ISABELA NARRANDO Amanheceu mais um dia e, mesmo depois de alguns dias do sequestro, ainda acordo assustada de vez em quando. As lembranças daquele dia invadem meus sonhos sem pedir licença, e, ao abrir os olhos, o pavor parece se dissipar no mesmo instante, mas meu coração ainda demora um tempo para desacelerar. Por mais que eu tente esquecer, tem coisas que só o tempo cura. Mas, pelo menos, os machucados e arranhões já sararam, minha pele não ficou marcada, e o bebê está bem. Ainda enjoo um pouco, mas só de manhã; durante o dia e à noite, fico bem disposta, graças a Deus. Meus pais voltaram para Pernambuco. Meu pai precisava resolver algumas questões de trabalho; as férias dele já tinham acabado há muito tempo, mas ele ficou aqui comigo o quanto pôde. Foi difícil ver meus pais partir

