CAPITULO 2 VK

1557 Palavras
APRESENTAÇÃO DO PERSONAGEM: VICTOR "VK" NARRADO POR: VICTOR (VK) Qual foi a visão, bando de comédia? Se tu tá aqui buscando historinha de amor com final feliz, já mete o pé porque o papo aqui é de visão e o clima é de guerra. Me chamo Victor, mas no asfalto e nas vielas do Rio, o nome que faz o corpo tremer e o fuzil baixar é VK. Tenho 32 anos e sou o líder absoluto dessa p***a, mando em cada palmo do Complexo do Alemão. No meu comando, nada acontece sem a minha visão; se um vapor vacila, eu tô sabendo. Eu não ganhei essa p***a no mole não, parceiro; eu conquistei cada centímetro desse solo com muito sangue, estratégia e uma frieza que esses playba do asfalto não aguentam nem cinco minutos de troia. A vida me ensinou no açoite que o mundo não tem pena de ninguém. Eu era um moleque de 15 anos quando a casa caiu. Minha coroa tava doente, definhando, e meu velho... bom, meu velho amava demais e aguentava de menos. Quando ela bateu a caçamba, ele não segurou o rojão do silêncio e decidiu que o único jeito de encontrar ela era com um pipoco na própria cabeça. Eu fiquei ali, sozinho, com dois presuntos e uma lição amarga: o amor é uma fraqueza que te manda pra vala mais rápido que qualquer bala traçante. Cresci sozinho na atividade, roncando alto nas ruas do morro. Aprendi a ler o movimento das sombras antes mesmo de saber o que era o alfabeto. Cheguei onde estou por mérito próprio, sem herança, sem padrinho, só na inteligência e na disposição de fazer o que os outros tinham medo. Sou dono do maior morro do Alemão e não troco essa vida por nada. Se precisar deitar um, eu deito sem dó. Se precisar cobrar, a conta chega com juros de sangue. No meu império, a lealdade é a única moeda que vale alguma p***a. Meu lema é um só e eu não mudo por nada: "Pegar e não se apegar". Não curto mina grudenta, essas emocionada que só querem o meu malote e acham que um pente no camarote dá direito a mandar na minha vida. Mulher pra mim é alívio, é diversão de uma noite pra relaxar o ombro do peso do fuzil. No morro, os únicos que eu fecho 10 a 10 e confio são meus parceiros de guerra: GT e BR. O resto? O resto é só peça no meu tabuleiro de xadrez. Sou calculista, autoritário e implacável. Se tu vacila comigo, tu paga. Se tu me deve, tu reza. E se tu acha que pode entrar no meu caminho e sair ilesa, tu ainda não conhece o lado oposto da vida. Eu sou o Victor. Sou o VK. E no meu domínio, quem dita o ritmo do baile sou eu. No meu domínio, o silêncio só existe quando eu permito. O resto do tempo é o som do rádio comunicador fritando na cintura, o ronco das motos subindo a ladeira e o grave do funk que faz o chão tremer lá na favela. Eu não sou o tipo de cara que fica sentado em trono esperando as coisas acontecerem. Eu sou o cara que tá na linha de frente, que sente o cheiro da pólvora e que decide quem vai ver o sol nascer amanhã. No Alemão, o respeito não é algo que você herda, é algo que você arranca da garganta de quem ousa te olhar atravessado. Saí de casa com o fuzil atravessado no peito, sentindo o peso do metal que é a minha única segurança e meu maior orgulho. Montei na minha XT 660, dei aquele estalo no motor que ecoou pelas vielas avisando que o dono da gestão tava descendo. Cada morador que passava baixava a visão ou mandava aquele "salve, patrão" carregado de medo e reverência. É assim que eu gosto. É assim que tem que ser pra manter a engrenagem girando sem falha. Cheguei na boca principal, o coração do lucro. O clima tava quente, sol estalando no lombo, mas ali dentro da sala de contagem o ar era gélido, focado na movimentação da carga. Avistei o BR e o GT já na contenção, conferindo os malotes que chegaram na calada da noite. — Qual foi a visão, parceiro? — mandei a real pro BR enquanto encostava na mesa, os olhos escaneando cada movimento dos vapores. — Nenhuma, mano, tudo na paz por enquanto. Mas tô doido pra chegar amanhã pra pegar umas gatinhas novas do asfalto que prometeram brotar no baile. Já tô saturado dessas minas aqui do morro, muito grudentas, acham que um pente no camarote dá