Capítulo 143

1853 Palavras

Chacal narrando O cheiro de pólvora ainda queimava minhas narinas, e cada vez que eu puxava o ar parecia que o sangue grudado na minha roupa entrava junto pros meus pulmões. O comboio subia o Alemão devagar, faróis cortando a neblina da madrugada. Do lado, os moleques ainda armados, olho atento, dedo nervoso no gatilho. O clima era de guerra, porque guerra era o que a gente tinha acabado de travar. Na carroceria, amarrado igual cachorro, tava o filho da p**a do Cabuloso. A cara inchada, sangue seco na boca, um olho quase fechado. Mesmo assim, o desgraçado ainda tentava bancar a marra, só que eu sentia o medo. O medo tem cheiro, tem vibração, tem um peso no silêncio. Ele tremia. Tentava disfarçar, mas eu via. Meu peito queimava. Eu só pensava na Dandara, no corpo dela caído, sangue espa

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