NARRAÇÃO: MAITÊ O ar condicionado do blindado da Babi estava no talo, o vento gelado batendo direto no meu rosto, mas não era suficiente para apagar o incêndio que estava rolando dentro de mim. Eu estava sentada no banco de couro legítimo, olhando para o nada através do vidro fumê, enquanto a paisagem do Rio aquela transição violenta entre o asfalto irregular do morro e a geometria fria da Barra passava como um borrão insignificante. Meus dedos ainda formigavam, uma pulsação rítmica que parecia acompanhar o grave que ainda ecoava no meu crânio, e o cheiro dele aquele cheiro absurdo de perigo, uísque caro, fumo e poder bruto parecia ter grudado em cada poro, em cada fio de seda do meu vestido preto. Assim que a gente atravessou o portão de ferro do condomínio de luxo da Babi e o elevador