direito a ser fiel — o BR respondeu, dando um trago longo e soltando a fumaça na minha direção. Dei um sorriso seco, ajustando a bandoleira do fuzil. — Por isso que eu não mudo meu código por nada. "Pegar e não se apegar" é o que me mantém no topo. Mulher é alívio, não é algema. Entrou no camarote, curtiu o momento, sentou pro pai e depois tchau. Sem rastro, sem cobrança e sem essa p***a de amor que só serve pra atrasar o lado de quem tem guerra pra vencer. No meu império, sentimento é luxo que eu não me permito. De repente, a porta da sala de contagem voou no chute. Um dos vapores entrou esbaforido, suor escorrendo pelo rosto e o rádio na mão tremendo mais que vara verde. O moleque parecia que tinha visto o próprio capeta. — Qual foi, moleque? Quer morrer entrando assim? — o GT já levantou com a mão na peça, o clima ficou tenso na hora. — Chefe... perdão... mas o bagulho ficou doido lá embaixo. Temos um problema sinistro com a carga de armamento que chegou ontem. O pagamento não caiu na conta, o maluco do asfalto tá querendo dar migué, disse que a polícia travou o sinal, mas a gente sabe que é conversa fiada pra passar a perna na gente o vapor despejou as palavras quase sem fôlego. Senti o sangue ferver instantaneamente. Se tem uma coisa que eu não tolero é n**o querendo brincar com o meu dinheiro e muito menos com o meu ferro. No meu morro, ninguém dá calote e sai ileso pra contar história. — E tu só me diz isso agora, seu comédia? — levantei da cadeira num pulo, o ódio transbordando pelos olhos. — c*****o, vocês são um bando de incompetentes! Não fazem uma p***a de nada certo! Acham que essa p***a aqui é colônia de férias? Se a carga de ontem não tá paga, alguém vai pagar com o sangue hoje! Não esperei resposta. Saí da sala voando baixo, com o BR e o GT vindo logo atrás na bota, sentindo que o couro ia comer. Montei na moto e arranquei, o motor roncando alto, avisando pro morro inteiro que o dono tava descendo pra cobrar a conta e que o preço ia ser alto. Fomos direto pra um galpão na entrada da comunidade onde o infeliz que intermediou o negócio tava tentando se esconder. Chegamos chutando tudo que tava na frente. O Bruno já meteu dois pipocos pro alto pra avisar que a gestão tinha chegado e que o papo era reto. O sujeito tava lá, jogado num sofá imundo, achando que o golpe ia passar batido sob o meu nariz. Assim que ele me viu, os olhos dele quase pularam da cara. Ele tentou levantar, mas a coronhada de fuzil que eu dei na fuça dele fez ele beijar o chão de cimento na mesma hora. — Cadê o meu dinheiro, seu merda? — berrei, pisando com toda a força no pescoço dele, sentindo o osso estalar. — Achou que o VK é o****o? Achou que ia pegar o armamento da gestão e sair com a conta limpa? — Eu não tenho a grana agora... relaxa, mano... a polícia travou... não precisa de agressão... — o desgraçado começou a gaguejar, o sangue já manchando o chão e os dentes dele voando longe. Dei outro soco, dessa vez nas costelas, pra ele entender que a palavra "relaxa" não existe no meu dicionário. — Bandido não alivia pra ninguém, c*****o! Muito menos pra rato que quer crescer o olho no que é meu! — sentenciei, a voz saindo como um rosnado de bicho selvagem. Apontei o fuzil direto pra cara dele. Ele começou a chorar, aquela ladainha nojenta de quem sabe que a vala tá aberta esperando. Falou de família, de filho, de perdão. Mas no meu mundo, erro de carga é erro fatal. Quem não paga no dinheiro, paga na vida. — Passa a visão pro capeta que no Alemão a gestão é pesada e não dorme no ponto — disse gélido, sem piscar. Dois tiros secos. Um no peito pra parar o coração e outro na cabeça pra garantir que não ia ter volta. O silêncio voltou pro galpão, interrompido apenas pelo som do sangue escorrendo. Deixei o presunto ali mesmo pra servir de exemplo pros outros. Olhei pros meus comparsas e dei a ordem: — Levem o que sobrou desse lixo e joguem pro outro lado. E avisem pra geral na boca: quem me deve, morre. Quem tentar me passar a perna, some. O aviso tá dado e eu não repito.
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