Quando eu o vi hesitar em falar o sim, um sentimento estranho cresceu dentro de mim. Eu não sei o que era, mas meu coração ficou apertado e naquele momento eu senti que ele havia desistido. Mas como em um súbito momento, ele acabou dizendo sim. Eu não sei se eu estava feliz com isso ou estava triste. Minha nova vida começaria ali, a parti dos dois sim confirmado. Uma nova vida que eu não saberia como seria daqui para frente, só saberia que me casei sem nem gostar dele. E eu me resignei a isso. Não quero mais brigas entre nós, quero viver bem, tranquila. Me comportarei como a verdadeira esposa feliz. Esquecerei tudo que eu queria para mim.
O casamento em si, foi muito bom, não faltou nada. Tudo estava impecável. Mamãe ficou orgulhosa do trabalho que fizemos. Na hora de embora nos despedimos de todos e seguimos para o escala, coisa que achei estranha, mas não disse nada. Chegamos e eu havia me sentado no sofá, esperando que ele se manifestasse, mas não, ele não disse nada, eu o perguntei o que ele queria fazer e na verdade não gostei da resposta dada por ele, ele foi um grosso comigo, gritou comigo, disse que não se importava com que eu iria fazer e me deixou na sala, atônita pelo que ocorra. Fui para o quarto em silêncio, eu estava p**a de raiva, eu me casei com homem que não amava e ainda fui destratada pelo mesmo. Eu queria tirar aquele vestido, queria esquecer que eu me casei, talvez fosse um pesadelo dos piores que eu estava tendo e precisava acordar.
Eu não conseguia tirar o vestido sozinha, se nem fui capaz de colocá-lo sozinha, dirá tirá-lo, então fui a ala dos empregados e pedi Gail que me ajudasse a descer o zíper do vestido. Ela questionou se houve algo. Eu disse que não. E questionei a ela o porque. Ela me disse que o Sr Grey havia saído com Taylor. Mas eu não sabia de nada. Não sabia se era assunto de trabalho. Se ele estava nervoso com algo que eu havia feito, no que eu acho impossível. Porém também eu não fiquei martirizando isso na minha cabeça. Se ele saiu deve ser que precisava, e quem sou eu para falar algo a ele. Agradeci a Gail e voltei para o quarto. Me troquei, na verdade tomei um banho e vesti um pijama calça de pijama e blusa e me deitei. Eu não queria saber se ele iria ou não concluir esse casamento. Que não me venha descontar a sua raiva em mim. Custei a pegar no sono, mas peguei. Acordei com meu despertador no meu celular. Eu coloquei ontem, já que não vamos a lugar nenhum, vou pra faculdade, tenho aulas extra hoje, e não quero perdê-las. Olho para o lado da cama e lá está ele, sem camisa, somente com a calça de moletom. Me levanto e sigo para o banheiro. Tomo um banho e sigo para o closet. Visto uma calça jeans, uma blusa manga três quarto, pego uma jaqueta, coloco meu cabelo em um r**o de cavalo. Passo uma maquiagem leve e vou para sala. Não trouxe nada meu para cá. Minha coisas da faculdade ficaram todas na casa dos meus pais. Vou para a faculdade sem nada, lá eu peço alguém uma folha e uma caneta e faço as anotações. Pego minha bolsa e saio. Peço um táxi, enquanto vou descendo o elevador, já que meu carro também está na casa dos meus pais. O táxi chega em dez minutos e eu entro dentro dele e sigo para a faculdade. Nossa não acredito que não tem nenhum daqueles cão de guarda atrás de mim. Me sinto livre assim.
Fico na faculdade a manhã toda. Meu celular já tocou não sei quantas vezes, e tinha várias mensagens do meu querido marido, me questionando onde eu estou. Respondo que estou na faculdade depois que saio da sala e entro em um táxi, vou para casa dos meus pais. Eu preciso das minha coisas. Ele me respondeu que estará me esperando para almoçar. Respondo dizendo para não me esperar, pois almoçarei com meus pais. Não estou afim de ver aquela cara de mau humor nem tão pouco aguentar os gritos dele. Chego na casa dos meus pais e eles me olham surpresos.
-Ana o que você faz aqui? Minha mãe pergunta.
-Vim pegar algumas coisas minhas, principalmente da faculdade. Digo beijando os dois.
-Mas não era para você está em lua de mel? Papai pergunta.
-Não pai, como eu voltei a estudar, não quis viajar. E como ontem eu faltei a aula por causa do casamento, hoje eu resolvi ir.
-Mas bem que vocês poderiam ter curtido o final de semana de vocês. Mamãe diz. E eu não respondo nada. Seu marido é um homem muito bom, muito compreensivo. Ela continua dizendo. Oh se é. Penso comigo.
-Mamãe vocês já almoçaram? Eu estou morrendo de fome. Digo tentando mudar de assunto.
-Sim meu amor, mas eu arrumo para você. Ela diz e vamos para a cozinha.
Ficamos conversando sobre o casamento e a festa enquanto eu almoçava. Depois fui para o meu quarto pegar as minhas coisas. Deixei ainda um monte de roupas e sapatos no meu closet, e me despedir dos meus pais. Já eram quase seis da tarde e já havia várias ligações dele para mim. Chego na porta do prédio e peço ao porteiro para me ajudar com as duas malas de roupas e sapatos que trouxe. Ele me ajuda e sigo para o elevador. Ele espera o elevador junto comigo, e quando chega ele me ajuda a colocar as malas lá dentro. Aperto o código do apto de subo. Chego e tiro as malas de dentro do elevador. Taylor aparece e me socorre. Agradeço a ele e ele me pede para deixar tudo que ele levará. Agradeço mais uma vez. Entrei e Sr Grey está na janela. Ele vira para min e vejo raiva em seus olhos.
