Ryan
Acordei com o despertador tocando. Me levanto da cama ainda com muito sono, vou para o banheiro e faço minha higiene matinal. Depois, visto minha roupa da escola, pego minha bolsa e desço para o andar de baixo. Chegando na cozinha, não vejo a minha tia, e acho isso muito estranho, pois ela sempre acorda antes de mim. Deixo minha bolsa em cima do sofá e vou até o quarto dela.
Dou duas batidinhas na porta e chamo ela.
— Tia, eu posso entrar?— Fico esperando ela me responder, mas não escuto nada.
— Tia! . Eu vou entrar?— Falo mais algumas vezes, mas ainda não obtive resposta. Decido abrir a porta e entro, vendo ela deitada com os olhos fechados. Corro até ela, sentindo uma dor absurda no meu peito, e a chamo, sacudindo-a levemente.
— Tia, ô tia, acorda por favor!— Digo, sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Vejo os olhos dela abrindo.
— Ryan, o que foi, menino?— Ela fala com a voz um pouco rouca.
— A senhora está bem, tia?— Pergunto. Preocupado.
— Eu estou bem, meu amor, só um pouco de dor de cabeça.
— Você quer que eu pegue algum remédio? Eu posso ficar hoje com a senhora.— Ofereço.
— Não precisa, Ryan. Você tem que ir para a escola e estudar. Você precisa ser um menino educado e inteligente. Agora, levanta e vai estudar. Eu vou ficar bem.— Ela assegura.
— A senhora tem certeza disso?— Insisto.
— Tenho sim, meu filho.— Ela responde.
— Tudo bem então.— Digo, observando um sorriso no seu rosto, embora não tenha o mesmo brilho de antes. Mesmo relutante, me dirijo até a porta mais antes de abrir a porta, escuto ela me chamando.
_ Ryan
— Oi tia
— Você me promete que será um bom menino, que nunca vai abandonar a escola?— Pergunta ela.
— Por que a senhora está me perguntando isso, tia?— Questiono.
— Só me prometa.— Ela pede mais uma vez .
. — Tudo bem, eu prometo.
Num momento carregado de emoção, tia Luma segura meu rosto entre as mãos, e olhando profundamente em seus olhos. Um sorriso triste se forma nos lábios dela enquanto uma lágrima escapa. Ela sussurra com voz suave.
— Obrigada, meu filho, por todos os momentos preciosos que compartilhamos. Meu coração estará sempre contigo. Eu te amo mais do que as palavras podem expressar.— Com os olhos brilhando, eu abraço minha tia com força, sentindo o amor e a conexão que transcende entre nós.
(...)
Após a conversa com minha tia, saí de casa e caminhei até a escola. O dia estava peculiar, nublado e sem vida, como se algo terrível estivesse prestes a acontecer.
— Ryan, que cara é essa?— Tae questiono-me quando eu chego na escola.
— Oi, Tae, não estou me sentindo bem.— respondi.
— O que você tem? Está doente?— Ele me perguntou preocupado.
— Não, mas acho que minha tia está. Tivemos uma conversa estranha hoje.— expliquei, e ele, preocupado, indagou sobre a estranheza da conversa.
— Tive a sensação de que estávamos nos despedindo.— Compartilhei com ele o meu pensamento.
— Não diga uma coisa dessas, Ryan. Aposto que a tia e a Luma está bem.— ele tentou tranquilizar- me. E quando ele terminou de falar a professora entrou na sala e começou a dar sua aula. Eu refleti sobre as palavras de Tae e pensei que talvez ele estivesse certo. "Vou deixar esses pensamentos de lado e aproveitar meu dia. Afinal, depois de amanhã começam as férias, e não poderei me divertir," dou um sorriso com meus pensamentos e começo meu showzinho deixando a professora de cabelos em pé.
Tudo transcorria bem, mas quando restava apenas uma aula para encerrar, a professora chamou minha atenção.
— Ryan, você pode me acompanhar até a diretoria, por favor?— indagou ela com uma expressão séria. Fiquei intrigado, pensando no que poderia ter feito de errado desta vez.
— Mas professora, eu não fiz nada.— respondi, tentando entender a situação.
— Eu sei. Mais me acompanhe, por favor.
Levantei-me da cadeira e segui a diretora até a sala da direção. Ao chegarmos lá, ela pediu que eu me sentasse, o que achei estranho , já que nunca aconteceu, sempre que eu ia lá, ela já começava a me dar broncas, e sem dizer mais nada começou a fazer algumas perguntas.
Curioso e um pouco apreensivo, prestei atenção para compreender a razão por trás desse chamado inesperado.
— Ryan, você só mora com a sua tia, certo? — perguntou a diretora.
— Sim, diretora.
