PDV Paola
A sensação que estou sentindo agora é igual a que senti anos atrás, minha cabeça dói, a minha alma dói, tudo em mim dói.
Flashback
Estou nervosa, o medo me consome mas sei que ele vai ficar feliz. Tento acalmar meu coração enquanto seguro o teste de gravidez em mãos.
Não demora muito e o vejo vir em minha direção, lindo como sempre.
Assim que ele chega eu tento beijá lo mas para a minha surpresa ele vira o rosto e se afasta, confusão é oque eu estou sentindo no momento.
- diz logo o que você quer, estou sem tempo e paciência hoje.
Essa foi a primeira vez que ele me tratou dessa forma, depois de tudo oque fizemos.
- oque aconteceu?
Pergunto sem entender o porquê desse comportamento dele.
Eu me entreguei a ele de corpo e alma.
- eu só não estou com tempo para ficar aturando seus romances brega hoje.
Senti meus olhos arderem e uma lágrima escorre, porquê ele está me tratando desse jeito.
- O que aconteceu? Porque está agindo desse jeito comigo Miguel?
Eu não estava entendendo nada, ele não era desse jeito, ele me tratava com carinho, amor.
- eu estou grávida de você.
Falo e mostro o teste de gravidez, o qual ele nem fez questão de olhar.
Mas oque ele disse foi como uma facada na alma.
- Quem me garante que esse filho é meu? Se toca Paola eu só estava com você por causa do sexo.
Senti como se um murro fosse dado no meu estômago, uma súbita vontade de vomitar mas eu me segurei.
- entreguei a você de corpo e alma Miguel, você foi meu primeiro em tudo, como pode dizer isso.
Eu estava despedaçada, senti que meu mundo se partiu.
- Você foi só mais uma das minhas fodas Paola, não fode. Você me deu porque quis, eu não te obriguei a nada.
Dito isso ele virou e foi embora me deixando sem chão.
Flashback off.
A partir dali a minha vida mudou drasticamente, mas agradeço a Deus pelo lindo presente que ele me deu, a minha linda filha.
Fiquei tão perdida em pensamentos que não percebi que havíamos chegado.
Agradeço ao rapaz e desci do carro, logo ele da partida e eu fico parada olhando para o nada sem rumo da vida.
- É acho que estou ficando louca.
Penso alto e solto um longo suspiro. Assim que viro para entrar dentro de casa escuto uma gritaria, mas não é da minha conta então dou um passo até escutar uma voz de criança.
Minha curiosidade fala mais alto e caminho até o beco que tem perto da minha casa, a cena que vejo me faz sentir raiva.
Uma raiva descontrolada.
- me solta sua maluca, o meu pai vai ficar sabendo disso. - e como se fosse rápido demais eu escuto e estalo e o garoto estava com a mão no rosto.
Ela simplesmente deu um tapa em seu rosto.
Neste momento não vi nada além de eu estar em cima dela socando o seu rosto.
- me larga sua p*****a - ela se debatia debaixo de mim enquanto eu dava tapas e socos em seu rosto.
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali batendo nela, ou quando a plateia se formou ali, eu só senti alguém me puxando pela cintura.
Me deixei ser segurada enquanto ela estava caída no chão, olhei para o lado e tinha uns tufos do mega hair dela que arranquei com minhas mãos.
- que p***a tá acontecendo aqui?
Senti meu corpo gelar e minha alma sair do corpo, p**a que pariu.
Coringa que está me segurando e pelo seu Tom de voz ele está bravo, puto eu diria.
- eu odeio falar duas vezes.
E ele simplesmente dispara com sua arma pra cima, tremo pelo susto.
Em segundos todos sumiram, restando somente nos quatro.
Cinto coringa me soltar e andar na direção do garoto que em momento algum abaixou a cabeça.
Ele me lembra alguém só não sei quem.
Ele diz algo a coringa que somente balança a cabeça, e sem dizer nada ele caminha até a mulher.
Surpresa toma meu rosto quando ele lhe acerta um tapa tão forte que a faz cair no chão.
Ele pega seu radinho e diz Algo, em questão de segundos dois vapores aparecem e arrastam ela que grita por ajuda.
- O que vai acontecer comigo?
Pergunto no automático, meu corpo treme de medo.
- com você nada, valeu aí por cuidar desse pivete aqui.
Solto um suspiro profundo, nem havia percebi que não estava respirando.
Somente balanço a cabeça em concordância e me viro para ir embora, mas sinto alguém puxar minha blusa.
Olho para trás e Lá estava o pequeno me olhando, o olhei no fundo dos seus olhos e lá havia tanta tristeza e dor.
Meu coração ficou apertado, me agachei na sua frente e limpei o sangue que escorria do pequeno corte de sua bochecha.
- obrigado tia por me ajudar, aquela mulher é maluca.
Rio de sua forma de falar, sei que sempre fui uma pessoa meio impulsiva e isso ainda irá me causar grandes problemas no futuro, mas por agora não me importo.
- você quer almoçar com a tia meu amor?
Pergunto no impulso e o coringa observa tudo de longe, sem dizer absolutamente nada.
O pequeno somente balança a cabeça em concordância. Ofereço a minha mão a ele que segura.
- irei arrumar umas roupas pro pivete aí.
Somente concordo e saio dali rápido.