As últimas semanas tinham sido um turbilhão. Depois de tudo o que aconteceu — meu pai preso, depois solto, Melissa desaparecida como se nunca tivesse existido, e, claro, a revelação mais perturbadora de todas: Lara viva, cuspindo fogo de ódio e deixando claro que não descansaria até destruir minha família — eu e Isadora precisávamos respirar. Precisávamos nos reconectar com a vida normal, ou pelo menos com uma ilusão de normalidade. O problema era que nada em minha vida parecia normal ultimamente. Até quando eu fechava os olhos à noite, a imagem da Lara aparecia nítida, debochada, como se ela estivesse sentada à beira da cama, sorrindo com malícia e sussurrando: “Eu não acabei com você, Enzo. Ainda vou levar tudo o que você ama.” Eu acordava suando, o coração acelerado, e Isadora sempre

