mia! ― não podia faltar o essencial, uma herança deixada pelo padrasto, que depois descobrimos que, Pedro Di Salvi, era, na verdade, pai dela. Até nisso ela teve mais sorte que eu. Herdou um valor exorbitante e casou-se com o belo italiano. Resumindo: nadei, nadei e acabei na praia, e ela, vivendo numa mansão com empregados. O crime não compensa. #SQN. Aprendi muito com as experiências adquiridas. Nem minha consciência me leva a sério. Carmem, até então, não revelou o nome do meu progenitor. Ainda conto com a melância do meu carro vermelho e popular para me locomover. Tenho um trabalho do qual me orgulho. Mesmo o tendo conseguido por chantagem, sou imprescindível naquele escritório. Davi e Daniela não vivem sem a minha extensa genialidade em resolver todos os pepinos ― e abobrinhas ― que caem em minha mesa. Ajudei o meu chefinho querido quando Renato jogou sujo para prejudicá-lo. Embora a intenção fosse me casar com ele, mas, com as evidências em mãos, as usei dando provas ao meu poderoso chefe que podia confiar e contar comigo. *** Hoje é dia de comemoração na família Branco, faz um ano que Davi e Amanda se casaram. Ainda não consigo engolir essa entojada, porém, é a esposa do meu patrão, e pelo significativo salário que recebo, posição que sirvo no Branco & Associados, sorrio para todos, vou precisar usar botox antes dos trinta anos. Acordo cedo, e como ritual checo como está o meu horóscopo. Virgem: surpreenda e crie um clima mágico no amor. ― Só se for o amor do meu chefe com sua amada. "Lua e Marte na área afetiva trarão atitude e mais emoção na relação íntima. Se estiver só, invista no romance virtual". Clico no próximo, sempre gosto de uma segunda opinião. Números da sorte 04, 22, 58. Cor do dia: branco. O céu estimula um romance e hoje fuja de tretas. ― Isso sim é um sacrifício. Fugir de tretas. Continuando... Santo protetor: São Roque Anjo: Rafael Perfume: Frutas levemente cítrica e floral suave (que contém lavanda, jasmim e maçã verde). Visito outros sites e seguem a mesma linha: estimular um romance. No banheiro borrifo o perfume floral. Visto um vestido branco e sandália de salto vermelha, e como não pode faltar extravagância, a faixa no cabelo com cores vibrantes; rosa e azul. *** Minutos mais tarde chego animada, ajeito a mesa, ligo o computador e o ar-condicionado. Sou chique, até sou servida com café pela Josefina, a cozinheira do andar mais importante deste edifício. Ostento porque posso. O elevador soa. ― Bom dia Stefane! ― Essa pele bronzeada, olhos verdes e sorriso de canto de lábios de Davi, é um excelente dia, com certeza. Quero um desse pra mim também. Respondo com educação e elegância. ― Fez o que solicitei? ― Droga! Fiz, sou obrigada a fazer. ― Ela receberá em uma hora ― digo. A fisgada no peito mostra, mesmo não querendo sentir, inveja, e dói. Fico indignada como ele ama aquela mulher. Doutor Branco faz de tudo e mais um pouco para agradá-la. Não sou merecedora de tanto amor. O meu coração já se fechou para as comédias românticas e filmes da Disney. Busco o prático. Um homem capaz de presentear-me com joias, cartão sem limite, carros de luxo e viagens. Se for me trair? Faça. Um bom acordo e contrato com garantias, e minha boca será um túmulo. Como sempre digo. Não espero muito. ― Só pra fechar meu checklist. As flores e o carro novo? ― Nunca falhei com os pedidos, doutor. Lembre-se, eu listo seus checklists ― respondo no modo assistente pessoal, muito profissional. ― Por isso é a minha assistente, Stefane. Obrigada! ― Assistente pessoal, Davi. Não diminua meu cargo