Capítulo 30 A dor de Maitê

1164 Palavras

NARRADO POR: MAITÊ Eu estava ali, encolhida contra a madeira fria e impessoal da porta do meu quarto, sentindo o mundo que eu levei vinte e cinco anos para construir desabar sobre os meus ombros como um teto de concreto armado. O choro que eu tanto segurei na frente deles, aquela máscara de orgulho que eu tentei sustentar enquanto subia as escadas, agora saía rasgado, visceral, um som de agonia primitiva que ecoava pelo luxo silencioso e estéril do meu quarto. Eu não conseguia entender, meu cérebro de médica buscava uma lógica sináptica que não existia: por que a minha mãe me odiava com tanta precisão? Por que ela sentia esse prazer quase doentio em me reduzir a pó, em me tratar como uma mancha de gordura na decoração impecável da vida dela? Cada palavra da Sofia — vagabunda, desclassifi

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