— Tem uma namorada? — Porã perguntou ao pai, achou que tudo estava estranho... — Porã… O pai sempre foi reservado, — Posso perguntar uma coisa? O silêncio se estendeu por alguns segundos. O pai estava sentado à mesa da cozinha, o cotovelo apoiado na madeira marcada por anos de uso. Era a mesma mesa da infância — Toddy nunca aceitou trocá-la. Tinha desenhos infantis gravados ali, riscos de lápis que ninguém teve coragem de apagar. O copo de café, já frio, permanecia esquecido ao lado. O olhar dele não subiu de imediato. — Pergunte. — Onde o senhor estava, de verdade? O pai ergueu os olhos devagar. Não gostava de mentiras, mas também não queria dizer a verdade inteira. Sempre prezou pelo respeito — acima de tudo. Sustentou o olhar do filho por um momento longo demais, não queria falar