nesta empresa. ― Nunca! Pede meu café, por favor ― diz antes de entrar em sua sala. No decorrer do dia marco para fazer as unhas, hidratação no cabelo e depilar as partes baixas. O telefone na mesa toca. Uma das clientes reclamou não ter uma resposta, quando ocorreu o pagamento de um acordo fechado entre ela e o advogado do seu ex-marido? Entro nas minhas redes sociais, deixo algumas curtidas, e nada estimulante para fugir das tretas, pois o romance faz-me lembrar do carrão de presente, prestes a chegar ao estúdio de dança de Amanda; a metida. Meu celular tocou, pensei nele enquanto dirigia mais cedo. ― Docinho preciso de você. ― Fico irritada com estes diminutivos bregas. ― Não sei se posso, Mauro. Embora curta rechaçar suas investidas, Mauro sabe fazer gostoso. Homens com pegada, bom papo e dinheiro, ganham a minha atenção. A ex-esposa dele nunca apareceu nos jantares em que o acompanhei. Dizem as más-línguas que ela mora no exterior. Um fim de casamento assim é o meu sonho de consumo. No entanto, preciso ficar atenta aos seus comandos. Mauro tem vinte anos a mais do que eu. É um coroa cuidado, em todos os sentidos, porém, exagera em querer minha companhia. Sou uma mulher livre em busca de um milionário. ― Stefane, não brinca comigo. Meu motorista lhe buscará às vinte horas, esteja linda, como sempre. ― Delicinha, todo machão. Tenho distúrbios, só pode. ― Ok ― concordo. Desligo sem contestar. O maço obsceno de notas no final do encontro é minha motivação . O sexo formidável é o meu estimulante de hoje. Deixo uma risada sozinha no banheiro . Louca! Onde está o romance aqui? Volto para a minha mesa, e a presença de Amanda tira o meu humor. ― Stefane, o Davi não se encontra na empresa? ― Faltam classe e educação nesta mulher. ― Ele não saiu. Se quiser pode aguardá-lo em sua sala ― digo. ― Quero sim, e o deixe livre por uma hora e meia. ― Não falei? Nem sabe se o marido tem algo importante nesta hora e meia. Pensa que está em seu estúdio de dança, onde faz como bem entende. ― Deixe-me consultar a agenda dele. ― Confirmo que a reunião a seguir tem como ser adiada para após a sua saída. ― Vou desmarcar a próxima reunião. ― Obrigada! Ainda que seja inconveniente tê-la como funcionária do meu marido. ― Viva com isso, queridinha. Não sabe como fico feliz em saber o quanto a minha presença te incomoda. ― Lembro sobre não entrar em tretas a tempo. ― Mas, fique à vontade, tenho que falar com a doutora Daniela. Na verdade, só quis mesmo é deixá-la plantada esperando pelo Davi. Agora ela não é mais metida a famosa, agora ela é a famosa. E pior, casada com CEO da empresa onde trabalho. Desgostosa, encaro as grandes janelas e fico pensando no sexo quente nesta hora e meia, como agradecimento pelo presente exagerado dado pelo meu chefe . Que inveja!! ― Stefane, está perdida? ― Olha o gostosão. ― Tem surpresa o esperando em sua sala. ― O sorriso malicioso é por saber quem lhe aguarda. ― Posso ficar com este espaço em minha agenda? ― Deve. ― Você e sua eficiência. ― Pisca e deixa-me ao marasmo, olhando pela janela os carros frenéticos em engarrafamentos andares abaixo, e me perguntando: por que não acontece comigo? Aproveito este tempo e sigo para o banheiro. Vou fazer uma chapinha no cabelo e dar um jeito nas unhas, marquei para amanhã, não esperava ter compromisso hoje. *** Meninas nós queremos muito saber a opinião de vocês sobre o prólogo e primeiro capítulo, por favor, votem e comentem bastante para ajudar as autoras. Beijos e até a próxima postagem.
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