NARRADO POR: DANIEL LACERDA Eu fiquei ali, estático, plantado no epicentro daquela pista de mármore carrara, segurando o meu copo de uísque com uma força que quase trincou o cristal. Meus olhos não desgrudavam das costas da Maitê. O contraste era uma afirmação de poder: o brilho esmeralda daquele vestido, que eu mesmo ajudei a escolher, sendo envolvido pela escuridão absoluta do terno daquele sujeito. Eu não senti asco. Não senti repulsa. O que eu senti foi uma espécie de reconhecimento silencioso. Eu a joguei no covil do lobo para salvá-la da Sofia, mas ver a minha menina saindo da própria formatura escoltada pelo dono do morro era o selo de que o meu plano tinha funcionado — talvez até bem demais. Ela não era uma boneca de porcelana; ela era a rainha daquele jogo agora. Assim que a