— E os seus pais, você sabe onde eles moram?
— Não, minha tia disse que mamãe morreu quando eu nasci, e meu pai... eu não sei quem ele é, pois a minha tia não fala muito dele.
— Tudo bem.— respondeu a diretora, um pouco desconfortável. Eu estranhei aquilo.
— Por que a senhora está me fazendo essas perguntas? Tem algo de errado?
— Se eu te disser que não, estarei mentindo. Então sim, eu sei que você é criança, mas é bem maduro para sua idade. Você vai entender o que aconteceu.
— O que foi diretora.— falo angustiado sentindo meu coração acelerar
— Eu sinto muito, Ryan,— começou a diretora Julia. — Recebi uma ligação informando que sua tia Luma passou m*l em casa e veio a óbito. Antes de falecer, ela deixou uma carta para você.
Ao ouvir aquelas palavras eu não sabia o que dizer ou pensar. Isso não podia ser verdade. Minha tia não podia ter me abandonado.
— A senhora está brincando comigo, não é?.— Pergunto com lágrimas nos olhos._ Isso tudo é porque fiz aquelas pegadinhas com a professora, não é?
— Não, Ryan, estou falando sério. Sua tia era a única responsável por você, e agora você não tem mais ninguém. Terá que ir para um orfanato até completar a maioridade.
— Não!.— Digo desesperado, e saí correndo da sala da diretora, indo para o fundo do colégio, onde encontrei a passagem que sabia que dava até a rua. E já fora dos muros do colégio eu saí correndo em direção à minha casa, eu precisava saber que isso era mentira.
Isso não pode estar acontecendo comigo. Eu não vou para orfanato nenhum, penso, enquanto limpo as lágrimas do meu rosto. Ao chegar em casa bastante ofegante, vejo duas viaturas de polícia, uma ambulância e um carro com o nome "ML". Antes que eu pudesse entrar, sou barrado por uma policial que impede a minha passagem.
— Me solta, por favor! Eu quero ver a minha tia! — falo chorando compulsivamente.
— Sinto muito, mas você não pode agora. Eu vou ficar com você, tudo bem?— a policial responde, e eu não conseguia parar de chorar. Acabo aceitando, me abraçando com ela como se a minha vida dependesse dela.
— O que vai acontecer agora? — pergunto, com os olhos ainda marejados vendo o carro do IML levando consigo a esperança de que tudo não passa de um terrível pesadelo. Enquanto isso, tento assimilar a ideia de que minha vida mudou para sempre a partir de agora.— eu devia ter sido um sobrinho melhor para minha tia, talvez se eu tivesse cuidado dela, isso não teria acontecido.
— Vamos entrar em contato com os responsáveis e providenciar tudo. Você será levado para um local seguro e receberá todo o apoio necessário. — explica a policial, tentando acalmar minha angústia.
A policial termina de falar e me conduz para dentro de casa, onde a atmosfera está carregada de tristeza. Encontrei alguns paramédicos e policiais ainda conversando. Ao entrar, avisto um envelope com meu nome sobre a mesa, indicando a carta deixada por minha tia que a diretora falou.
— Ryan, sinto muito pela sua perda. Quando se sentir pronto, poderá ler a carta que sua tia deixou para você. Estamos aqui para apoiar. — diz a policial, tentando confortar-me.
— Eu posso subir para o meu quarto?
— Sim, é o tempo que falo com os superiores sobre você.— Acinto com minha cabeça e subo para o meu quarto, chegando lá pego a carta com as mãos trêmulas, abro a carta deixada por minha tia. As palavras dela saltam das páginas, carregadas de amor e despedida.
Querido Ryan, meu raio de sol. Se você está lendo isso, é porque o destino nos separou prematuramente. Saiba que meu amor por você é eterno.
Lágrimas turvam minha visão enquanto continuo a leitura.
Fiz de tudo para garantir que você fosse uma criança feliz. Cada sacrifício, cada esforço, foi por você. Nunca duvide do quanto você é especial para mim.
A revelação seguinte me deixa atordoado. Seu pai está vivo, e o nome dele é Ian. Ele não sabe da sua existência, mas aqui está o endereço dele. Se um dia quiser conhecê-lo, siga seu coração, meu amor.
Eu fixei o olhar no endereço, tentando absorver a revelação. Ian. Meu pai. Uma onda de emoções conflitantes me envolve.
Com a carta entre as mãos, sinto um misto de tristeza e esperança. Meu coração se enche de gratidão por ter sido amado, mas também de uma ansiedade desconhecida ao pensar no encontro iminente com meu pai. porque ela não me disse antes, porque ele não sabe da minha existência? é tanta pergunta que eu não sei o que fazer. levo a carta ao meu peito e abraço como se fosse a minha tia que tivesse ali.