Os dias que seguiram à prisão do meu pai foram um borrão de pensamentos embaralhados e noites m*l dormidas. Eu e Isadora passamos a desconfiar de tudo e de todos. Quanto mais investigávamos, mais ficava claro que Melissa estava longe de ser apenas uma namorada ou uma armação isolada. Suas mentiras tinham buracos, falhas grosseiras, e cada detalhe que descobríamos deixava um gosto mais amargo na boca. Eu me lembrava do olhar dela, da forma como sempre parecia ter uma resposta pronta, como se tivesse ensaiado cada palavra. Isa notou o mesmo. — Ela mente até quando respira — Isadora disse numa madrugada, sentada na beira da minha cama, com os olhos fixos na parede, sem conseguir dormir. — E o pior é que sempre dá um jeito de parecer convincente. Eu concordei, passando a mão pelos cabelos.

