Loucura

1531 Palavras

Acordei com um som que não era bem grito, mas também estava longe de ser uma conversa calma. Era aquela cadência carregada, quando as palavras saem afiadas como lâminas e não existe mais filtro entre o que se pensa e o que se diz. Demorei um segundo pra perceber que vinha do andar de baixo. O sol entrava pelas frestas da cortina, mas o brilho era abafado, como se o dia também não estivesse com disposição pra sorrir. Coloquei uma camiseta qualquer, desci os degraus devagar, tentando entender o que estava acontecendo antes de aparecer. — … não aguento mais isso, Lorenzo! — a voz de Isadora ecoou primeiro, firme, mas com um tremor que denunciava a raiva misturada ao nervosismo. — Você acha que pode voltar pra casa todas as noites com cheiro de álcool, falar o que quer, como quer, e eu vou

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