-Porque saiu sem me dizer aonde você iria? Ele me pergunta com raiva.
-Porque o Sr estava dormindo. Digo dando de ombro.
-Pare com essa merda de Sr. Eu sou seu marido. Por sua causa quatro seguranças foram despedidos. Ele diz e eu não dou a mínima.
-Por minha causa, porque? Eu não fiz nada.
-Por você ter saído sem eles.
-Eu acho que não preciso mais de babá ou esses cão de guarda seus. Afinal de contas eu já me casei com você. Não era o que o Sr queria?
-Anastásia, eu não vou falar de novo. Olha eu não quero brigar. Eu não estou no meu melhor dia, então não comece. Ele dizia e eu nem me atrevo a falar nada.
-Vou me arrumar pra gente ir jantar fora. Digo tentando amenizar a conversar. Vou tentar fazer a minha parte nesse casamento. Ele me olha como se eu fosse um bicho de sete cabeças.
-Você está falando sério? Ele me pergunta.
-Sim, estou. Tem um ditado que diz, " Se não pode com eles, se junte a eles". Ele sorri para mim.
Eu sigo para o quarto e depois para o banheiro. Tomo um banho gostoso. Estou pensando em mudar minha atitude com ele. Não compensa mais brigarmos, já que casamos. Saio do banho e sigo para o closet. Coloco um vestido preto curto que vai até o meio das coxas. Usarei uma sandália de salto alto. Entro no banheiro e ele está tomando banho. Seco meu cabelo e deixo o mesmo solto. Saio do banheiro e sento na cama para calçar a minha sandália. Ele sai do banho e eu ergo a minha cabeça para ele. Vejo que ele está somente de toalha. Minha mãe tem razão, que corpo. Porém eu noto algo estranho nas costas dele. Ele segue para o closet, e eu não acredito que esse filho da p**a teve coragem para me trair no dia do nosso casamento. Respiro fundo e vou para o closet, paro no batente da porta e ele está com vários arranhões nas costas. Eles estão bem marcados, bem vívidos. Não é possível que ele tenha feito isso comigo. Mas eu vou tirar essa história a limpo agora.
-Sua noite deve ter sido boa ontem né. Falo com ironia. Eu já estou com muita raiva crescendo em mim.
-Do que você está falando? Ele me pergunta como um santo que é.
-Das marcas nas suas costas, dos arranhões que tem aqui, e aqui. Digo passando a mão nos arranhões. E depois reparo em seu pescoço e tem um chupão enorme. Filho da p**a. Há e também desse chupão aqui.
-Anastásia eu posso ti explicar. Ele começar a falar, e eu saio do closet.
-Então me explica, porque você simplesmente sumiu ontem a noite, depois de gritar comigo, sem eu saber o que estava acontecendo. Quero dizer ainda não sei. Digo com toda raiva do mundo.
-Primeiro eu não te trair. Ele diz e tenta continuar, mas eu o impeço.
-Não me traiu? Então o que você fez? Deixa eu adivinhar Sr Grey. Você saiu daqui exaltado, não sei por que, e encontrou uma mulher qualquer na rua que fez isso com você. E você me diz que não me traiu?
-Eu não te trair. Ele tenta mais uma vez, mas eu estou tão nervosa que não o deixo falar.
-O Sr é um filho de uma p**a. Me tirou de casa, me trancou nesse inferno, me fez casar, para no dia do nosso casamento você me trair com uma qualquer. E a boba aqui pensando em fazer essa p***a de casamento dá certo, a trouxa aqui pensando em mudar o meu jeito para que possamos dar certo. E aí, enquanto eu estava aqui deitada, pensando o que poderia fazer para essa merda que o Sr me obrigou, dá certo, o Sr estava na cama com outra mulher. Grito com ele. Eu estou quase chorando, mas eu não vou chorar, não perto dele.
-Eu não fui para cama com ela. Me escuta. Ele pede nervoso.
-Há, quer dizer que só faltou isso para a traição ser completa? Só faltou vocês transarem para que a i****a aqui fosse a corna completa?
-Ana por favor deixa eu me explicar. Ele pede tentando me segurar.
-Não toque em mim. Grito com ele. Olha, apesar de não amá-lo, de não querer ter casado, de não querer ter passado tudo que o Sr me fez passar, eu ainda estava disposta a ter uma vida de casada com você, de poder ficarmos bem como um casal normal. Eu passei uma semana pensando em como seria a nossa vida juntos, e eu não estava disposta a torná-la pior. Mas pelo jeito o Sr sim, pelo jeito o Sr além de me fazer o que fez, ainda que me humilhar e esfregar uma amante na minha cara.
-Não. Pelo amor de Deus, não é assim, eu não quero amante nenhuma. Ana eu também quero ficar bem com você. Ele diz triste.
-Eu sempre soube que o Sr não me amava, sempre soube que eu não passava de um capricho para você, um troféu a ser conquistado. Mas eu nunca pensei que o Sr iria me humilhar dessa forma.
-Ana...
-Pará... Chega... Eu não quero saber de mais nada. Fica o Sr e sua maravilhosa noite de núpcias que foi muito bem aproveitada.
Saio do quarto e sigo para a parte de cima, me tranco em um dos quartos de hóspedes e começo a chorar. Ele não podia ter feito isso comigo. Ele não tinha esse direito. Maldito. Eu o odeio ainda mais. Como eu fui i****a, como eu sou i****a.