Capítulo 5
LARISSA WILLIAMS
A brisa noturna de Veneza era exatamente o que eu precisava. O ar fresco, o som da água batendo suavemente nos canais e o murmúrio das pessoas que aproveitavam a noite davam uma sensação de liberdade que eu não sentia há dias. Depois de todo sufoco dessa lua de mel forçada, eu finalmente consegui respirar. E claro, fiz questão de fugir daquele quarto opressor e sair para me divertir um pouco. Sozinha. Ítalo que esperasse. Ele que ficasse lá, com o whisky dele, remoendo o fato de que não me controla.
Veneza à noite era deslumbrante. As luzes refletiam nas águas dos canais e o som das risadas ecoava pelas ruas de pedra. Eu achei uma baladinha discreta, longe dos turistas . O lugar estava cheio, a música alta e o ritmo me envolvia . Perfeito para esquecer a tensão do casamento. Dançava no meio da pista, me misturando às pessoas que não faziam ideia de quem eu era. O álcool corria nas minhas veias, e tudo parecia, por um momento, mais leve. Eu estava livre.
Mas a liberdade não durou muito.
Eu estava dançando, perdida na música, quando senti uma mão firme no meu braço. A princípio, achei que fosse algum idiotä da festa tentando se aproximar, mas quando me virei, dei de cara com um dos seguranças de Ítalo. Merdä.
— Senhorita Williams, precisamos ir. — ele disse com aquele tom de quem não aceita um não como resposta.
Meu coração disparou. Ele me encontrou? Como?
— O QUÊ? TÁ MALUCO? EU NÃO VOU A LUGAR NENHUM! — gritei, tentando me soltar, mas o cara era forte demais.
— Senhorita, é ordem do senhor Navarro. Ele quer que você volte para o hotel. Agora.
Os olhos dele estavam firmes, sem qualquer traço de hesitação. Eu sabia que não ia adiantar discutir, mas tentei mesmo assim.
— ME SOLTA, CARALHÖ! EU TÔ AQUI DE BOA, ME DIVERTINDO! VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE ME TIRAR DAQUI! — comecei a gritar, mas a música estava alta, e ninguém ao redor parecia notar. Ou talvez notassem, mas preferiram ignorar.
Tentei me soltar novamente, mas era inútil. O segurança era implacável. Outro se aproximou e juntos me arrastaram para fora da baladinha, apesar dos meus chutes e protestos.
— VOCÊS TÃO MALUCOS?! — berrei, minha voz ecoando pelas ruas vazias. — ME LARGA! VOU CHAMAR A POLÍCIA!
Mas era em vão. Eu estava sendo carregada de volta para aquele malditö hotel, como se fosse uma criança birrenta sendo levada pra casa contra a vontade.
Meu coração batia forte, metade de raiva, metade de medo. O que Ítalo faria quando me visse?
Enquanto eles me arrastavam pelas ruas de Veneza, tentei me acalmar, mas a indignação era maior. Eu não sou propriedade de ninguém! Ítalo ia aprender isso, nem que fosse na base do grito.
Quando finalmente chegamos ao hotel, eles me levaram até a suíte de luxo. As portas abriram com um clique suave, e eu fui praticamente jogada lá dentro.
E lá estava ele.
Ítalo estava sentado em uma poltrona de couro perto da janela, uma perna cruzada sobre a outra, e segurando um copo de whisky na mão. A luz baixa do quarto lançava sombras sobre seu rosto, que parecia mais calmo do que eu esperava.
Calmo demais.
Minha respiração estava acelerada, o cabelo bagunçado pela briga e minha raiva no limite. Eu olhei para ele, esperando um ataque, esperando gritos. Mas ele só deu um gole tranquilo no whisky, me observando de longe.
— Quer que eu pegue um copo pra você, Larissa? — ele perguntou, com um sorriso frio nos lábios.
O tom dele me irritou mais ainda. Como ele ousava estar tão... calmo?
Eu ri, mas foi uma risada amarga. — Você é um desgraçadö, sabia? — falei, cruzando os braços, tentando manter a postura, apesar do coração martelando no peito.
Ítalo olhou para os seguranças que estavam do meu lado, ainda me segurando pelos braços. — Podem sair. — Ele fez um gesto com a mão, sem desviar os olhos de mim. — Eu cuido dela agora.
“Cuidar de mim?” Pensei, sentindo a raiva fervilhar ainda mais. Eu não precisava de cuidado nenhum. Eu precisava sair dali.
Os seguranças saíram em silêncio, fechando a porta atrás de si. E, de repente, era só eu e Ítalo no quarto. O silêncio entre nós era opressor, a tensão estava densa no ar. Eu estava preparada para um ataque verbal, algo explosivo. Mas ele só se levantou lentamente e deu mais um gole no whisky.
Algo estava errado.
— O que foi, Ítalo? Vai me trancar aqui agora? Acha que pode mandar na minha vida? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Eu queria parecer forte, mas havia um nó na minha garganta que ameaçava quebrar o resto da minha fachada de confiança.
Ele colocou o copo sobre a mesa com um clique suave, como se estivesse esperando aquele momento há muito tempo. Então, finalmente, seus olhos se fixaram nos meus, e eu senti um arrepio subir pela espinha.
— Você acha que pode brincar comigo, Larissa? — ele começou, a voz baixa, controlada, mas cada palavra carregada de algo perigoso. — Acha que pode fugir e fazer o que quiser, como se isso aqui fosse um jogo?
Eu dei um passo para trás, mas minha expressão não vacilou. — Eu não sou sua prisioneira, Ítalo. Eu sou sua esposa. E você sabe muito bem que eu não quis esse casamento .
Ele soltou uma risada baixa, quase como se estivesse se divertindo com a situação . Mas os olhos... os olhos dele estavam escuros, cheios de uma raiva controlada .
— Esposa? Você acha que se comporta como uma esposa? Fugindo pra baladinhas, ignorando que estamos em uma lua de mel? — Ele deu mais um passo em minha direção . — Você acha que pode fazer o que quiser e eu vou ficar aqui, te esperando pacientemente?
Agora ele estava perto . Perto demais . O ar parecia faltar, e minha mente corria, tentando achar algo para dizer . Mas antes que eu pudesse responder, ele cruzou os braços e continuou:
— Nós vamos conversar, Larissa . E dessa vez, vai ser do meu jeito . Eu já perdi toda a minha paciência com você . — a voz dele era firme, sem qualquer traço de dúvida .
O silêncio que se seguiu era quase ensurdecedor . Eu sabia que aquilo não era só uma ameaça . Ítalo estava no limite, e agora, não havia mais pra onde correr .