Rei narrando O motor do carro ainda roncava quando a gente encostou na barreira do Vidigal. O sol já tava nascendo, tingindo o céu de laranja sangue, e a comunidade tava daquele jeito... olhos atentos, ouvidos abertos, silêncio tenso. O tipo de silêncio que precede a justiça do morro. E hoje… hoje ia ter exemplo. — DG, para o carro e abre a p***a da mala — falei, acendendo o cigarro com calma, tragando fundo enquanto observava o céu clareando por trás das lajes. DG não questionou. Parou o carro e foi direto na mala. Quando a tampa subiu, o fedor de sangue velho misturado com urina subiu junto. E lá estava ele… o lixo do Coiote. Todo fodido, inchado, sangrando, com o rosto deformado de tanto apanhar dos vapores. Tava irreconhecível. Um olho fechado, o outro pedindo socorro, os beiço cor

