B R U N A
Desci do ônibus olhando ao meu redor, cada pessoa tinha alguém a esperando. Elas desciam do ônibus e iam correndo para suas pessoas, todas elas tinham uma pessoa. Me sentei num banco que tinha ali, e me permiti chorar. Chorei por tudo, por todos, por muito.
- O que aconteceu para você chorar tanto menina? - ouvi.
Levantei meu olhar e vi uma senhora me encarando, ela me olhava com tanta doçura que eu podia jurar que ela era um anjo.
- Não é nada demais. - respondi.
- Se não é nada demais, o que é de tão pouco que te faz chorar? - ela perguntou se sentando ao meu lado.
- Eu me separei. - contei.
- Ah menina... Meu marido acabou de ser enterrado no Maranhão, vivemos tantos momentos bons. Tivemos uma filha, mas ela simplesmente sumiu no mundo alegando amar um homem. Nem no enterro do próprio pai ela foi, nem isso ela quis. - ela contou com tristeza.
- Eu sinto muito por isso. - falei me sentindo injusta.
- Você tem para onde ir? - ela perguntou.
- Não faço a mínima ideia. - respondi com sinceridade.
- Porquê a bela moça não me acompanha então? - ela perguntou.
- Não quero incomodar a senhora. - falei.
- Menina, eu ficarei sozinha em uma casa enorme. Me deixa ajudar você, só sua companhia já me basta. - ela falou.
Pensei, pensei e pensei.
Não tinha como recusar, eu precisava de um lugar pelo menos para passar a noite, é caso de necessidade.
- Eu aceito. - respondi por fim.
A doce senhora sorriu, pegou em minha mão enquanto segurava a minha bolsa e me guiou até um carro.
Só Deus sabe qual será o meu caminho agora, só ele.
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